
Bate-boca e empurrões marcam sessão da CPI do INSS em Brasília
Discussão envolvendo aliados de Lula e da oposição quase termina em briga durante depoimento do ex-ministro Carlos Lupi
A sessão da CPI do INSS nesta segunda-feira (8) acabou virando palco de tumulto. O clima esquentou durante o depoimento do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), e deputados precisaram ser contidos para que a reunião não terminasse em agressão física.
A confusão começou quando o deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS) questionava Lupi sobre nomeações na pasta e sobre a cronologia das fraudes no INSS. O ex-ministro preferiu não responder. Isso gerou uma discussão sobre o direito de permanecer em silêncio, até que o líder governista na CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), interrompeu a fala do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-RS).
— O senhor não é presidente dessa CPI e não manda aqui — disparou Viana.
A partir daí, o bate-boca escalou. Rogério Carvalho (PT-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) trocaram ofensas. Carvalho chegou a se levantar e caminhar na direção do adversário, sendo contido por colegas. O petista acusou o deputado do PL de estar “alterado” por causa do julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para esta terça-feira.
— Se controla que Bolsonaro vai ser preso na sexta, se acalma. Você foi vaiado em Minas Gerais — dizia Carvalho, repetidamente.
Sóstenes reagiu pedindo respeito, e outro parlamentar, Maurício Marcon (Podemos-RS), também se envolveu na confusão, sendo igualmente afastado pelos colegas.
Enquanto isso, Carlos Lupi tentava responder aos questionamentos da comissão. Ele afirmou que o governo já acompanhava denúncias sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões desde 2023, mas que a real dimensão da fraude só foi revelada com a investigação da Polícia Federal.
— Não temos o poder da adivinhação. Foi só com a investigação da PF que percebemos a extensão do esquema — disse o ex-ministro.
O depoimento de Lupi é considerado estratégico pelo governo, já que o pedetista comandava a pasta no período em que as irregularidades se multiplicaram. Conhecido pelo estilo direto, ele rejeitou treinar respostas antes da sessão, o que gerou apreensão entre aliados de Lula.