Milton Leite se entrega à polícia após operação contra o PCC; investigação apura suspeitas de infiltração no transporte público de São Paulo

Milton Leite se entrega à polícia após operação contra o PCC; investigação apura suspeitas de infiltração no transporte público de São Paulo

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), apresentou-se em Mogi das Cruzes após ter a prisão temporária decretada na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura suspeitas de ligação com empresas de ônibus, lavagem de dinheiro e possível articulação política em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC). O ex-vereador nega as acusações e afirma ser inocente.

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, do União Brasil, entregou-se à polícia na tarde de sexta-feira, 18 de setembro de 2026, na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo.

A apresentação ocorreu um dia após a deflagração da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

Leite era alvo de um mandado de prisão temporária e havia sido considerado foragido após não ser localizado pelas autoridades em uma primeira tentativa de cumprimento da ordem judicial. Ele compareceu à delegacia acompanhado de seu advogado, Aloísio Lacerda Medeiros, e negou envolvimento com o crime organizado.

Em manifestação divulgada por sua defesa, o ex-parlamentar afirmou que não cometeu crime e que nada deve à Justiça. Seu advogado declarou que Milton estava tranquilo e que a defesa ainda precisava ter acesso integral aos elementos da investigação para avaliar as medidas jurídicas cabíveis.

Operação Vectura Corrupta: 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão

A operação foi deflagrada na quinta-feira, 17 de setembro, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A Justiça autorizou 16 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraude em licitações, infiltração do crime organizado em empresas de transporte e possível financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

Segundo as informações divulgadas, Milton Leite é suspeito de exercer influência sobre empresas de ônibus investigadas e de atuar como articulador político de decisões estratégicas relacionadas ao setor.

O delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, afirmou que a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos revelou indícios de possível infiltração do PCC em empresas de transporte público.

A operação é um desdobramento de investigações anteriores, entre elas a Operação Decúrio, iniciada em 2024, que apurou a utilização de estruturas empresariais para lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

CNN Brasil

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Transwolff: suspeita de propriedade oculta e contratos públicos

Um dos principais pontos da investigação é a relação atribuída a Milton Leite com a empresa de transporte coletivo Transwolff.

De acordo com a apuração, o ex-vereador é suspeito de ser o verdadeiro proprietário da companhia, embora não apareça formalmente como sócio. A hipótese é sustentada, segundo os investigadores, por declarações de policiais militares e outros elementos reunidos durante as apurações.

A Transwolff já havia sido investigada na Operação Fim da Linha, em 2024, por suspeitas de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. O contrato da empresa com a Prefeitura de São Paulo foi cancelado.

A defesa da Transwolff nega que Milton Leite tenha participado do quadro societário, administrado a companhia ou dado ordens a seus funcionários. O próprio ex-vereador também nega ser proprietário da empresa e rejeita qualquer vínculo com a facção criminosa.

Outro aspecto citado nas reportagens é que uma empresa da família de Leite teria alugado um terreno à Transwolff, enquanto advogado e contador ligados ao político teriam prestado serviços à companhia durante o processo de licitação. Esses vínculos são parte do contexto investigado, mas não constituem, isoladamente, prova de participação criminosa.

BOL

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Conversas investigadas e suspeita de articulação política

A Polícia Civil chegou a Milton Leite após analisar mensagens de WhatsApp trocadas entre pessoas apontadas como integrantes do PCC.

Em um dos diálogos, um investigado teria mencionado a necessidade de envolver Milton Leite para resolver determinada questão. Em outras conversas, o ex-vereador aparece citado em discussões sobre decisões empresariais envolvendo companhias do transporte público, entre elas a UpBus.

Segundo as informações divulgadas, os investigadores consideram que as mensagens podem indicar influência política sobre decisões estratégicas de empresas investigadas.

O Ministério Público também apura se a infiltração criminosa no setor de transportes teria alcançado o ambiente eleitoral, incluindo possíveis articulações para lançar candidatos e influenciar campanhas municipais.

As conversas citadas fazem parte do material investigativo. A interpretação sobre o papel de cada pessoa ainda depende da apuração e do exame judicial das provas.

UOL Notícias

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Dinheiro apreendido em Sorocaba e passagem entre imóveis

Na manhã de sexta-feira, policiais civis e integrantes do Ministério Público realizaram buscas em Sorocaba, no interior paulista, à procura de Milton Leite.

No endereço, relacionado a um assessor do ex-vereador, as autoridades encontraram uma passagem secreta entre dois imóveis. Um deles seria de propriedade de Leite, enquanto o outro estaria ligado ao assessor.

