Netanyahu chama Brasil de “pequeno país” e cogita comparecer à posse de Flávio Bolsonaro caso senador vença eleição presidencial

Netanyahu chama Brasil de “pequeno país” e cogita comparecer à posse de Flávio Bolsonaro caso senador vença eleição presidencial

Primeiro-ministro de Israel relembra posse de Jair Bolsonaro em 2019, sinaliza possível retorno ao Brasil e defende reaproximação com a América Latina; declaração ocorre em meio ao distanciamento diplomático entre os governos israelense e Lula

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de “um pequeno país” ao recordar sua visita ao país para a posse do então presidente Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019. Durante um discurso realizado em Jerusalém, na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o líder israelense também sugeriu que poderá voltar ao território brasileiro para acompanhar a posse presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador seja eleito no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A declaração foi feita durante a cerimônia de inauguração da Embaixada da Colômbia em Jerusalém, realizada no Ministério das Relações Exteriores de Israel. Na ocasião, Netanyahu relembrou viagens realizadas à América Latina ao lado de sua esposa, Sara Netanyahu, e destacou a recepção que recebeu em diferentes países da região.

“Os primeiros lugares que visitamos — eu e Sara — foram três: Colômbia, Argentina e México. Foi uma visita excelente, marcada por muita cordialidade em cada um desses países. Aliás, um ano depois, creio que fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez voltemos lá”, afirmou o primeiro-ministro, conforme a transcrição divulgada pelo Poder360.

A referência à possibilidade de retornar ao Brasil foi interpretada como um sinal de interesse em acompanhar uma eventual posse de Flávio Bolsonaro. Netanyahu, entretanto, não confirmou uma viagem nem apresentou uma data. Sua declaração foi condicional e depende do resultado da eleição presidencial brasileira.

Relação com a família Bolsonaro e perspectiva de reaproximação

A fala de Netanyahu ocorre em um contexto de proximidade política entre o primeiro-ministro israelense e a família Bolsonaro. Em janeiro de 2026, Flávio Bolsonaro encontrou-se com Netanyahu em Israel, ocasião que reforçou a interlocução entre o senador e o governo israelense.

O histórico dessa relação remonta ao governo de Jair Bolsonaro. Netanyahu esteve no Brasil em janeiro de 2019 para participar da cerimônia de posse do então presidente brasileiro, em uma visita considerada um marco da aproximação política entre os dois governos.

Naquele período, Brasil e Israel ampliaram o diálogo diplomático e discutiram possibilidades de cooperação em áreas como segurança, tecnologia, comércio e inovação. A aproximação também teve uma dimensão simbólica, especialmente entre setores conservadores brasileiros que defendem o fortalecimento das relações com o Estado israelense.

Ao recordar aquela viagem, Netanyahu associou a possibilidade de retornar ao Brasil à perspectiva de uma nova etapa política no país. A menção a Flávio Bolsonaro indica que o primeiro-ministro vê a eventual eleição do senador como uma oportunidade para reaproximar os dois governos.

Isso não significa, porém, que uma visita tenha sido oficialmente agendada ou que eventuais acordos diplomáticos já estejam definidos. Até o momento da declaração, a possibilidade de comparecimento à posse permanecia apenas uma hipótese apresentada pelo próprio premiê.

Netanyahu critica governos latino-americanos e menciona a influência da cultura “woke”

Além da referência ao Brasil, Netanyahu utilizou o discurso para defender a retomada dos vínculos de Israel com países latino-americanos. Segundo ele, as relações que anteriormente eram marcadas por proximidade e afinidade acabaram se enfraquecendo em razão de mudanças políticas e ideológicas na região.

O primeiro-ministro criticou governos que, em sua avaliação, contribuíram para o afastamento diplomático e utilizou a expressão “aliança global woke” para caracterizar o fenômeno que atribui à deterioração dessas relações.

Em sua fala, Netanyahu mencionou Brasil, Argentina, México e Colômbia e comparou determinados líderes políticos a “novos faraós”, recorrendo a referências bíblicas. A declaração foi apresentada como uma crítica à orientação de governos latino-americanos que, segundo sua interpretação, se distanciaram de Israel.

O discurso também destacou a inauguração da Embaixada da Colômbia em Jerusalém como um símbolo da tentativa israelense de ampliar sua presença diplomática na região.

A transferência ou abertura de representações diplomáticas em Jerusalém possui significado político relevante, uma vez que o status internacional da cidade é objeto de controvérsia. Israel considera Jerusalém sua capital, enquanto a questão do reconhecimento internacional e das reivindicações palestinas permanece no centro das disputas diplomáticas.

A cerimônia, portanto, não se limitou à inauguração de uma embaixada. Também serviu como ocasião para Netanyahu apresentar sua visão sobre o futuro das relações entre Israel e a América Latina.

