Moraes convoca Eduardo Paes para explicar megaoperação policial no Rio

Moraes convoca Eduardo Paes para explicar megaoperação policial no Rio

Ministro do STF amplia a pressão e marca nova audiência após cobrar de Cláudio Castro detalhes sobre a ação que deixou mais de cem mortos nas favelas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu incluir o prefeito Eduardo Paes na lista de autoridades que terão de prestar esclarecimentos sobre a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na última terça-feira — uma das mais letais da história do estado.

A reunião está marcada para segunda-feira, e faz parte da sequência de encontros que Moraes convocou para discutir as circunstâncias e as consequências da ação. O ministro já havia determinado uma audiência com o governador Cláudio Castro, que ocorrerá no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio.

Segundo despacho do STF, o encontro com Paes “já estava previamente alinhado” e busca ampliar o diálogo com as autoridades locais diante da repercussão da operação. Moraes também deve visitar o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Defensoria Pública, pedindo explicações e medidas concretas de responsabilização.

A iniciativa faz parte da ADPF das Favelas, ação que monitora a letalidade policial no Rio e que, na prática, coloca sob escrutínio o modo como o Estado conduz suas incursões em áreas pobres da cidade.

Na decisão emitida nesta semana, Moraes exigiu que o governo estadual apresente dados detalhados sobre o uso da força, o número de agentes e armamentos empregados, além do total de mortos, feridos e presos. O ministro também pediu informações sobre o uso de escolas e unidades de saúde como bases operacionais, a preservação de locais para perícia, e o respeito à proporcionalidade das ações, sobretudo em horários de aula.

Para o Supremo, a reunião deve servir não apenas como uma cobrança, mas como um sinal político claro: o Estado precisa responder por cada morte, cada disparo e cada vida interrompida em nome da segurança pública.

Enquanto isso, o clima no Rio segue tenso. Entre a dor dos moradores e a defesa do “combate ao crime” feita por autoridades locais, cresce a sensação de que o poder público age mais para justificar a tragédia do que para evitá-la.

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