Na ONU, Lula critica veto dos EUA a líder palestino e declara: “Nada justifica o genocídio em Gaza”

Na ONU, Lula critica veto dos EUA a líder palestino e declara: “Nada justifica o genocídio em Gaza”

Presidente lamenta ausência de Mahmoud Abbas na Assembleia, denuncia uso da fome como arma de guerra e defende criação de um Estado Palestino

No discurso de abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a ausência de Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, impedido de comparecer ao evento após os Estados Unidos, sob o governo Donald Trump, revogarem vistos de representantes palestinos.

Lula não poupou críticas. Para ele, o bloqueio à presença de Abbas simboliza um enfraquecimento da própria democracia dentro da ONU. “Os atentados terroristas do Hamas são injustificáveis. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou.

O petista destacou ainda que a fome tem sido usada como arma de guerra e que o deslocamento forçado de milhares de famílias acontece sem qualquer punição internacional. “Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva. O povo palestino corre o risco de desaparecer”, declarou.

Lula reiterou a posição histórica do Brasil em defesa da criação de dois Estados — Israel e Palestina — convivendo lado a lado. “O povo palestino só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional. Essa é a solução defendida por mais de 150 países, reafirmada ontem neste mesmo plenário, mas travada por um único veto”, reforçou.

O presidente também criticou a postura dos Estados Unidos, único membro permanente do Conselho de Segurança da ONU que não reconhece o Estado Palestino, e considerou “lamentável” que Abbas tenha sido barrado de ocupar a cadeira da Palestina em um momento que classificou como histórico.

Atualmente, mais de 140 países reconhecem formalmente o Estado Palestino — entre eles o Brasil. A ausência de Abbas e o veto dos EUA devem intensificar os debates na assembleia sobre o futuro do território e sobre a guerra, que já dura quase dois anos.

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