Lula vota em São Bernardo e diz que Brasil não avança com armas, milicianos e “orgia” em torno do Banco Master

Lula vota em São Bernardo e diz que Brasil não avança com armas, milicianos e “orgia” em torno do Banco Master

Presidente e candidato à reeleição votou no ABC Paulista ao lado de Geraldo Alckmin e aliados; após a votação, atacou adversários, citou o Banco Master, defendeu mudanças no STF e afirmou estar confiante na vitória

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou na manhã deste domingo (4), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde mantém seu domicílio eleitoral e construiu parte importante de sua trajetória política. Lula chegou por volta das 9h à Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, no bairro Assunção, e registrou seu voto às 9h15.

O candidato à reeleição estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e do ex-governador paulista Márcio França (PSB). Outras reportagens também registraram a presença de Janja Lula da Silva e, em determinados momentos da agenda, do ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Depois de votar, Lula conversou com jornalistas e aproveitou a ocasião para apresentar sua leitura sobre o que estava em disputa na eleição.

“O Brasil não vai para frente”

A fala mais contundente do presidente foi direcionada à segurança pública, à circulação de armas e ao debate sobre milícias.

Lula afirmou:

“O Brasil não irá para a frente facilitando a venda de armas, o Brasil irá para a frente facilitando a distribuição de livros didáticos nas escolas.”

Na sequência, ampliou o ataque político:

“O Brasil não irá para a frente com miliciano, o Brasil não irá para a frente com essa orgia que se faz em torno da quadrilha do Banco Master.”

E concluiu defendendo aquilo que considera necessário para o país:

“O Brasil vai para a frente com seriedade, com comportamento de caráter e de dignidade dos seus governantes.”

A declaração colocou o Banco Master no centro do discurso eleitoral de Lula neste domingo. É importante, entretanto, separar a retórica política das conclusões de investigações: as acusações e apurações relacionadas ao banco precisam ser analisadas pelas autoridades responsáveis, e referências a uma “quadrilha” feitas pelo candidato constituem uma caracterização política, não uma condenação judicial de todas as pessoas eventualmente mencionadas.

Lula fala em “democracia ou barbárie”

Em outro momento, o presidente afirmou que a eleição representaria uma escolha entre projetos diferentes para o país.

“O que está em jogo é definição de um projeto de Brasil. O povo vai ter que escolher entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie, entre o desenvolvimento e o atraso”, declarou.

A declaração foi interpretada como uma crítica indireta aos adversários da campanha, especialmente ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa presidencial segundo as pesquisas divulgadas às vésperas da votação.

Lula, contudo, afirmou que respeitaria a decisão das urnas.

“O povo é soberano e o resultado do povo será acatado por todos os 215 milhões de brasileiros”, disse.

Confiança na vitória

O presidente também demonstrou confiança em seu desempenho eleitoral.

Lula classificou o domingo como um “dia glorioso para o Brasil” e afirmou estar confiante não apenas pelo trabalho realizado durante o governo, mas também pela campanha.

Segundo ele, o resultado deveria ser compreendido como uma decisão sobre o futuro do país e das próximas gerações.

Antes da votação, pesquisas apontavam uma disputa apertada. O Datafolha divulgado na véspera registrava Lula com 45% dos votos válidos contra 42% de Flávio Bolsonaro, enquanto a Quaest apontava 46% para Lula e 45% para Flávio, ambos dentro da margem de erro.

Esses números, porém, eram pesquisas — não resultado eleitoral.

A decisão efetiva estava nas urnas.

Lula volta a falar sobre o STF

Outro tema importante da entrevista foi o Supremo Tribunal Federal.

Lula afirmou que pretende discutir uma mudança nos critérios de escolha dos ministros da Corte e defendeu a possibilidade de estabelecer mandatos para integrantes do STF.

“Eu quero definir tempo de mandato de ministros da Suprema Corte”, afirmou.

Também defendeu a criação de um conselho para discutir futuras indicações e disse considerar necessária uma presença maior de mulheres no Supremo.

