Na corrida digital, Lula tenta correr atrás — mas atraso nas redes expõe fragilidade da estratégia

Na corrida digital, Lula tenta correr atrás — mas atraso nas redes expõe fragilidade da estratégia

Equipe do presidente busca reagir ao avanço de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, enquanto discurso eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva levanta críticas e tom de confronto

Enquanto o cenário político já começa a ferver nos bastidores das eleições de 2026, o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece correr contra o tempo para corrigir uma falha cada vez mais evidente: a incapacidade de dominar o jogo nas redes sociais.

Nos bastidores, aliados admitem que a presença digital do governo virou um verdadeiro gargalo — um ponto fraco que ameaça comprometer a narrativa política antes mesmo da campanha ganhar corpo. A tentativa agora é montar, às pressas, uma engrenagem capaz de impulsionar conteúdos e disputar espaço com adversários que já largaram na frente.

A estratégia em construção tem como base uma iniciativa liderada por Paulo Okamotto dentro da Fundação Perseu Abramo. A ideia gira em torno de uma plataforma chamada “Pode Espalhar”, criada para distribuir conteúdos políticos em massa via WhatsApp, Instagram e TikTok — numa tentativa clara de ocupar território onde o governo tem perdido relevância.

Nos corredores do partido, há quem reconheça — ainda que de forma reservada — que o plano se inspira em uma lógica semelhante à que marcou o bolsonarismo no ambiente digital. Uma espécie de máquina de comunicação intensiva, pensada para viralizar mensagens e influenciar o debate público. Para muitos críticos, isso levanta um alerta preocupante: o risco de transformar a comunicação política em uma guerra de propagação, onde o volume fala mais alto que a qualidade.

E enquanto o time governista ainda organiza sua ofensiva, Flávio Bolsonaro avança com desenvoltura. Avaliações internas apontam que ele não apenas herdou a força digital associada ao sobrenome, mas também vem mostrando capacidade de adaptação e inovação.

Um exemplo citado nos bastidores foi a forma como o senador surfou uma onda improvável: um vídeo humorístico do comediante Murilo Couto. Em vez de reagir negativamente, aliados de Flávio transformaram a ironia em combustível, amplificando o conteúdo até fazê-lo circular de forma massiva — inclusive com o próprio senador interagindo com a publicação. Resultado: engajamento espontâneo e visibilidade ampliada.

Do outro lado, o discurso de Lula segue em tom elevado. Em evento no Pará, o presidente adotou uma postura claramente eleitoral, afirmando que seus adversários devem “se preparar para lutar” porque serão derrotados novamente. A fala, carregada de confronto, reforça uma estratégia baseada na polarização — algo que, para críticos, evidencia mais uma vez a dependência de um embate direto em vez de propostas concretas.

A cena que se desenha é de contraste: de um lado, um grupo que ainda tenta estruturar sua presença digital; do outro, adversários que já dominam o ritmo e a linguagem das redes. No meio disso tudo, cresce a percepção de que o governo reage mais do que lidera — como quem tenta apagar incêndios enquanto o terreno político já está em chamas.

E no fim, fica a pergunta que ecoa nos bastidores e nas ruas: será que essa corrida tardia será suficiente ou apenas mais um sinal de desgaste de um projeto que parece cada vez mais desconectado da realidade digital do país?

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