Neymar defende criança corintiana hostilizada após receber sua camisa na Neo Química Arena

Neymar defende criança corintiana hostilizada após receber sua camisa na Neo Química Arena

Menino de 8 anos, torcedor do Corinthians e fã de Neymar, ganhou a camisa usada pelo atacante do Santos depois do clássico; após a derrota do Timão por 1 a 0, criança e família foram alvo de ofensas e precisaram deixar o estádio escoltados por policiais

O futebol terminou dentro de campo, mas o episódio mais lamentável do clássico entre Corinthians e Santos, disputado neste domingo (30), na Neo Química Arena, em São Paulo, aconteceu depois do apito final. Um menino de 8 anos, torcedor do Corinthians e admirador de Neymar, recebeu a camisa usada pelo atacante santista e acabou sendo hostilizado por torcedores do próprio time que costuma apoiar.

A situação ficou tão tensa que a criança e seus familiares precisaram deixar o estádio sob escolta de policiais e seguranças. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o garoto deixando o setor destinado à torcida corintiana enquanto pessoas ao redor gritavam e o hostilizavam.

O episódio provocou reação do próprio Neymar Jr., que saiu publicamente em defesa do menino e lamentou que uma criança tenha sido colocada no centro de uma confusão simplesmente por admirar um jogador de outro clube.

“Isso nunca pode ser motivo de confusão… gostar de um jogador que não é do seu time do coração faz parte! É uma criança… Qual pai ou qual mãe não faria a vontade do filho?”, escreveu Neymar nas redes sociais.

A manifestação do jogador foi uma resposta direta ao comportamento de parte da torcida e também uma tentativa de recolocar o episódio em seu devido lugar: futebol é rivalidade, mas uma criança não deveria ser transformada em alvo por causa da camisa que recebeu.

O presente de Neymar

O momento que desencadeou a confusão aconteceu após a partida.

O Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, na casa corintiana, aumentando naturalmente a frustração da torcida mandante. Depois do encerramento do jogo, o menino conseguiu se aproximar de Neymar e recebeu a camisa que o jogador havia utilizado durante a partida.

O garoto, apesar de torcer para o Corinthians, era fã do atacante santista.

Neymar decidiu atender ao pedido.

O jogador explicou posteriormente que havia percebido que se tratava de uma criança e que o fato de ela torcer para o rival não mudaria sua decisão de presenteá-la.

“Foi um menino que é corintiano, uma criança, independente do time que torce, rival ou não, quando gosta de um atleta, pode me admirar em vários momentos, faz parte. Eu prometi e acabei dando [a camisa].”

A declaração resume o que deveria ser a essência do esporte.

Um torcedor pode amar seu clube e, ao mesmo tempo, admirar um jogador adversário.

A torcida reagiu depois da derrota

A situação mudou rapidamente quando outros torcedores perceberam que o menino estava com a camisa de Neymar.

Segundo as reportagens, houve xingamentos e hostilização, fazendo com que a família precisasse ser retirada do estádio por razões de segurança.

As imagens mostram pessoas próximas ao garoto enquanto ele é conduzido para fora do estádio.

O que deveria ser uma lembrança inesquecível para uma criança — ganhar a camisa de um dos grandes nomes do futebol brasileiro — transformou-se em uma situação de medo e constrangimento.

A criança não era o adversário

Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a história.

A partida era entre Corinthians e Santos.

A rivalidade pertence aos clubes, aos jogadores e à disputa esportiva.

O garoto não estava em campo.

Não provocou a torcida.

Não marcou gol contra o Corinthians.

Não comemorou ostensivamente a derrota do time.

Era apenas uma criança que admirava Neymar e recebeu um presente do jogador.

Transformá-lo em alvo por causa disso expõe uma face preocupante da violência ligada ao futebol.

Neymar responde com respeito

Depois de tomar conhecimento da repercussão, Neymar não tratou o assunto como uma simples brincadeira.

O atacante fez questão de defender o menino.

