Lula quer diálogo com os EUA sem brigas ideológicas: “É comércio, não guerra política”

Lula quer diálogo com os EUA sem brigas ideológicas: “É comércio, não guerra política”

Alckmin lidera tratativas para reverter tarifa de Trump e reforça pedido de Lula por negociações “limpas e pragmáticas”, focadas na economia e longe de revanchismos

Em meio à tensão comercial com os Estados Unidos, o presidente Lula mandou um recado claro: o Brasil quer conversar, mas sem ranço político nem disputas ideológicas. Quem tem levado esse recado à mesa é o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ele está à frente das negociações para tentar derrubar a tarifa de 50% que Donald Trump impôs sobre todos os produtos brasileiros vendidos nos EUA.

“O presidente Lula nos orientou a manter o foco na solução. Não é hora de briga política, é hora de defender o comércio, o emprego e os produtores brasileiros”, afirmou Alckmin nesta quinta-feira (24), depois de mais uma rodada de encontros com empresários afetados pelo tarifaço.

Segundo ele, o Brasil está apostando numa saída de mão dupla, que evite perdas para os dois lados. “Em vez de inflação nos EUA e queda nas nossas exportações, podemos virar esse jogo com mais integração produtiva, acordos contra bitributação e aumento dos investimentos mútuos”, defendeu.

Conversa longa e tom diplomático

No último sábado (19), Alckmin se reuniu com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. A conversa foi, segundo ele, longa e importante. “O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Não criamos esse problema, mas estamos prontos para resolver. Queremos uma conversa de verdade, e não um monólogo.”

Alckmin também destacou a relação histórica entre os dois países: “Temos 200 anos de laços comerciais com os EUA. Não faz sentido essa punição ao Brasil. É uma injustiça sem justificativa econômica ou tarifária.”

Missão diplomática com senadores

Além das conversas técnicas, o governo brasileiro prepara uma ofensiva diplomática. O vice-presidente se reuniu com senadores que viajarão aos Estados Unidos na próxima semana, liderados por Nelsinho Trad (PSD-MS). A missão pretende dialogar com empresários americanos e parlamentares do Congresso norte-americano para explicar os impactos da medida.

“A agenda será finalizada até o fim da semana. Vamos conversar com americanos que investem no Brasil, com brasileiros que têm negócios nos EUA e com senadores norte-americanos”, detalhou Trad.

Lula critica Trump: “Se estiver trucando, vai tomar um seis”

Enquanto Alckmin adota um tom técnico e paciente, Lula partiu para a ironia. Em entrevista nesta quinta-feira, o presidente disse que Donald Trump não quer diálogo e preferiu agir unilateralmente. “Se ele está trucando, vai tomar um seis”, brincou, fazendo alusão ao jogo de cartas.

Lula também lamentou que Trump se negue a abrir um canal direto de conversa: “Já falei com Clinton, Obama, Biden, Putin, Xi Jinping, Sheinbaum… Só ele que não quer conversar.”

Entenda o conflito

No dia 9 de julho, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto. Segundo ele, a medida responde a supostos ataques brasileiros contra a liberdade de expressão de empresas norte-americanas e à maneira como o país tem tratado Jair Bolsonaro.

Para o ex-presidente dos EUA, os processos enfrentados por Bolsonaro no STF seriam uma “caça às bruxas” política que precisa acabar.

Enquanto isso, o governo Lula corre contra o tempo para tentar barrar a medida — apostando no diálogo, no pragmatismo e no peso da diplomacia brasileira no cenário internacional.

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