Durante as buscas, foram apreendidos aproximadamente R$ 280 mil em dinheiro e US$ 89 mil em espécie, encontrados dentro de uma mala. A CNN Brasil informou o valor de R$ 287 mil em moeda nacional, enquanto outras publicações divulgaram cifras próximas de R$ 280 mil.

O total em dólares foi estimado em aproximadamente R$ 458 mil na cotação utilizada pelas reportagens. Até as informações divulgadas, não havia esclarecimento conclusivo sobre a origem dos valores.

A existência do dinheiro e da passagem entre os imóveis integra o contexto das buscas, mas não permite, por si só, atribuir a Milton Leite a propriedade dos valores ou estabelecer sua origem criminosa.

CNN Brasil

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Milton Leite afirma que estava viajando e nega ser foragido

Após a primeira tentativa de prisão, a assessoria do ex-vereador divulgou uma manifestação afirmando que ele não havia fugido e que estava viajando. Leite declarou que se apresentaria às autoridades e reafirmou sua inocência.

A entrega voluntária ocorreu na sexta-feira, quando ele compareceu à Dise de Mogi das Cruzes acompanhado de seu advogado.

A defesa afirmou que ainda não teve acesso integral às provas e que pretende examinar os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público antes de definir os próximos passos.

O advogado Aloísio Lacerda Medeiros também sustentou que a relação de Milton com a SPTrans ocorreu em caráter institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, durante uma greve de transporte em 2019.

Agência Brasil

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Outros nomes e empresas citados na investigação

Além de Milton Leite, as apurações alcançam outros agentes políticos, empresários e pessoas ligadas ao sistema de transporte coletivo.

Entre os nomes mencionados nas reportagens estão:

  • Senival Moura (PT): vereador investigado em apurações relacionadas à empresa Transunião e à suspeita de controle paralelo de operações de transporte.
  • Danilo Morgado (PL): citado em investigação sobre possível financiamento de campanha com recursos ligados ao PCC.
  • Levi dos Santos Oliveira: ex-presidente da SPTrans, mencionado nas apurações sobre relações entre agentes públicos e empresas de transporte.
  • Paulo Sirqueira Korek Farias: presidente do Água Santa, citado entre os alvos que ainda não haviam sido localizados após a operação.
  • Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada: apontado pelo Ministério Público como integrante da cúpula do PCC e relacionado a episódios históricos de infiltração no transporte alternativo.

As citações não significam que todos tenham a mesma situação processual ou que as suspeitas estejam comprovadas. As responsabilidades individuais dependem das provas e das decisões judiciais.

UOL Notícias

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Uma investigação que pode alcançar mais empresas

Segundo informações atribuídas ao Ministério Público de São Paulo, 12 das 22 empresas que operam o sistema de ônibus da capital estariam, em tese, sob controle direto ou indireto do PCC.

A hipótese investigada é que recursos provenientes de atividades criminosas possam ter sido misturados às receitas das empresas, incluindo valores de contratos públicos e pagamentos de passageiros.

A apuração também busca esclarecer se estruturas empresariais formalmente regulares teriam sido utilizadas para ocultar beneficiários reais, movimentar dinheiro e exercer influência sobre decisões políticas.

A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB), informou que colabora com as investigações e adotou medidas relacionadas à proteção da continuidade do transporte público.

Folha de S.Paulo

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Crítica: transporte público exige transparência e responsabilidade

O caso envolvendo Milton Leite expõe questões graves sobre a relação entre poder político, concessões públicas e suspeitas de infiltração do crime organizado. Quando empresas responsáveis por um serviço essencial são investigadas por possíveis vínculos com uma facção criminosa, a população tem o direito de exigir respostas claras sobre contratos, fiscalização e mecanismos de controle.

A investigação precisa esclarecer quem efetivamente controlava as empresas, como eram tomadas as decisões, qual era a origem dos recursos movimentados e se houve influência indevida sobre licitações ou campanhas eleitorais.

Também é fundamental que as autoridades expliquem os critérios utilizados para identificar os suspeitos e apresentem os elementos que sustentam as medidas judiciais, respeitando o direito de defesa e a presunção de inocência.

Milton Leite nega as acusações. A entrega à polícia não representa confissão, assim como a decretação da prisão temporária não equivale a uma condenação.

O que está em jogo é a necessidade de apurar, com rigor e transparência, se estruturas do transporte público foram utilizadas para favorecer interesses criminosos e se agentes políticos participaram de alguma forma desse esquema.

A população de São Paulo merece saber quem controla as empresas que recebem recursos públicos, quem se beneficia dos contratos e se houve infiltração do crime organizado nas decisões do poder público. A investigação deve avançar com provas, responsabilização individual e respeito ao devido processo legal.

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