Nunes Marques e Zanin ajustaram prorrogação da votação em conversa acompanhada por Fachin

Nunes Marques e Zanin ajustaram prorrogação da votação em conversa acompanhada por Fachin

Segundo reportagem do Times Brasil, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, conversou por telefone com o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin após a decisão que estendeu o horário de votação até as 19h. Edson Fachin, presidente do STF, também participou da conversa. O entendimento limitou a prorrogação às seções eleitorais que ainda estavam abertas, diante da impossibilidade técnica de reabrir urnas já encerradas.

A prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 ganhou novos detalhes após uma reportagem publicada pelo Times Brasil nesta segunda-feira, 26 de outubro. De acordo com a publicação, os ministros Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegaram a um entendimento sobre a aplicação da medida durante uma conversa telefônica acompanhada pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.

A conversa ocorreu depois que Zanin determinou a extensão do horário de votação até as 19h em todo o país. A decisão inicial provocou dificuldades operacionais porque foi tomada quando o horário regular, previsto para terminar às 17h, já estava chegando ao fim e diversas seções eleitorais haviam concluído os procedimentos de encerramento.

Segundo a reportagem, Nunes Marques explicou que não seria possível reabrir as urnas que já haviam encerrado a votação e emitido seus Boletins de Urna (BUs). Diante dessa limitação, Zanin concordou em restringir o alcance da prorrogação às seções que continuavam em funcionamento.

O entendimento procurou conciliar a determinação judicial com as condições técnicas do sistema eleitoral. A medida não significou a reabertura de todas as urnas do país, mas a manutenção do atendimento nas seções em que os trabalhos ainda não haviam sido encerrados.

O episódio, porém, levantou questionamentos sobre a sequência das decisões, o momento em que as orientações chegaram aos tribunais eleitorais e a coordenação entre o STF e o TSE durante uma votação nacional.

Como começou o impasse entre o STF e o TSE

A discussão surgiu após reclamações sobre dificuldades de transporte público que poderiam impedir eleitores de chegar às seções eleitorais. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou pedidos de prorrogação relacionados à redução da frota de ônibus em determinadas localidades e, posteriormente, solicitou a ampliação do horário em âmbito nacional.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, também recorreu à Justiça Eleitoral, mas pediu a extensão do prazo em municípios específicos de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pedido citou problemas como chuvas, alagamentos, interdições de vias e falta de energia elétrica.

As solicitações tinham fundamentos e alcances diferentes. Enquanto a campanha petista passou a defender uma prorrogação nacional, a equipe de Flávio Bolsonaro pediu uma medida direcionada às localidades indicadas em sua petição.

Antes da decisão de Zanin, Nunes Marques havia recebido demandas e buscado informações técnicas sobre as dificuldades relatadas. Segundo relatos publicados pela imprensa, o presidente do TSE consultava equipes e autoridades eleitorais para avaliar como os problemas poderiam afetar o exercício do voto.

A falta de uma decisão definitiva antes das 17h contribuiu para o impasse. O pedido relacionado à votação chegou ao Supremo, e Zanin determinou a extensão do horário por mais duas horas, atribuindo ao TSE a responsabilidade pela execução da ordem.

A controvérsia passou, então, a envolver não apenas o direito de eleitores com dificuldades de deslocamento, mas também a competência institucional para decidir sobre o funcionamento das seções e a viabilidade de implementar a medida depois do encerramento previsto.

A conversa entre Nunes Marques, Zanin e Fachin

De acordo com o relato publicado pelo Times Brasil, Nunes Marques procurou Zanin para explicar as limitações técnicas identificadas pela equipe do TSE. O presidente da Justiça Eleitoral informou que não seria possível simplesmente ligar novamente as urnas que já haviam encerrado a votação e emitido os respectivos boletins.

A emissão do Boletim de Urna marca uma etapa formal do encerramento da votação naquela seção. Por isso, a orientação técnica era preservar os procedimentos já concluídos e manter em funcionamento apenas as seções que ainda não haviam terminado o atendimento aos eleitores.

A conversa levou ao ajuste da determinação inicial. Zanin esclareceu que a prorrogação deveria valer somente para os locais em que as urnas ainda não haviam sido fechadas. Edson Fachin, que presidia o STF, participou da conversa, segundo a reportagem.

A mudança foi importante porque delimitou a forma de cumprimento da ordem judicial. Sem essa ressalva, a determinação de estender o horário em todo o território nacional poderia ser interpretada como uma obrigação de reabrir seções que já haviam concluído os trabalhos, algo que os procedimentos técnicos não permitiam.

O TSE publicou um esclarecimento na noite de domingo, 25 de outubro, informando que a votação continuaria apenas nos locais em que as atividades não tivessem sido encerradas às 17h. O tribunal também comunicou que retomaria o recebimento dos boletins, a totalização e a divulgação dos resultados depois das 19h.

Por que a decisão provocou críticas

O principal questionamento foi o momento em que a ordem foi expedida. Em uma eleição nacional, o encerramento das urnas segue procedimentos padronizados, e os responsáveis pelos locais de votação precisam receber orientações claras para agir de maneira uniforme.

Quando uma determinação dessa dimensão chega perto ou depois do horário previsto para o fechamento, surgem dificuldades práticas: algumas seções ainda podem ter eleitores aguardando na fila, enquanto outras já encerraram a votação e emitiram os documentos correspondentes.

