Lula pressiona ministro da Reforma Agrária: “Temos que cumprir o que prometemos”

Lula pressiona ministro da Reforma Agrária: “Temos que cumprir o que prometemos”

Durante entrega de assentamento no Paraná, presidente responde às críticas do MST e cobra mais ação do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi direto nesta quinta-feira (29), durante a entrega de um assentamento para famílias do MST, em Ortigueira, no Paraná. De frente para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira — alvo de duras críticas do próprio MST —, Lula fez um recado claro: “Temos que cumprir o que prometemos”.

A cobrança pública não aconteceu por acaso. O MST está insatisfeito com a lentidão nas ações de reforma agrária e já chegou a pedir a cabeça de Paulo Teixeira. O movimento acusa o ministério de não ter avançado nas metas, especialmente na criação de novos assentamentos para as famílias acampadas em todo o país.

Lula não fugiu do assunto. Disse que, se não for possível cumprir tudo, o governo precisa ser honesto e dizer a verdade, sem enrolação: “Se não dá pra fazer, a gente tem que ter a mesma sinceridade de quando prometemos e dizer que não dá. Mas tem que tentar, tem que buscar uma solução”, disparou o presidente, olhando diretamente para o ministro.

Governo na berlinda com o MST

A insatisfação do MST não é pequena. O movimento cobra que o governo assente 65 mil famílias até o fim deste ano, além de considerar insuficiente a promessa de mais 20 mil assentamentos para 2025. Para piorar, contestam os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, que afirma ter regularizado mais de 70 mil famílias no ano passado. Segundo o MST, esse número não representa novos assentamentos, mas sim a regularização de quem já estava em áreas ocupadas.

No início do ano, o movimento chegou a denunciar publicamente o que chamou de “paralisação da reforma agrária”, algo que o ministério nega.

“Não somos invasores”, diz Lula em defesa do MST

Durante seu discurso, Lula também saiu em defesa do MST contra os ataques que o movimento costuma sofrer. “Temos a obrigação moral, ética e política de enfrentar aqueles que tentam vender a imagem de que vocês são invasores. Eles não sabem do sacrifício que vocês fazem”, afirmou.

Além da criação oficial do Assentamento Maila Sabrina, que vai beneficiar 450 famílias, Lula anunciou recursos de R$ 1,3 milhão para o Assentamento Eli Vive, por meio do programa Crédito Instalação Fomento Mulher, e assinou contratos do Pronaf para fortalecer a agricultura familiar da região.

O governo também firmou uma parceria entre a Itaipu Binacional e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, garantindo a compra de alimentos produzidos pelos assentados para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma das principais políticas de apoio à agricultura familiar no país.

O recado ficou dado — para dentro e para fora do governo: o MST quer ação, não discurso.

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