A declaração ganhou relevância porque Lula teve uma indicação recente para o STF rejeitada pelo Senado: o nome do então advogado-geral da União, Jorge Messias, não obteve aprovação dos senadores.

O presidente afirmou ainda que considera incompatível com a função de ministro do Supremo que alguém tenha como objetivo enriquecer.

Educação contra armas

Ao construir sua comparação entre armas e livros didáticos, Lula tentou apresentar uma síntese da visão de seu governo para o país.

De um lado, colocou a facilitação do acesso às armas.

De outro, a distribuição de livros e investimentos em educação.

A frase rapidamente se transformou em um dos principais trechos da entrevista porque foi acompanhada de críticas a milicianos e ao caso Banco Master.

O discurso, portanto, teve uma combinação de temas: segurança pública, educação, corrupção, instituições e eleição presidencial.

Quem estava ao lado de Lula

A presença de aliados importantes chamou atenção.

Geraldo Alckmin, candidato a vice na chapa presidencial, acompanhou Lula durante a votação.

Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, também esteve no local.

As candidatas ao Senado Simone Tebet e Marina Silva participaram da comitiva, assim como Márcio França.

Janja Lula da Silva também acompanhou o presidente na chegada ao local de votação, segundo a cobertura do Metrópoles.

O grupo permaneceu pouco tempo no colégio eleitoral.

A segurança foi reforçada, e jornalistas que acompanharam a votação passaram por detectores de metais. Eleitores e profissionais de imprensa começaram a se concentrar nas proximidades desde aproximadamente 7h30.

O significado político de São Bernardo

A escolha de São Bernardo do Campo para votar possui forte significado na trajetória de Lula.

Foi na região do ABC Paulista que ele construiu sua carreira sindical e ganhou projeção nacional antes de chegar à Presidência da República.

Ao voltar ao local de votação em uma eleição presidencial, Lula também retorna simbolicamente ao ponto de origem de sua trajetória política.

Mas o cenário eleitoral de 2026 é diferente daquele de décadas atrás.

A cidade e o estado de São Paulo passaram a ser importantes territórios de disputa entre os principais grupos políticos.

O próprio Metrópoles lembrou que, no segundo turno de 2022, Lula perdeu a disputa em São Paulo para Jair Bolsonaro.

Um discurso de campanha até o último momento

Mesmo diante da formalidade do momento de votação, Lula utilizou a entrevista para reforçar mensagens que marcaram sua campanha.

Falou em democracia.

Falou em desenvolvimento.

Atacou milicianos.

Criticou a venda de armas.

Mencionou o Banco Master.

Defendeu educação.

Criticou adversários.

E reafirmou confiança na vitória.

O presidente também fez um apelo aos eleitores com mais de 70 anos, lembrando que o voto é facultativo para essa parcela da população, mas defendendo que essas pessoas participassem da eleição pensando nos filhos, netos e nas futuras gerações.

O vídeo da votação

Título sugerido para o vídeo:
“Lula vota em São Bernardo e dispara: ‘Brasil não vai para frente com miliciano’”

Trechos para ouvir:

“O Brasil não irá para a frente facilitando a venda de armas.”

“O Brasil irá para a frente facilitando a distribuição de livros didáticos nas escolas.”

“O Brasil não irá para a frente com miliciano.”

“O Brasil não vai para a frente com essa orgia que se faz em torno da quadrilha do Banco Master.”

“O Brasil vai para a frente com seriedade, com comportamento de caráter e de dignidade dos seus governantes.”

O conjunto das declarações mostra que Lula deixou o local de votação mantendo o tom político da campanha até o último momento antes da apuração.

Agora, depois do voto, não são mais os discursos de Lula, Flávio Bolsonaro ou dos demais candidatos que definem o resultado.

São os eleitores.

E a frase de Lula — “o povo é soberano” — resume justamente essa etapa: depois de meses de ataques, promessas, pesquisas e disputas políticas, a decisão passa para as urnas.

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