
Lula intensifica agenda internacional no G7, fortalece alianças com Europa e busca abrir diálogo com Trump
Presidente aproveita cúpula na França para avançar acordos comerciais, ampliar cooperação em inteligência artificial e minerais críticos e reforçar protagonismo do Brasil no cenário global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, em uma verdadeira maratona diplomática. Além de acompanhar os debates entre as maiores economias do mundo, o líder brasileiro aproveitou a viagem para ampliar negociações comerciais, fortalecer parcerias estratégicas e buscar espaço para o Brasil em temas centrais da agenda global, como inteligência artificial, transição energética e minerais críticos.
Antes mesmo do início oficial das principais reuniões da cúpula, Lula realizou um encontro bilateral com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. A conversa teve como foco a ampliação da cooperação entre os dois países em setores considerados estratégicos para o futuro da economia mundial.
Entre os assuntos discutidos estiveram inteligência artificial, biotecnologia, saúde, defesa, transição energética e minerais críticos, recursos cada vez mais disputados internacionalmente por serem essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.
Outro tema de destaque foi o fortalecimento do acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Os líderes defenderam a ampliação do comércio entre os países e a diversificação dos produtos exportados, ampliando oportunidades para empresas brasileiras no mercado europeu.
O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, reunindo quase 300 milhões de consumidores e movimentando uma economia superior a US$ 4,3 trilhões. A expectativa é de que mais de 97% das exportações dos países envolvidos sejam beneficiadas pelo acordo.
Reunião com Macron reforça parceria estratégica
Na França, Lula também teve encontro com o presidente Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Os dois líderes mantêm uma relação próxima em pautas como preservação ambiental, combate às mudanças climáticas e fortalecimento do multilateralismo.
Durante a reunião, foram discutidos avanços na cooperação em defesa, especialmente no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), considerado um dos principais projetos estratégicos das Forças Armadas brasileiras.
Os presidentes também conversaram sobre iniciativas para fortalecer a integração entre o estado do Amapá e a Guiana Francesa, além de projetos ligados à soberania digital brasileira. Macron manifestou interesse em colaborar com o Brasil na área de supercomputadores e infraestrutura tecnológica avançada.
Apesar do clima amistoso, permanece uma divergência importante entre os dois governos: o acordo entre Mercosul e União Europeia. A França continua demonstrando resistência ao tratado, especialmente por pressões do setor agrícola francês. O governo brasileiro, por sua vez, segue trabalhando para ampliar o acesso de produtos nacionais ao mercado europeu, incluindo a carne bovina.
Expectativa por encontro com Donald Trump
Nos bastidores da cúpula, uma das maiores expectativas gira em torno de uma possível reunião entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Até o momento, não existe um encontro oficialmente confirmado, mas integrantes do governo brasileiro trabalham para viabilizar a conversa durante o evento. Caso aconteça, será o primeiro contato direto entre os dois líderes em meio a um período de tensão diplomática e comercial.
As relações entre Brasília e Washington enfrentam desafios após o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos e da decisão americana de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Uma eventual reunião poderá abrir espaço para negociações sobre comércio exterior, investimentos e cooperação internacional, além de reduzir atritos entre as duas maiores economias do continente.
Brasil busca protagonismo nos debates globais
Nos próximos dias, Lula participará das discussões centrais da Cúpula do G7 ao lado dos líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
A agenda inclui debates sobre crescimento econômico sustentável, governança global, segurança internacional, inteligência artificial, minerais críticos e os recentes conflitos geopolíticos que impactam a economia mundial.
Além de Macron e Parmelin, o presidente brasileiro ainda deve manter reuniões bilaterais com representantes do Japão, Alemanha, Canadá, Itália, Reino Unido, Egito e da Interpol.
A estratégia do governo é aproveitar a visibilidade proporcionada pelo G7 para fortalecer a posição do Brasil como interlocutor relevante em temas econômicos, ambientais e tecnológicos, ampliando a influência brasileira nas decisões que moldarão os próximos anos da economia global.