Distanciamento entre Israel e o governo Lula

A declaração do primeiro-ministro ocorre após um período de forte deterioração nas relações entre Israel e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A crise diplomática foi intensificada pelas declarações de Lula sobre a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, incluindo a comparação feita pelo presidente brasileiro entre as ações de Israel e o Holocausto. Netanyahu e integrantes de seu governo reagiram duramente às declarações, e Israel declarou Lula persona non grata, em meio à escalada das tensões diplomáticas.

O episódio contribuiu para o agravamento das relações bilaterais e para o afastamento político entre os dois governos.

Nesse cenário, a perspectiva de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro desperta interesse no governo israelense por representar a possibilidade de uma mudança de orientação diplomática em Brasília. O senador tem manifestado proximidade com Israel e sinalizado interesse em ampliar a cooperação entre os dois países caso assuma a Presidência da República.

Em outubro, Flávio já havia prometido visitar Israel no início de um eventual governo, seguindo o exemplo de Jair Bolsonaro, que esteve no país em março de 2019, poucos meses depois de assumir a Presidência.

A declaração de Netanyahu sobre uma possível presença na posse do senador pode ser compreendida nesse contexto de aproximação política. Ainda assim, uma eventual mudança diplomática dependeria de decisões concretas do próximo governo brasileiro, de negociações bilaterais e das circunstâncias internacionais.

O significado político da declaração

A fala de Netanyahu reúne três elementos: a lembrança de uma relação diplomática anterior, a crítica às mudanças políticas na América Latina e a sinalização de interesse em uma eventual nova etapa de aproximação com o Brasil.

A expressão “pequeno país” chamou a atenção por se referir ao Brasil, uma das maiores nações do mundo em extensão territorial e população. No contexto do discurso, entretanto, Netanyahu utilizou a expressão ao recordar a viagem de 2019, sem apresentar uma avaliação detalhada sobre o tamanho econômico, territorial ou geopolítico brasileiro.

A frase pode ser interpretada de diferentes maneiras, mas o trecho divulgado não permite concluir que o primeiro-ministro tenha pretendido formular uma crítica formal à importância internacional do Brasil. O sentido mais direto da declaração está associado à lembrança da visita anterior e à possibilidade de retornar.

Politicamente, a menção a Flávio Bolsonaro demonstra que Netanyahu acompanha a disputa presidencial brasileira e considera relevante a possibilidade de mudança de governo. A eventual presença do primeiro-ministro israelense em uma posse presidencial seria um gesto diplomático de grande visibilidade, embora não determine, por si só, o conteúdo das relações futuras entre os dois países.

O que pode acontecer se Flávio Bolsonaro for eleito

Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno, uma eventual aproximação com Israel poderá envolver discussões sobre comércio bilateral, cooperação tecnológica, segurança, inovação e relações diplomáticas. Esses temas, contudo, dependeriam das prioridades estabelecidas pelo novo governo e das negociações realizadas entre as duas administrações.

A presença de Netanyahu na cerimônia de posse, caso se concretize, teria significado simbólico por recuperar uma imagem associada ao início do governo Jair Bolsonaro, quando o primeiro-ministro israelense esteve em Brasília.

Por enquanto, não há confirmação oficial de que Netanyahu viajará ao Brasil. O que existe é uma manifestação pública de possibilidade, condicionada à eleição de Flávio Bolsonaro.

A declaração também não altera automaticamente a posição diplomática brasileira nem representa um compromisso formal de Israel com um eventual governo. Seu significado está no sinal político enviado por Netanyahu em um momento de disputa eleitoral e de relações bilaterais fragilizadas.

Conclusão

Ao recordar a posse de Jair Bolsonaro e admitir a possibilidade de comparecer à eventual posse de Flávio Bolsonaro, Benjamin Netanyahu colocou novamente o Brasil no centro de seu discurso sobre a América Latina. A referência ao país como “pequeno” repercutiu, mas a mensagem mais ampla foi a defesa de uma retomada das relações entre Israel e governos latino-americanos que compartilhem maior afinidade política com o governo israelense.

A declaração evidencia a importância que Netanyahu atribui ao resultado da eleição brasileira para o futuro das relações bilaterais. Também expõe o contraste entre a proximidade mantida com a família Bolsonaro e o distanciamento registrado durante o governo Lula.

A eventual presença do primeiro-ministro israelense em Brasília dependerá do resultado eleitoral e de uma decisão oficial que ainda não foi anunciada. Até lá, a fala permanece como um sinal de interesse político e diplomático, não como confirmação de uma visita.

O desdobramento mais importante será verificar se essa sinalização se transformará em compromissos concretos de cooperação e em uma mudança efetiva nas relações entre Brasil e Israel.

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