
Quando a Justiça Usa Balança Torta: Direita Cai com um Sopro, Esquerda Passa com Tapete Vermelho
Enquanto uns são punidos com velocidade de raio, outros — com histórico de rachadinha, cueca recheada, assédio e agressões — atravessam o sistema como se tivessem passe VIP.
No Brasil, a Justiça parece seguir um padrão curioso: quando o alvo é um político de direita, o processo anda com a agilidade de um foguete; quando é alguém da esquerda, vira quase um ritual de indulgência — lento, cauteloso e cheio de “nuances”. E o caso do deputado Gilvan da Federal, condenado pelo TRE-ES por violência política de gênero contra Camila Valadão, cai exatamente nessa vitrine de contrastes.
O Tribunal concluiu nesta terça-feira (9) que Gilvan realmente ultrapassou os limites da crítica política ao mandar Camila “calar a boca” em uma sessão de 2021, atitude que, segundo os magistrados, teve caráter intimidatório e misógino. Resultado: multa de R$ 10 mil e possibilidade real de inelegibilidade por oito anos.
Justo? Sim, se houve agressão, tem de responder. Mas daí surge a pergunta que ecoa no país inteiro: por que alguns são punidos com tanto rigor, enquanto figuras da esquerda colecionam escândalos e continuam flutuando acima da lei como se fossem personagens sagrados?
Temos de tudo no currículo da turma protegida pelo “manto progressista”:
– deputado com dinheiro entocado na cueca que virou piada nacional;
– rachadinha explícita que vira “mal-entendido administrativo”;
– ministro acusado de assédio contra colegas;
– parlamentar que agride e empurra gente em plenário, mas segue impune;
– e por aí vai, numa lista que mais parece um inventário de casos constrangedores.
Enquanto isso, quando é alguém da direita, basta levantar a voz — ou cair no antipático do momento — e pronto: o sistema se arma como se estivesse enfrentando um vilão de novela.
No caso de Gilvan, o TRE manteve a condenação com maioria, mesmo havendo divergências sobre o tamanho da punição. A relatora confirmou a sentença original; outro magistrado queria pena ainda maior; e ao final, ficou tudo definido para que o deputado possa, sim, virar ficha-suja. Um movimento rápido, certeiro e exemplar.
Enquanto isso, quando se olha para outros lados, há processos parados, investigações esquecidas e decisões “sob análise” há anos. Uma pausa conveniente, quase coreografada.
A defesa de Gilvan ainda espera a publicação do acórdão para recorrer. Camila Valadão comemorou a decisão, afirmando que parlamentos não podem ser “abrigo para violência”. Está certa — mas poderia estender a crítica aos colegas dela também, que seguem impunes por situações muito mais graves.
No fim das contas, o caso escancara aquilo que o brasileiro já aprendeu a identificar de longe:
a Justiça eleitoral parece ter mão pesada para um lado e mãos de seda para o outro.
E assim seguimos, observando uma balança que deveria ser equilibrada, mas que insiste em pender sempre para o mesmo lado — quase como se a estátua da Justiça, em vez de vendada, estivesse só piscando para quem ela prefere proteger.