
Trump anuncia acordo para desarmamento do Hamas e prevê retirada das forças israelenses de Gaza
Plano mediado pelos Estados Unidos estabelece entrega de armas a comitê palestino, transição administrativa do território e criação de nova estrutura de segurança; Hamas confirma participação nas negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo considerado histórico para o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza, em mais um capítulo das negociações internacionais destinadas a encerrar o conflito entre o grupo palestino e Israel.
Segundo Trump, o plano prevê que, à medida que o processo de entrega de armas avance, as forças israelenses deverão iniciar uma retirada gradual do território palestino.
“O acordo será implementado em fases. À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão”, afirmou o presidente americano em publicação nas redes sociais.
O anúncio representa uma tentativa de estabelecer uma nova fase para Gaza após anos de confrontos e uma guerra iniciada depois do ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
Hamas confirma acordo e prevê entrega de armas
O Hamas confirmou que aceitou participar do plano e afirmou que suas armas serão entregues a um comitê formado por representantes palestinos.
O grupo, que governava a Faixa de Gaza desde 2007, deverá transferir o controle administrativo do território para uma nova estrutura de governo supervisionada por organismos internacionais.
De acordo com o plano, o armamento não seria entregue diretamente a Israel, mas colocado sob responsabilidade de um comitê palestino criado para administrar o período de transição.
Uma reunião prevista para os próximos dias, no Egito, deverá discutir os detalhes da segunda fase do acordo, incluindo os mecanismos de implementação, fiscalização e segurança.
Fim do controle político do Hamas em Gaza
O acordo prevê uma mudança profunda na estrutura política da Faixa de Gaza.
Desde 2007, o Hamas exercia o controle administrativo e militar do território após vencer eleições legislativas palestinas e posteriormente assumir o governo local após conflitos internos com o movimento Fatah.
Durante quase duas décadas, o grupo manteve uma estrutura própria de segurança, serviços públicos e forças armadas, tornando-se o principal poder político de Gaza.
Com o novo plano, a administração do território deverá passar para um comitê palestino supervisionado pelo Conselho da Paz, órgão criado pelo governo Trump no início de 2026 para acompanhar negociações e processos de estabilização internacional.
Retirada israelense condicionada ao desarmamento
Um dos principais pontos do acordo é a relação entre o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.
Segundo Trump, a saída das forças israelenses ocorrerá de forma progressiva conforme forem cumpridas as etapas previstas no plano.
Israel, por sua vez, há anos afirma que a eliminação da capacidade militar do Hamas é uma condição essencial para qualquer solução de longo prazo.
O governo israelense argumenta que a permanência de estruturas armadas do grupo representaria uma ameaça permanente à segurança do país.
Plano inclui nova administração e segurança internacional
Além da entrega das armas, o acordo prevê a criação de uma nova estrutura administrativa para Gaza.
Entre as medidas previstas estão:
- transferência da gestão civil para um comitê palestino tecnocrático;
- reorganização dos serviços públicos;
- reconstrução da infraestrutura destruída pela guerra;
- criação de mecanismos internacionais de fiscalização;
- estabelecimento de uma nova estrutura de segurança para o território.
A expectativa é que países mediadores participem do processo para garantir o cumprimento das etapas e evitar o retorno de confrontos.
Guerra entre Israel e Hamas marcou nova fase do conflito
O conflito atual começou após o ataque realizado pelo Hamas contra Israel em outubro de 2023, quando milhares de combatentes invadiram áreas israelenses próximas à Faixa de Gaza.
O ataque provocou mortes, sequestros e uma resposta militar israelense de grande escala no território palestino.
Desde então, Gaza passou por uma intensa destruição, com milhares de mortos, deslocamento em massa da população e uma grave crise humanitária envolvendo falta de alimentos, medicamentos e infraestrutura básica.
As negociações internacionais buscaram diversas vezes estabelecer cessar-fogos, mas os acordos anteriores enfrentaram dificuldades para serem mantidos.
Desafios para implementação do acordo
Apesar do anúncio de Trump, especialistas apontam que a execução do plano enfrenta grandes desafios.
O principal deles é garantir que o Hamas realmente entregue sua capacidade militar e aceite perder o controle armado sobre Gaza.
Outro ponto de dificuldade envolve a confiança entre israelenses e palestinos após anos de guerra e confrontos.
Também será necessário definir quem terá autoridade política sobre o território, como será financiada a reconstrução e qual será o papel dos diferentes países envolvidos na supervisão do processo.
Egito recebe negociações sobre próxima etapa
O Egito deverá sediar uma nova rodada de negociações para definir os detalhes da segunda fase do acordo.
O país tem papel estratégico nas negociações por fazer fronteira com Gaza e historicamente atuar como mediador entre Israel e grupos palestinos.
Além do Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia também participam dos esforços diplomáticos para transformar o anúncio político em um acordo efetivamente aplicado.
Um possível marco para o futuro de Gaza
Caso seja implementado, o acordo poderá representar uma das maiores mudanças políticas na Faixa de Gaza desde que o Hamas assumiu o controle do território.
O desarmamento do grupo, a retirada gradual das forças israelenses e a criação de uma nova administração palestina podem abrir caminho para uma fase de reconstrução.
No entanto, o sucesso do plano dependerá da capacidade dos envolvidos de cumprir compromissos, superar divergências históricas e manter um processo de transição capaz de evitar o retorno da violência.