Master: Toffoli impõe “prisão domiciliar improvisada” a Vorcaro em Brasília

Master: Toffoli impõe “prisão domiciliar improvisada” a Vorcaro em Brasília

Decisão do ministro gera revolta nos bastidores e escancara tratamento confuso, arbitrário e sem razoabilidade

O caso do Banco Master ganhou mais um capítulo que deixou advogados, investigadores e observadores de Brasília de queixo caído. Após prestar depoimento e participar de uma longa acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro acabou submetido a uma situação digna de improviso judicial — tudo por decisão direta do ministro Dias Toffoli.

Vorcaro, peça central nas investigações da fraude bilionária envolvendo o banco, viajou a Brasília em voo comercial, escoltado pela Polícia Federal. O problema começou quando os depoimentos se estenderam até depois das 21h30. Sem voo direto para São Paulo naquela noite, a defesa pediu autorização para que ele retornasse em um jato fretado pelo próprio advogado. Pedido simples, lógico e plenamente justificável.

Mas aí entrou Toffoli — e entrou travando tudo.

Mesmo sem qualquer risco concreto apontado, o ministro vetou o retorno do investigado em aeronave privada. Resultado: Vorcaro foi obrigado a passar a noite em Brasília, sob escolta da PF, em uma mansão no Lago Sul. No dia seguinte, voltou para São Paulo em voo comercial, como se aquela noite tivesse servido de castigo exemplar.

Nos bastidores, a avaliação foi unânime: criou-se uma espécie de “prisão domiciliar relâmpago”, sem decisão formal, sem fundamentação clara e sem necessidade prática. Um constrangimento que mais pareceu demonstração de poder do que aplicação equilibrada da lei.

Vale lembrar que Vorcaro já cumpre medidas cautelares impostas pelo TRF-1: usa tornozeleira eletrônica, teve o passaporte retido e só pode sair de São Paulo com autorização judicial. Mesmo assim, Toffoli fez questão de endurecer — sem explicar por quê.

O episódio reforça críticas antigas à condução do ministro no caso. Durante o depoimento, Toffoli tentou emplacar 82 perguntas preparadas por seu gabinete, o que gerou atrito com a delegada da Polícia Federal responsável pela audiência. Ela só aceitou fazer os questionamentos depois que ficou registrado em ata que as perguntas não eram da PF, mas do próprio relator.

Para piorar, a defesa ainda tentou flexibilizar as cautelares durante o depoimento — tudo negado. Até o pedido para aliviar temporariamente as restrições foi descartado sem muita conversa.

Outro ponto sensível foi a recusa de Vorcaro em fornecer a senha do celular apreendido no momento de sua prisão. O aparelho, segundo relatos, contém contatos e documentos que deixam muita gente poderosa de Brasília com a pulga atrás da orelha. Entre eles, contratos milionários e relações políticas que seguem convenientemente fora do foco principal das investigações.

O que fica, no fim das contas, é um clima de desconforto e desconfiança. A atuação de Toffoli, longe de transmitir segurança jurídica, alimenta a percepção de seletividade, excesso e decisões tomadas no grito — ou no improviso.

Em bom cearês: virou foi um aperreio mal explicado, que mais confunde do que esclarece, e que só reforça a sensação de que, no Supremo, a régua nem sempre mede igual pra todo mundo.

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