
Lula promete ampliar encomendas para a Avibras, e Alckmin prevê reabertura de fábrica em Lorena
Presidente afirma que governo pretende fortalecer a indústria nacional de defesa e priorizar o pagamento de salários atrasados; vice-presidente diz que retomada já permitiu contratar 480 trabalhadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo federal pretende ampliar as encomendas destinadas à Avibras e fortalecer a indústria brasileira de defesa. A declaração ocorreu durante uma visita à unidade da empresa em Jacareí, no interior de São Paulo, na primeira agenda do presidente na companhia após a retomada de suas atividades.
Lula afirmou que o governo deverá preparar novas encomendas por meio do Ministério da Defesa para ampliar a capacidade das Forças Armadas e, ao mesmo tempo, garantir demanda para empresas estratégicas do setor.
Segundo o presidente, o Brasil precisa investir em tecnologia, equipamentos e capacidade industrial para assegurar sua soberania e estar preparado diante de possíveis ameaças.
Lula também afirmou que os recursos destinados à Avibras deverão contribuir para o pagamento dos salários atrasados dos trabalhadores. A prioridade, segundo ele, está prevista no acordo firmado durante o processo de recuperação da empresa.
Ao lado do presidente, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a retomada da Avibras já permitiu a contratação de 480 funcionários. Para ele, a tendência é de expansão das atividades da empresa.
Alckmin também afirmou que o crescimento da companhia pode viabilizar a reabertura da fábrica de Lorena, também no Vale do Paraíba. A unidade é responsável pela produção de insumos utilizados em combustíveis para foguetes, mísseis e lançadores.
— A reabertura da empresa permitiu contratar 480 colaboradores e a tendência dela é de crescer e a Avibras, voltando a crescer, reabre uma outra fábrica em Lorena, onde fabrica os insumos para o combustível dos foguetes, mísseis e lançadores — afirmou o vice-presidente.
Alckmin classificou a Avibras como uma empresa estratégica para o país e destacou o crescimento das exportações brasileiras de produtos de defesa. Segundo ele, as vendas externas do setor passaram de US$ 600 milhões em 2022 para US$ 3,4 bilhões no ano passado.
Para o vice-presidente, o avanço das exportações demonstra o potencial da indústria brasileira de defesa e reforça a importância de manter empresas nacionais capazes de desenvolver tecnologia própria.
A Avibras é responsável pelo desenvolvimento de sistemas de defesa e tecnologias relacionadas a mísseis, foguetes e lançadores. A empresa fornece produtos para as Forças Armadas brasileiras e também atua no mercado internacional.
Crise financeira e longa paralisação
A retomada das atividades ocorre após anos de dificuldades financeiras. A empresa entrou em recuperação judicial em 2022, depois de anunciar a demissão de 420 trabalhadores. As dispensas foram posteriormente revertidas, mas a crise financeira se aprofundou.
Em setembro daquele ano, trabalhadores iniciaram uma greve motivada pela falta de pagamento de salários. A paralisação se estendeu por mais de três anos e durou aproximadamente 1.280 dias, sendo considerada uma das mais longas do país.
Durante o período de crise, a empresa acumulou dívidas com cerca de 1,4 mil funcionários. Os débitos trabalhistas foram estimados em aproximadamente R$ 230 milhões.
Em março, a Avibras e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região chegaram a um acordo para o pagamento das dívidas trabalhistas. O compromisso foi aprovado pelos trabalhadores e abriu caminho para a retomada das atividades.
Agora, o governo federal busca utilizar novas encomendas como instrumento para fortalecer a empresa e ampliar a capacidade da indústria nacional de defesa. A expectativa anunciada pelo governo é que a recuperação da Avibras permita a expansão das operações, a contratação de mais trabalhadores e, futuramente, a reabertura da unidade de Lorena.
A agenda também reforçou a estratégia do governo Lula de tratar a indústria de defesa como um setor estratégico para o desenvolvimento tecnológico, a geração de empregos e a soberania nacional.