
Michelle rebate Janja e chama Nikolas de “piá do nosso coração”: “Continue firme e corajoso”
Em seu último ato de campanha antes da eleição, Michelle Bolsonaro saiu em defesa de Nikolas Ferreira e transformou a expressão usada por Janja em uma declaração de apoio ao deputado mineiro
A reta final da campanha eleitoral de 2026 ganhou mais um capítulo na troca de provocações entre integrantes da direita e do grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último dia de campanha antes da votação, a então candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) decidiu sair publicamente em defesa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Durante a Motociata da Liberdade, realizada em Brasília no sábado, 3 de outubro, Michelle mandou um recado direto ao parlamentar e utilizou justamente a palavra que havia sido empregada contra ele pela primeira-dama Janja da Silva.
Mas, em vez de repetir a expressão ofensiva, Michelle transformou o termo em elogio:
“O nosso piá. O piá do nosso coração.”
A declaração ocorreu depois de Janja ter chamado Nikolas de “piá de bosta” durante atos de campanha de Lula. Dias depois, a primeira-dama voltou a utilizar a expressão e também chamou o deputado de “piá mentiroso”.
Michelle decidiu responder de outra maneira: exaltando o deputado, destacando sua atuação política e afirmando que ele deveria continuar firme.
“Piá do nosso coração”
Ao falar diretamente com Nikolas, Michelle afirmou:
“Passando aqui para mandar um recado especial para um grande líder chamado Nikolas Ferreira, esse jovem forte, aguerrido, o nosso piá. O piá do nosso coração.”
Na sequência, destacou a influência do deputado entre os jovens e acrescentou:
“Esse piá que tem revolucionado a juventude do nosso Brasil. Nikolas, você é amado, nós amamos a sua vida, continue firme e corajoso.”
A escolha das palavras não foi casual. Michelle recuperou o termo usado por Janja e deu a ele outro significado dentro do discurso político.
O que havia sido utilizado como ofensa acabou sendo transformado em uma demonstração pública de apoio.
A origem da briga entre Janja e Nikolas
A troca de ataques começou depois de uma declaração de Lula durante um comício em Belém, no Pará.
O presidente falava sobre a resistência de homens aos exames preventivos relacionados ao câncer de próstata e fez uma comparação com exames ginecológicos realizados por mulheres.
Nikolas Ferreira publicou críticas à declaração e acusou o presidente de ter utilizado uma formulação inadequada. A equipe de Lula, por sua vez, afirmou que o deputado havia retirado a fala do contexto e explorado politicamente o episódio. A campanha petista chegou a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para questionar publicações relacionadas ao caso.
Lula chamou Nikolas de “canalha”.
O deputado respondeu afirmando que “canalha” seria quem, segundo sua crítica política, não assumisse o que havia dito. Em seguida, Janja entrou diretamente na discussão e chamou Nikolas de “piá de bosta”.
O episódio passou a fazer parte da campanha presidencial e também da disputa política nas redes sociais.
Michelle decidiu comprar a briga — mas com elogios
A manifestação de Michelle ocorreu justamente quando a campanha chegava ao fim.
Em vez de ampliar o confronto com novos ataques, ela preferiu apresentar Nikolas como uma liderança jovem da direita e destacar sua capacidade de mobilização.
A ex-primeira-dama chamou o parlamentar de “grande líder”, “jovem forte” e “aguerrido”, além de afirmar que ele vinha mobilizando a juventude brasileira.
A mensagem também ganhou peso porque Michelle estava encerrando uma campanha que terminaria, no dia seguinte, com uma vitória expressiva nas urnas.
E as urnas deram a resposta
No domingo, 4 de outubro, Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal.
Ela recebeu 29,05% dos votos válidos, cerca de 938 mil votos, e tornou-se a candidata ao Senado mais votada da história do Distrito Federal, superando a marca anterior de Cristovam Buarque, que havia recebido 833.480 votos em 2010.
A segunda vaga ficou com Bia Kicis (PL), que recebeu 27,44% dos votos válidos.
Com isso, as duas cadeiras em disputa no Senado pelo Distrito Federal ficaram com o Partido Liberal.
