
Kim Kataguiri aposta o próprio mandato e promete renunciar se Renan Santos atingir 3% na eleição
Deputado federal e candidato à reeleição fez a promessa durante o encerramento da campanha de Renan Santos, na Liberdade, em São Paulo, e desafiou Datafolha e Quaest
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) decidiu colocar o próprio mandato em jogo na reta final da eleição presidencial de 2026. Durante o ato de encerramento da campanha de Renan Santos (Missão), realizado no sábado (3), na região da Liberdade, em São Paulo, Kataguiri afirmou que renunciaria ao mandato caso o candidato de seu partido alcançasse 3% dos votos na eleição presidencial.
A declaração foi feita diante de apoiadores durante a caminhada que marcou o encerramento da campanha de Renan, que percorreu a região central da capital paulista, passando pela Praça da Liberdade até o Largo São Francisco.
Em tom de desafio aos institutos de pesquisa, Kim colocou a promessa diretamente na conta dos levantamentos que, naquele momento, apontavam Renan justamente na marca de 3%.
“Vou lançar um desafio para o Datafolha e para a Quaest: se domingo a gente tiver 3%, eu renuncio meu mandato na frente da Folha.”
A fala rapidamente ganhou repercussão porque foi feita às vésperas da votação e porque os dois institutos mencionados pelo deputado haviam divulgado pesquisas com Renan exatamente nesse patamar.
O vídeo e a aposta pública
O episódio foi registrado em vídeo durante o ato de encerramento da campanha. A fala de Kim ocorreu diante dos apoiadores de Renan Santos e foi utilizada como uma espécie de aposta pública sobre o desempenho eleitoral do candidato do Missão.
O deputado não fez apenas uma crítica genérica às pesquisas. Ele citou nominalmente Datafolha e Quaest e vinculou sua própria permanência no mandato ao desempenho de Renan.
A declaração, portanto, ganhou uma dimensão incomum: um parlamentar em exercício decidiu transformar uma divergência sobre pesquisas eleitorais em um compromisso político pessoal.
O trecho central do vídeo é:
“Se domingo a gente tiver 3%, eu renuncio meu mandato na frente da Folha.”
É justamente essa frase que concentra a controvérsia.
O detalhe dos 3%
No Datafolha divulgado em 3 de outubro, Renan Santos aparecia com 3% dos votos válidos. O mesmo percentual foi registrado pela Quaest.
No Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 45% dos votos válidos; Flávio Bolsonaro (PL) tinha 42%; Ronaldo Caiado (PSD), 4%; enquanto Renan Santos e Augusto Cury (Avante) apareciam com 3% cada. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
Na Quaest, Lula registrava 46%, Flávio Bolsonaro, 45%, enquanto Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury apareciam com 3% cada, também dentro de uma margem de erro de dois pontos percentuais.
Ou seja: no momento em que Kim fez sua declaração, os dois levantamentos que ele desafiava colocavam Renan exatamente nos 3% mencionados por ele.
Uma promessa que depende da interpretação da própria frase
Há uma particularidade importante na repercussão.
A declaração reproduzida pelos veículos diz literalmente que Kim renunciaria “se domingo a gente tiver 3%”.
Algumas manchetes resumiram o episódio como uma promessa de renunciar caso Renan tivesse menos de 3%; outras destacaram que a renúncia ocorreria caso ele ficasse com 3%.
A diferença não é pequena.
Pela frase registrada no vídeo, o número mencionado pelo próprio Kim é 3%. Portanto, o resultado oficial da votação será fundamental para determinar como ele próprio interpretará o compromisso assumido publicamente.
Kim é um dos principais aliados de Renan Santos
A promessa não surgiu de uma manifestação distante da campanha.
Kim Kataguiri participou diretamente da campanha presidencial de Renan Santos e é um dos principais aliados do candidato do Missão.
Os dois encerraram juntos a campanha em São Paulo, com uma caminhada pela região central da cidade.
Renan Santos, de 42 anos, é candidato à Presidência pelo Missão, partido ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). Ele disputa sua primeira eleição presidencial e tem o coronel Medina, também do Missão, como candidato a vice-presidente.
