
Lula participa de ato da Ponte Salvador-Itaparica e oposição acusa governo de transformar promessa em palanque eleitoral
Presidente marca início simbólico das obras da maior ponte prevista para a América Latina, enquanto ACM Neto e Romeu Zema questionam o andamento do projeto. Governo da Bahia afirma que empreendimento finalmente saiu do papel e rebate críticas da oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na última semana, da cerimônia que marcou o início simbólico das obras da Ponte Salvador-Itaparica, empreendimento considerado um dos maiores projetos de infraestrutura do país. O evento, realizado no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, reuniu autoridades federais, estaduais e representantes do consórcio responsável pela execução da obra.

Apesar da solenidade, o ato rapidamente se transformou em tema de disputa política. O principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição baiana, ACM Neto (União Brasil), classificou o evento como mais uma promessa eleitoral do Partido dos Trabalhadores e afirmou que a ponte “só existe no outdoor e no Instagram da turma do governo”.
A obra, anunciada há anos como prioridade para a mobilidade da Bahia, prevê a construção de uma estrutura de aproximadamente 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, ligando Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. O investimento estimado chega a R$ 11,6 bilhões e integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Caso seja concluída, a ponte deverá superar a Ponte Rio-Niterói em extensão sobre o mar, tornando-se a maior da América Latina.
Cerimônia marcou início das obras
Durante o evento, Lula visitou o canteiro de obras ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, do ministro da Casa Civil Rui Costa, do senador Jaques Wagner e de representantes do consórcio chinês responsável pelo empreendimento.
Em seu discurso, o presidente afirmou que o projeto representa uma transformação econômica para a região, mas alertou para a necessidade de planejamento urbano.
Segundo Lula, será necessário controlar o avanço da especulação imobiliária na Ilha de Itaparica para evitar impactos negativos sobre a população local.
ACM Neto intensifica críticas
A cerimônia foi duramente criticada por ACM Neto, principal nome da oposição na Bahia e pré-candidato ao governo estadual.
Segundo ele, a população baiana acompanha há cerca de duas décadas sucessivos anúncios da obra sem que sua execução tivesse início efetivo.
Para o ex-prefeito de Salvador, o projeto tornou-se uma promessa recorrente utilizada em períodos eleitorais.
Em declarações à imprensa, ACM Neto afirmou que tanto o governador Jerônimo Rodrigues quanto o PT continuam apresentando a ponte como uma realização futura, apesar dos diversos anúncios feitos ao longo dos últimos anos.
O político também declarou que o presidente Lula poderia estar sendo induzido a acreditar que a obra avançou mais do que realmente ocorreu.
Governo rebate acusações
O governador Jerônimo Rodrigues respondeu às críticas afirmando que o empreendimento entrou definitivamente na fase de execução.
Segundo ele, a presença do presidente da República demonstra que o projeto possui respaldo institucional e financeiro.
Jerônimo também pediu que a oposição trate o tema com responsabilidade e afirmou que Lula não viajaria à Bahia apenas para realizar um anúncio sem fundamentos.
Zema entra no debate
A discussão ultrapassou os limites da política baiana.
Pelas redes sociais, o pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou o evento promovido pelo governo federal.
O ex-governador de Minas Gerais afirmou que integrantes do PT estariam comemorando uma ponte que, segundo ele, ainda não existe fisicamente.
A manifestação ampliou a repercussão nacional do episódio e inseriu o empreendimento no debate eleitoral de 2026.
Obra será executada por meio de parceria
A Ponte Salvador-Itaparica será construída por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo da Bahia e um consórcio de empresas chinesas.
Além de reduzir significativamente o tempo de deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica, o projeto pretende estimular o turismo, facilitar o transporte de cargas e impulsionar o desenvolvimento econômico do Recôncavo Baiano e do sul do estado.
Por outro lado, organizações ambientalistas e comunidades de pescadores mantêm preocupações quanto aos possíveis impactos ambientais sobre a Baía de Todos-os-Santos. Os grupos defendem monitoramento permanente durante a execução da obra e medidas para preservar o ecossistema marinho.
Disputa eleitoral influencia debate
O episódio ocorre em um momento de forte movimentação política na Bahia.
Enquanto Lula intensifica sua participação na campanha do governador Jerônimo Rodrigues, que busca a reeleição, ACM Neto procura concentrar seus ataques na gestão estadual, evitando confrontos diretos com o presidente, que mantém elevado índice de aprovação entre o eleitorado baiano.
Durante a cerimônia, Lula também fez críticas a ACM Neto, relembrando declarações antigas do ex-prefeito sobre sua identidade racial. Questionado pela imprensa, ACM respondeu de forma breve e evitou ampliar a polêmica.
Obra permanece como símbolo político
Mais do que um projeto de infraestrutura, a Ponte Salvador-Itaparica tornou-se um dos principais símbolos da disputa política na Bahia.
Para o governo estadual e o Palácio do Planalto, o início das intervenções representa a concretização de uma obra histórica aguardada há décadas.
Já para a oposição, o projeto continua cercado de dúvidas sobre seu cronograma e sua execução efetiva, transformando-se em um dos temas centrais da campanha eleitoral baiana de 2026.