Sua manifestação foi também uma defesa de uma ideia bastante básica: a rivalidade esportiva não deveria eliminar o respeito por quem está nas arquibancadas, principalmente quando se trata de uma criança.

Neymar destacou que admirar um atleta de outra equipe é algo normal.

Um corintiano pode admirar Neymar.

Um santista pode admirar um jogador do Corinthians.

Um torcedor pode reconhecer talento mesmo quando está diante do principal rival.

É justamente isso que torna o futebol um esporte.

O Corinthians também se manifestou

O próprio Sport Club Corinthians Paulista publicou uma nota condenando o episódio e lamentando o comportamento dos torcedores que hostilizaram o menino.

O clube confirmou que a criança e seus familiares precisaram deixar a Neo Química Arena escoltados por policiais depois das represálias.

A manifestação do Corinthians é relevante porque estabelece uma diferença entre a paixão da torcida e comportamentos que ultrapassam qualquer limite aceitável.

Torcer é legítimo.

Vaiar é legítimo.

Ficar revoltado com uma derrota faz parte do futebol.

Hostilizar uma criança, porém, é outra coisa.

A derrota aumentou a tensão

O contexto também precisa ser considerado.

O Corinthians havia acabado de perder em casa para o Santos.

A frustração da torcida já era naturalmente elevada.

A presença de Neymar, por si só, torna um clássico entre os dois clubes ainda mais carregado de emoção.

Mas o resultado dentro de campo não justifica o que aconteceu fora dele.

A derrota pode provocar tristeza, raiva e cobrança.

Não deveria produzir perseguição contra uma criança.

O vídeo que expôs o episódio

As imagens do ocorrido foram amplamente compartilhadas nas redes sociais.

O vídeo mostra o menino com a camisa recebida de Neymar e, posteriormente, sendo retirado do setor acompanhado por adultos e seguranças.

A força das imagens está justamente no contraste.

De um lado, uma criança emocionada por receber um presente.

Do outro, adultos transformando aquele momento em uma situação de hostilidade.

Foi o registro visual que fez o episódio ultrapassar os limites do estádio e ganhar repercussão nacional.

O problema da violência no futebol

O caso reacende uma discussão antiga.

Até onde pode ir a paixão por um clube?

A resposta deveria possuir um limite muito claro:

até o ponto em que começa a atingir a integridade e a dignidade de outra pessoa.

A rivalidade entre Corinthians e Santos faz parte da cultura esportiva paulista.

Mas rivalidade não pode significar intolerância absoluta.

Muito menos justificar agressões, ameaças ou humilhações.

A criança como vítima da intolerância

Existe também uma dimensão particularmente dolorosa.

O menino não escolheu simplesmente “provocar” a torcida adversária.

Ele recebeu uma camisa de um ídolo.

É provável que, para ele, naquele momento, o futebol tenha sido exatamente aquilo que deveria ser: admiração, emoção e encontro com um jogador que admira.

A reação dos adultos transformou a lembrança em um episódio traumático.

E essa é talvez a parte mais difícil de aceitar.

“Qual pai ou qual mãe não faria a vontade do filho?”

A frase de Neymar ganhou força porque toca em algo universal.

Pais costumam realizar desejos dos filhos.

Ganhar uma camisa de um ídolo pode parecer um detalhe para um adulto.

Para uma criança, pode ser uma memória para a vida inteira.

Neymar compreendeu isso.

Por isso, decidiu entregar a camisa mesmo sabendo que o garoto torcia para o Corinthians.

O jogador não enxergou um rival.

Enxergou uma criança.

O futebol deveria ensinar convivência

O esporte carrega uma contradição.

Ele trabalha com competição.

Mas também ensina respeito.

O adversário precisa existir para que exista o jogo.

Sem rivalidade, não há campeonato.

Sem adversário, não há vitória.

Por isso, admirar um jogador rival não deveria ser considerado traição.

É reconhecimento de talento.

E talvez seja justamente essa capacidade de reconhecer o mérito do outro que diferencie paixão de fanatismo.