O Senado também destacou outro fato histórico: pela primeira vez, o Distrito Federal terá uma bancada totalmente feminina no Senado, formada por Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves, que já possui mandato até 2031.
Nikolas também respondeu nas urnas
A declaração de Michelle ganhou um significado ainda maior porque Nikolas Ferreira também teve uma votação histórica.
O deputado foi reeleito em Minas Gerais com 3.119.318 votos, tornando-se o deputado federal mais votado do Brasil em 2026. O resultado superou com larga margem os 1.492.047 votos que ele havia recebido em 2022.
Depois da apuração, Nikolas publicou uma resposta à provocação de Janja:
“Nunca, nunca subestime um piá.”
A frase passou a ser associada diretamente ao resultado eleitoral do parlamentar.
A ironia política do episódio está justamente aí: poucos dias depois de ser chamado de “piá de bosta”, Nikolas apareceu nas urnas como o deputado federal mais votado do país.
Uma votação que mudou o tamanho de Nikolas
Os 3,1 milhões de votos não representam apenas uma reeleição.
Nikolas praticamente dobrou sua votação anterior e estabeleceu uma marca nacional.
O resultado demonstra a força eleitoral que o deputado construiu em Minas Gerais e sua capacidade de mobilização fora do ambiente exclusivamente digital.
Michelle, portanto, não estava apenas defendendo um aliado político durante a campanha. Estava defendendo um parlamentar que acabaria de receber uma das maiores votações individuais já registradas para a Câmara dos Deputados.
O encontro de duas grandes votações
O episódio envolvendo Michelle e Nikolas ganhou uma espécie de capítulo final depois das urnas.
Michelle terminou eleita senadora pelo Distrito Federal com uma votação histórica.
Nikolas terminou como deputado federal mais votado do Brasil.
Ambos pertencem ao PL e participaram da campanha de apoio a Flávio Bolsonaro, que avançou para o segundo turno da eleição presidencial.
No caso de Michelle, a eleição também marca sua entrada formal na política eleitoral. Embora tenha ocupado posição de grande visibilidade como primeira-dama e posteriormente presidido o PL Mulher, essa foi sua primeira candidatura a um cargo eletivo.
O significado político do “piá”
A palavra que começou como uma provocação terminou sendo incorporada ao discurso de apoio de Michelle.
De um lado, Janja utilizou “piá de bosta” para atacar Nikolas.
De outro, Michelle respondeu chamando-o de “piá do nosso coração”.
E, depois, o próprio Nikolas transformou a expressão em resposta eleitoral:
“Nunca subestime um piá.”
Independentemente das preferências políticas de cada eleitor, o episódio mostra como uma frase de campanha pode ganhar vida própria e ser reutilizada pelos adversários como instrumento de comunicação política.
Michelle: do palanque ao Senado
A fala de Michelle aconteceu horas antes de ela encerrar uma campanha que terminou com sua eleição.
Sua trajetória política ganhou força depois que passou a presidir o PL Mulher e percorreu diferentes estados articulando candidaturas femininas do partido. Como primeira-dama, também ficou conhecida por ações relacionadas à inclusão de pessoas com deficiência, Libras, voluntariado e assistência social.
Agora, a partir de 2027, Michelle terá um mandato de oito anos no Senado.
E chegará à Casa justamente ao lado de Bia Kicis, enquanto Damares Alves completa a bancada feminina do Distrito Federal.
Um capítulo que terminou nas urnas
O último ato da campanha de Michelle acabou servindo como palco para uma das últimas manifestações públicas de apoio a Nikolas antes da eleição.
Ela escolheu defender o deputado e transformar uma expressão usada contra ele em uma demonstração de carinho:
“Piá do nosso coração.”
No dia seguinte, os dois tiveram resultados expressivos.
Michelle foi eleita senadora.
Nikolas foi o deputado federal mais votado do Brasil.
E a frase que havia sido utilizada como provocação terminou incorporada ao vocabulário político dos dois lados da disputa.
No fim, a política ficou com a ironia do episódio — mas as urnas ficaram com os números.
Michelle no Senado. Nikolas recordista nacional de votos para a Câmara.
E o “piá”, agora, começa um novo mandato federal com 3.119.318 votos recebidos nas urnas.