A reportagem da Folha de S.Paulo sobre a repercussão no TSE registrou que integrantes da Corte consideraram que a decisão de ampliar o horário deveria ter sido tomada pela própria Justiça Eleitoral. A avaliação relatada era de que a intervenção do STF gerou desconforto institucional e questionamentos sobre as competências de cada tribunal. <Cite refs={[“turn515148search11″,”turn515148search2”]}/>

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou posteriormente que a decisão tomada após o horário previsto para o encerramento provocou dificuldades no processo eleitoral. Ele também ressaltou que não havia um procedimento anterior que disciplinasse uma prorrogação daquele tipo e que medidas excepcionais precisam ser planejadas e estruturadas.

Isso não significa, por si só, que a decisão tenha alterado o resultado da eleição ou que tenha ocorrido fraude. Para sustentar uma conclusão desse tipo, seria necessário apresentar evidências concretas de irregularidades e demonstrar seus efeitos sobre o processo eleitoral.

A crítica institucional, entretanto, pode ser feita independentemente de qualquer alegação de fraude: uma mudança de procedimento em momento tão sensível exige fundamentação clara, comunicação imediata e coordenação entre os órgãos responsáveis.

A apuração foi retomada após o encerramento definitivo da votação

Durante o impasse, o TSE suspendeu temporariamente a divulgação dos resultados. A interrupção ocorreu quando apenas cerca de 0,25% das seções eleitorais haviam sido contabilizadas.

A pausa tinha relação com a necessidade de definir como a ordem seria aplicada e de assegurar que o processamento dos votos ocorresse conforme os procedimentos estabelecidos. Após as 19h, o tribunal retomou a recepção dos Boletins de Urna e a totalização dos votos.

O episódio chamou a atenção porque a divulgação das primeiras parciais já havia começado quando a determinação de prorrogação foi expedida. A suspensão temporária gerou dúvidas entre eleitores e observadores, mas não significou, por si só, que os votos já registrados tivessem sido descartados ou modificados.

O TSE informou que a eleição continuaria apenas nas seções ainda abertas. A orientação preservou os votos já registrados nas urnas encerradas e permitiu que eleitores que ainda aguardavam atendimento nos locais em funcionamento pudessem votar dentro do novo horário. <Cite refs={[“turn515148search1″,”turn515148news8”]}/>

As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro também precisam ser consideradas

A sequência dos acontecimentos mostra que as duas campanhas apresentaram pedidos de ampliação do horário, embora com justificativas e abrangências distintas.

A campanha de Lula alegou dificuldades relacionadas à oferta de transporte público e pediu uma extensão mais ampla. A equipe de Flávio Bolsonaro solicitou a prorrogação em municípios específicos, apontando problemas climáticos, interdições e falta de energia.

Esse contexto é relevante para evitar uma narrativa incompleta. A existência de pedidos de ambas as campanhas não elimina a necessidade de avaliar a decisão de Zanin, o momento em que foi tomada e a forma como foi implementada. Também não demonstra automaticamente que uma candidatura tenha sido beneficiada no resultado final.

Uma avaliação rigorosa exige distinguir três questões: o direito dos eleitores de chegar às urnas, a competência das instituições para determinar mudanças no horário e a existência de provas de que a execução da medida tenha provocado prejuízo eleitoral concreto.

O que o episódio revela sobre a Justiça Eleitoral

A conversa entre Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin, acompanhada por Edson Fachin, revela a necessidade de coordenação institucional em situações excepcionais. A decisão inicial precisou ser ajustada diante de uma limitação técnica concreta: urnas que já haviam encerrado formalmente a votação não poderiam simplesmente ser reabertas.

O caso também evidencia a importância de protocolos prévios para lidar com problemas de transporte, interrupções de energia, eventos climáticos e outras circunstâncias capazes de dificultar o acesso dos eleitores às seções.

Em eleições presidenciais, qualquer mudança de última hora precisa ser comunicada com clareza e aplicada de maneira uniforme. A transparência sobre os horários, as orientações enviadas aos tribunais regionais e os procedimentos adotados é essencial para que a população compreenda o que ocorreu.

A discussão não se resume a saber se era possível prorrogar a votação. É necessário esclarecer por que a decisão foi tomada naquele momento, como as instituições coordenaram sua execução e quais medidas foram adotadas para preservar a regularidade dos votos já registrados.

A principal conclusão é que a prorrogação foi ajustada após uma conversa entre os ministros, com a manutenção da votação apenas nas seções que ainda estavam abertas. O episódio merece análise institucional e explicações transparentes, mas não constitui, isoladamente, prova de fraude ou de alteração do resultado eleitoral.

Para a credibilidade da democracia, o direito de votar, a segurança dos procedimentos e a responsabilidade das autoridades precisam caminhar juntos. A Justiça Eleitoral deve estar preparada para responder a dificuldades concretas sem criar incertezas desnecessárias justamente no momento em que os eleitores mais precisam confiar na regularidade do processo.

Fontes de consulta: Times Brasil — Nunes Marques e Zanin acertaram extensão da votação em conversa com Fachin; TSE — esclarecimento sobre a prorrogação da votação; Agência Brasil — Nunes Marques comenta dificuldades causadas pela decisão.

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