
No palco, Edson Gomes dispensa discurso ensaiado e manda a real aos políticos
No Festival Virada Salvador, o Rei do Reggae ironiza promessas eleitorais e diz que pobreza virou ferramenta de campanha
Durante sua apresentação no Festival Virada Salvador, no domingo (28), Edson Gomes, aos 70 anos e com mais de meio século de carreira, mostrou que não sobe ao palco apenas para cantar. Em meio ao show, o reggae deu lugar ao recado — direto, sem filtro e com a ironia de quem já viu muita promessa virar poeira.
Ícone do reggae nacional, o cantor interrompeu a música para falar de desigualdade social e da velha prática política de repetir discursos a cada eleição, como se o público tivesse memória curta. Diante de uma plateia atenta, Edson resumiu sua crítica sem rodeios.
“Eles querem que a gente continue pobre. Aí sobem no palanque dizendo que vão acabar com a fome, tirar todo mundo da miséria… lero-lero, é sempre lero-lero”, disparou, arrancando aplausos e coros de apoio.
Para o artista, a pobreza deixou de ser apenas um problema social e passou a ser usada como instrumento de controle político, reaproveitado a cada ciclo eleitoral. Nada muito novo para quem acompanha sua trajetória: Edson Gomes construiu sua carreira cantando sobre injustiça, corrupção, resistência e a realidade das periferias.
Mesmo depois de décadas nos palcos, o cantor segue fiel ao seu estilo — reggae com consciência, crítica afiada e mensagem clara. No Festival da Virada, ficou evidente que, para Edson Gomes, o microfone continua sendo também um espaço de cobrança.