Michelle Bolsonaro é condenada por uso indevido de imagem de Leila Diniz

Michelle Bolsonaro é condenada por uso indevido de imagem de Leila Diniz

Justiça do Rio determina pagamento de R$ 30 mil, exclusão da foto e retratação pública após uso político não autorizado da atriz ícone da liberdade

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o PL Mulher, braço feminino do seu partido, foram condenados pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar uma indenização de R$ 30 mil por utilizarem, sem permissão, uma imagem da atriz Leila Diniz em uma publicação comemorativa ao voto feminino.

A foto usada na montagem — feita para homenagear a data — retratava Leila em uma manifestação de 13 de fevereiro de 1968, durante um protesto contra a censura da ditadura militar, algo totalmente oposto à mensagem política do post.

A ação foi movida por Janaína Diniz Guerra, filha da atriz, que se disse profundamente ofendida com a apropriação. “O uso político, não autorizado, da imagem de minha mãe, como se ela apoiasse a pré-campanha de Michelle Bolsonaro, fere profundamente tudo o que Leila representou”, afirmou Janaína.

A juíza responsável pela decisão reforçou que quem publica nas redes sociais responde pelo conteúdo, mesmo que alegue desconhecimento ou ausência de má-fé. “Ainda que os réus digam que não houve intenção de causar danos, existe sim responsabilidade sobre o que se compartilha”, escreveu na sentença.

Além do valor da indenização, a Justiça determinou que Michelle e o PL Mulher retirem a imagem do ar e publiquem, em até 48 horas, uma retratação pública, esclarecendo que:

Leila Diniz nunca apoiou a ditadura militar e que a fotografia usada foi tirada durante um protesto contra o regime e a censura”.

O caso reacende o debate sobre o uso político indevido de imagens históricas e a tentativa de vincular nomes progressistas a causas conservadoras — algo que não apenas distorce os fatos, mas também desrespeita a memória de quem lutou pela liberdade em tempos sombrios.

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