Lula: O “coerente” do palco internacional, o “impopular” do Brasil real

Lula: O “coerente” do palco internacional, o “impopular” do Brasil real

Enquanto faz pose de diplomata, o presidente coleciona críticas lá fora e desgosto aqui dentro — e corre o risco de perder até para a direita desunida.

A revista britânica The Economist não poupou palavras para definir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: para eles, Lula é “incoerente no exterior” e “impopular em casa”. Nada de surpresa, já que, no front internacional, o discurso do brasileiro não combina nem com o roteiro do Itamaraty, que recentemente condenou ataques iranianos e americanos, nem com a postura “civilizada” das democracias ocidentais.

Mas Lula resolveu se juntar à turma do bloco dos Brics — agora com o Irã no pacote — e embarcar nessa aventura diplomática com Rússia e China, duas potências que não costumam ser exatamente os “queridinhos” do Ocidente. A revista ironiza: com essa escolha, o Brasil está mais para “inimigo do Ocidente” do que parceiro confiável.

Enquanto isso, o relacionamento com os Estados Unidos anda pior do que reunião de família cheia de desafetos: Lula e o ex-presidente Trump sequer apertaram as mãos — algo inédito para a maior economia da América Latina. Lula prefere paparicar Xi Jinping, com quem já se encontrou duas vezes no último ano, numa clara demonstração de prioridades.

A viagem à Rússia para celebrar os 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista foi um capítulo à parte: Lula tentou, sem sucesso, convencer Putin a negociar um fim para a guerra na Ucrânia — mas ninguém deu bola para o pedido do presidente brasileiro. E, para completar, o distanciamento com a vizinha Argentina e o apoio recente à Venezuela só confirmam que a política externa do governo é, no mínimo, confusa.

No Brasil, a situação não é muito diferente. A The Economist aponta que a popularidade de Lula despencou, atingindo um alarmante índice de rejeição de 57% — o maior do seu terceiro mandato. O Congresso deu um recado e derrubou um decreto que aumentava o IOF, algo que não acontecia há três décadas, deixando claro que o poder do presidente sobre o Legislativo anda mais para ilusão do que realidade.

E a direita? Ah, essa sim anda acesa. Mesmo com Bolsonaro preso por suspeitas graves, o ex-presidente continua firme entre seus apoiadores e, segundo a revista, se a direita conseguir se unir em torno de um candidato antes das eleições de 2026, o trono presidencial vai passar rapidamente para as mãos deles.

Para fechar com chave de ouro, a reportagem ainda recomenda que Lula pare de “fingir importância” no cenário internacional, afinal, o Brasil tem um enorme déficit comercial com os Estados Unidos e pouco peso nas decisões globais sobre guerras na Ucrânia ou no Oriente Médio. Ou seja, melhor cuidar do que acontece por aqui, onde a realidade é muito mais dura e a popularidade, bem… essa está longe de ser um motivo de festa.

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