
Recuperações judiciais disparam no Brasil e atingem recorde histórico em 2025
Alta dos juros, crédito mais restrito e aumento da inadimplência pressionam empresas; setor agropecuário lidera número de casos, segundo a Serasa Experian
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar já registrado, refletindo um cenário econômico desafiador para diversos setores. Dados divulgados pela Serasa Experian apontam que 2.466 companhias estavam nesse processo em 2025 — um crescimento de 13% em relação ao ano anterior e um novo recorde da série histórica.
Somente no último ano, foram contabilizados 997 pedidos de recuperação judicial, evidenciando a dificuldade crescente das empresas em manter o equilíbrio financeiro diante de custos elevados e menor acesso ao crédito.
Agro lidera ranking de empresas em crise
Entre os setores mais afetados, o agronegócio aparece no topo da lista. Ao todo, 743 empresas do setor agropecuário entraram em recuperação judicial, representando cerca de 30% do total nacional.
Na sequência, aparecem:
- Serviços: 739 empresas (30%)
- Comércio: 535 empresas (21,7%)
- Indústria: 449 empresas (18,2%)
Especialistas apontam que o desempenho do agro está diretamente ligado a fatores externos e imprevisíveis, como condições climáticas adversas, variações nos preços das commodities e custos elevados de insumos, muitos deles atrelados ao dólar.
Juros altos e crédito restrito pressionam empresas
O avanço das recuperações judiciais está fortemente relacionado ao ambiente econômico atual. Com a taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados — em torno de 14,75% ao ano —, o custo do crédito aumentou significativamente, dificultando a renegociação de dívidas e a captação de novos recursos.
Além disso, instituições financeiras têm adotado critérios mais rigorosos na concessão de crédito, o que impacta diretamente empresas já endividadas.
Recuperação judicial como alternativa à falência
Diante desse cenário, a recuperação judicial tem sido utilizada como uma ferramenta para evitar o fechamento definitivo das empresas. O mecanismo permite a renegociação de dívidas com credores, garantindo fôlego para que as operações continuem funcionando.
Apesar do aumento nos pedidos de recuperação, os registros de falência apresentaram queda de 19% em 2025, com 698 casos contabilizados. Isso indica que, mesmo diante das dificuldades, muitas empresas ainda buscam alternativas para se reestruturar e permanecer no mercado.
Cenário exige atenção em 2026
Os dados reforçam um alerta importante para o ambiente de negócios no país. O crescimento das recuperações judiciais revela não apenas dificuldades pontuais, mas uma pressão estrutural sobre empresas de diferentes setores.
A tendência, segundo analistas, é que o comportamento do crédito, da inflação e das taxas de juros continue sendo determinante para o fôlego financeiro das companhias ao longo de 2026.