O limite entre torcer e hostilizar

Há uma diferença enorme entre gritar:

“Vai, Corinthians!”

e transformar uma criança em alvo porque ela está segurando a camisa de Neymar.

Há diferença entre vaiar um jogador e intimidar um torcedor.

Há diferença entre rivalidade e violência.

O episódio mostra como essa fronteira pode ser ultrapassada rapidamente quando a emoção perde completamente o controle.

A atitude de Neymar merece destaque

Neymar poderia simplesmente ter ignorado a repercussão.

Não fez isso.

Usou sua enorme visibilidade para defender o garoto.

Ao fazê-lo, o atacante também enviou um recado aos torcedores de diferentes clubes: não é preciso escolher entre amar seu time e admirar um jogador adversário.

É possível fazer as duas coisas.

Observação em destaque

OBSERVAÇÃO: o episódio ocorreu após a vitória do Santos por 1 a 0 sobre o Corinthians, na Neo Química Arena. O menino, de 8 anos, era torcedor corintiano, mas fã de Neymar. Depois de receber a camisa do atacante, foi hostilizado por torcedores próximos e deixou o estádio com a família sob escolta. O Corinthians condenou o comportamento agressivo, enquanto Neymar afirmou que admirar um jogador rival é algo normal e que uma criança não poderia ser motivo de confusão.

A camisa virou símbolo de algo maior

No início, era apenas uma camisa.

Um presente.

Uma lembrança.

Depois, virou motivo de conflito.

Mas também acabou se transformando em símbolo de uma questão maior: o futebol brasileiro precisa recuperar a capacidade de separar rivalidade de intolerância.

Neymar, naquele momento, representava o Santos.

O menino representava o Corinthians.

Mas nenhum dos dois precisava ser inimigo do outro.

A torcida também precisa ser responsabilizada

Não se pode tratar episódios assim apenas como “calor do jogo”.

O ambiente de estádio possui regras.

Há segurança.

Há câmeras.

Existem mecanismos para identificar comportamentos violentos.

A paixão pelo futebol não pode ser utilizada como desculpa para agressões.

Quando uma família precisa ser escoltada para deixar um estádio porque uma criança recebeu a camisa de um rival, alguma coisa saiu muito errado.

O que deveria ter acontecido

O final ideal seria outro.

O menino receberia a camisa.

Tiraria uma fotografia com Neymar.

Voltaria para casa feliz.

Talvez mostrasse o presente aos amigos na escola.

Talvez guardasse a peça durante décadas.

E, quando fosse adulto, contaria que um dia recebeu a camisa usada por Neymar em um clássico.

Em vez disso, precisou ser retirado do estádio por causa da intolerância de parte da torcida.

É uma diferença enorme.

O verdadeiro espírito esportivo

O futebol pode produzir rivalidades históricas.

Pode produzir provocações.

Pode produzir discussões acaloradas.

Mas também deveria produzir histórias como aquela que Neymar tentou proporcionar ao menino.

Um jogador reconhecendo um fã.

Um rival respeitando outro rival.

Uma criança recebendo um presente.

É assim que o esporte deveria ser lembrado.

Conclusão

O episódio envolvendo Neymar Jr., o menino corintiano e parte da torcida do Corinthians deixou uma mensagem que vai muito além de Corinthians e Santos.

A criança não precisava escolher entre ser corintiana e admirar Neymar.

Neymar não precisava deixar de presenteá-la porque ela vestia as cores do rival.

E a torcida não precisava transformar um momento de alegria infantil em conflito.

O Corinthians condenou a hostilização.

Neymar defendeu o garoto.

A família precisou ser escoltada para fora da arena.

E as imagens percorreram as redes sociais.

No fim, a camisa que deveria representar apenas admiração acabou revelando algo mais triste: quando a rivalidade perde o respeito, quem deveria sair ganhando com o futebol é justamente quem mais perde — o próprio futebol.

Uma criança gostar de um jogador rival não diminui o amor pelo seu clube.

Mas um adulto humilhar uma criança por causa disso diminui, e muito, a grandeza de qualquer torcida.

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