
Pesquisa mostra recuperação de Lula e mudança no cenário eleitoral para 2026
Aprovação do governo supera desaprovação pela primeira vez no terceiro mandato, enquanto presidente amplia vantagem em simulação de segundo turno
A mais recente pesquisa Nexus/BTG Pactual trouxe um dado que pode marcar uma virada importante no cenário político brasileiro: pela primeira vez desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a aprovação do governo ultrapassou a desaprovação.
De acordo com o levantamento realizado entre os dias 12 e 14 de junho de 2026, 48% dos entrevistados afirmaram aprovar a gestão federal, enquanto 47% disseram desaprová-la. Embora a diferença seja pequena, o resultado representa uma mudança significativa na trajetória da popularidade do governo ao longo dos últimos meses.
Em março deste ano, o quadro era inverso. Naquele momento, a aprovação registrava 45%, enquanto a desaprovação alcançava 51%. Desde então, houve um avanço gradual na avaliação positiva da administração federal, consolidando uma tendência de recuperação observada em pesquisas recentes.
Avaliação do governo apresenta melhora
Além da aprovação geral, outros indicadores também apontam para uma percepção mais favorável da gestão presidencial.
A parcela dos brasileiros que classifica o governo como “ótimo” ou “bom” cresceu de 35% para 38% no período analisado. Ao mesmo tempo, o grupo que considera a administração “ruim” ou “péssima” recuou de 44% para 41%.
Já os entrevistados que avaliam o governo como regular representam 21% do eleitorado, demonstrando que uma parcela significativa ainda acompanha a gestão sem uma posição totalmente consolidada.
Reflexos na corrida presidencial
A melhora na avaliação do governo também aparece nos cenários eleitorais testados pela pesquisa.
Em uma simulação de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026, Lula aparece com 49% das intenções de voto, enquanto o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro registra 43%.
Segundo os dados do levantamento, trata-se da maior diferença observada entre os dois nomes desde o início da série histórica da pesquisa.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destacou que o crescimento da aprovação do governo contribuiu diretamente para o fortalecimento eleitoral do presidente. Segundo ele, é a primeira vez que Lula aparece liderando fora da margem de erro em uma disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Onde Lula tem melhor desempenho
A pesquisa também identificou os segmentos da população onde a aprovação ao governo é mais elevada.
Os índices mais favoráveis foram registrados entre:
- Moradores da Região Nordeste (65%);
- Pessoas com renda de até um salário mínimo (61%);
- Eleitores com ensino fundamental (61%);
- Mulheres (53%);
- Pessoas com 60 anos ou mais (55%);
- Entrevistados sem religião (58%).
Entre os jovens de 16 a 24 anos, grupo considerado estratégico para a disputa eleitoral, a aprovação alcança 49%, superando ligeiramente a média nacional.
Grupos com maior índice de desaprovação
Por outro lado, alguns segmentos continuam apresentando resistência ao governo.
Os maiores índices de desaprovação aparecem entre:
- Moradores da Região Sul (59%);
- Evangélicos (61%);
- Pessoas com ensino superior (54%);
- Homens (53%);
- Eleitores com renda superior a cinco salários mínimos (56%);
- Pessoas entre 25 e 40 anos (53%).
Os números mostram que o país segue dividido em relação à avaliação do governo, embora os dados indiquem uma melhora no desempenho do presidente em comparação com os levantamentos anteriores.
Potencial eleitoral também cresce
Outro dado que chamou atenção foi o aumento do potencial de voto de Lula. O índice, que reúne eleitores decididos e aqueles que afirmam que poderiam votar no presidente, passou de 50% para 52%.
No sentido contrário, o potencial de voto de Flávio Bolsonaro caiu de 47% para 45% desde abril, sinalizando uma movimentação importante no eleitorado analisado.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento Nexus/BTG Pactual ouviu 2.017 eleitores por telefone em todas as regiões do país entre os dias 12 e 14 de junho de 2026.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06645/2026.
Os resultados revelam um cenário político em transformação e indicam que a avaliação do governo poderá ter influência direta na disputa presidencial de 2026, que já começa a movimentar os bastidores da política nacional.