
Oruam “some” da tornozeleira 28 vezes em 43 dias — e só agora perceberam o óbvio?
STJ derruba habeas corpus, aponta risco real e rapper pode voltar pra cadeia a qualquer momento após sequência de falhas no monitoramento
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, voltou a ficar no centro de uma bomba judicial. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou o habeas corpus que impedia sua prisão preventiva, e agora ele pode ser preso novamente a qualquer momento.
E o motivo não é “detalhe técnico”, nem “coisa pequena”, como muita gente tenta empurrar com a barriga quando o caso envolve famoso.
Segundo a decisão do ministro Joel Ilan Paciornik, Oruam deixou de carregar a tornozeleira eletrônica 28 vezes em apenas 43 dias. Isso mesmo: praticamente um dia sim, outro também, o equipamento ficava sem bateria — e, com isso, o monitoramento virava um teatro.
O ministro foi direto ao ponto ao afirmar que essa sequência de “apagões” vai muito além de um simples problema de carregamento. Na prática, compromete o controle do Estado sobre a liberdade do acusado, porque sem tornozeleira funcionando, não existe fiscalização real.
Quando a tornozeleira vira enfeite
A tornozeleira eletrônica foi imposta como medida cautelar justamente para permitir que Oruam tivesse uma flexibilização após a prisão preventiva decretada. Era o famoso “você vai responder fora, mas com regras”.
Só que regra, nesse caso, parece ter virado sugestão.
Para o STJ, o descumprimento não pode ser tratado como “irregularidade administrativa”, e sim como uma conduta que representa risco concreto à ordem pública e ameaça a aplicação da lei penal.
Ou seja: o tribunal entendeu que não dá pra manter alguém solto com um monitoramento que, na prática, não monitora nada.
E aqui entra o repúdio inevitável: só agora perceberam que 28 falhas em 43 dias não é acidente?
Isso não é “esquecimento”, é padrão. É repetição. É comportamento.
Histórico: prisão, soltura e nova chance desperdiçada
Oruam, de 24 anos, ficou preso por 69 dias no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro. A tornozeleira foi uma das condições impostas para ele não continuar preso preventivamente.
Era uma chance de ouro: sair, cumprir as condições, responder ao processo e seguir o rito legal.
Mas, pelo visto, a tornozeleira virou um acessório que “desliga” quando convém.
As acusações que pesam contra o rapper
O caso é ainda mais sério porque Oruam não responde por pouca coisa. Ele foi preso em 25 de julho de 2025, e as investigações apontam que ele teria tentado impedir a Polícia Civil de cumprir um mandado de prisão contra um menor que estaria escondido em sua casa, na Zona Sul do Rio.
De acordo com a polícia, esse menor teria envolvimento com tráfico de drogas e roubo de carros.
Além disso, Oruam é filho de Marcinho VP, preso desde 1996 e apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV) — um detalhe que, gostem ou não, sempre pesa no contexto e nas suspeitas.
O músico foi indiciado por sete crimes:
- tráfico de drogas
- associação ao tráfico
- resistência
- desacato
- dano
- ameaça
- lesão corporal
O recado do STJ é claro
O que o STJ basicamente disse, sem floreio, foi: não dá pra brincar de liberdade monitorada.
Se a tornozeleira não funciona — por “falha” repetida, por descaso ou por escolha — o Estado perde o controle, e o processo vira uma piada perigosa, principalmente num Rio de Janeiro onde crime organizado e impunidade já caminham juntos há tempo demais.
No fim, a sensação que fica é revoltante: deram a chance, colocaram a condição, aceitaram o risco…
e só depois de 28 “apagões” resolveram agir como se isso fosse grave.
Como se fosse novidade. Como se fosse surpresa.