A candidatura de Renan foi construída como alternativa aos principais grupos políticos que dominam a disputa presidencial, com críticas tanto ao campo de esquerda quanto à direita tradicional.
Renan questiona as pesquisas presenciais
A aposta de Kim também está relacionada à divergência entre diferentes pesquisas eleitorais.
Renan Santos vinha questionando os resultados de levantamentos presenciais, argumentando que os números divulgados por alguns institutos não correspondiam ao que sua campanha dizia observar nas ruas.
O candidato dava maior importância a levantamentos digitais, especialmente à AtlasIntel, que havia registrado 5,2% para Renan em pesquisa divulgada em 29 de setembro.
Já uma pesquisa Palver, divulgada em 3 de outubro, indicava 7% para o candidato.
O Datafolha e a Quaest, por outro lado, apresentaram Renan com 3%.
A diferença entre os resultados está relacionada também às metodologias utilizadas. A AtlasIntel trabalha com recrutamento digital aleatório, enquanto o Datafolha realiza entrevistas presenciais em pontos de fluxo e a Quaest faz entrevistas presenciais domiciliares.
Assim, a eleição acabou produzindo uma disputa paralela: além da disputa entre candidatos, havia uma discussão sobre qual metodologia conseguiria retratar melhor o eleitorado.
Kim transforma a divergência em desafio
Foi nesse ambiente que Kataguiri fez sua declaração.
Ao citar Datafolha e Quaest, o deputado deixou claro que não concordava com a leitura daqueles levantamentos sobre o desempenho de Renan.
A promessa de renúncia funciona, nesse contexto, como uma aposta política de grande visibilidade.
Em vez de apenas dizer que as pesquisas poderiam estar erradas, Kim colocou uma consequência pessoal na discussão:
se o número indicado pelos institutos se confirmar nas urnas, ele afirma que deixará o mandato.
É uma maneira bastante incomum de transformar uma divergência metodológica em um compromisso público.
A disputa presidencial chega ao dia da votação
O episódio ocorreu na véspera do primeiro turno, quando os principais candidatos concentravam seus últimos esforços.
Na pesquisa Datafolha divulgada no sábado, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro com 42% e Ronaldo Caiado com 4%. Renan Santos e Augusto Cury tinham 3% cada.
Na Quaest, Lula aparecia com 46%, Flávio com 45%, enquanto Renan, Caiado e Augusto Cury tinham 3%.
Com a votação marcada para domingo (4), a diferença entre as pesquisas e o resultado das urnas passou a ser um dos pontos de maior atenção para a campanha de Renan e seus aliados.
Kim também atacou os principais candidatos
Durante o ato de encerramento, Kim fez críticas aos principais candidatos da disputa presidencial.
Segundo relatos do evento, o deputado afirmou que a campanha do Missão seria uma alternativa aos grupos políticos tradicionais e criticou tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
Renan também adotou um discurso de forte oposição à esquerda e à direita tradicional, apresentando sua candidatura como uma alternativa política.
O ato terminou com uma caminhada pela região central de São Paulo e marcou a última mobilização pública da campanha antes da abertura das urnas.
Uma aposta política que agora pertence às urnas
A declaração de Kim Kataguiri transformou uma pesquisa eleitoral em uma aposta pessoal.
O deputado não apenas defendeu que Renan poderia alcançar um determinado percentual: ele afirmou publicamente que colocaria o próprio mandato em jogo.
A frase foi clara:
“Se domingo a gente tiver 3%, eu renuncio meu mandato na frente da Folha.”
Agora, o resultado oficial da eleição é que definirá o desfecho dessa promessa.
Se Renan Santos atingir o percentual mencionado por Kim, ficará a expectativa sobre o cumprimento do compromisso anunciado diante dos apoiadores.
Se ficar abaixo, também haverá cobrança, especialmente porque o próprio deputado vinculou sua declaração aos resultados das pesquisas que questionava.
No fim, a ironia política do episódio está justamente aí: Kim Kataguiri passou os últimos dias contestando os institutos de pesquisa e terminou a campanha colocando o próprio mandato como garantia da aposta.
Agora não é mais Datafolha, Quaest, AtlasIntel ou qualquer outro instituto que terá a última palavra.
É a urna.