
Pagamento milionário levanta suspeitas: ligação entre contrato do GDF e repasse da J&F entra na mira
💰 Dinheiro, timing e coincidências: repasse de R$ 1 milhão aconteceu dias após acordo com o PicPay
A política brasileira, às vezes, parece seguir um roteiro repetido — e nesse caso, os acontecimentos chamam atenção pelo timing quase milimétrico.
O Grupo J&F, responsável pela plataforma de pagamentos PicPay, fez um repasse de R$ 1 milhão ao escritório de advocacia fundado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, poucos dias depois de fechar um contrato com o Governo do Distrito Federal (GDF).
Esse contrato autorizava o PicPay a oferecer antecipação salarial aos servidores públicos — com desconto direto no contracheque, um modelo que costuma atrair bastante adesão por facilitar o acesso ao dinheiro antes do fim do mês.
⏱️ Linha do tempo que chama atenção
📅 Contrato, publicação e pagamento em sequência
Os fatos seguem uma ordem que levanta questionamentos:
- 16 de setembro de 2024: o GDF firma acordo com o PicPay
- 30 de setembro: o credenciamento da empresa é oficializado no Diário Oficial
- 4 de outubro: ocorre o repasse de R$ 1 milhão ao escritório ligado ao governador
Ou seja, apenas 18 dias separam o contrato do pagamento — uma proximidade que passou a ser analisada com lupa após a divulgação de relatórios do Coaf.
📊 Valores muito além de um único pagamento
💸 R$ 34 milhões no total
De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviados à CPMI do INSS, o escritório recebeu ao todo cerca de R$ 34 milhões da J&F, distribuídos em várias parcelas ao longo do tempo.
Esse volume de dinheiro, somado à coincidência das datas, colocou o caso sob os holofotes.
🏦 PicPay sozinho no jogo
📱 Empresa foi a única habilitada até agora
A própria Secretaria de Economia do DF confirmou que, até o momento, apenas o PicPay concluiu todo o processo necessário para oferecer o serviço de antecipação salarial sem juros aos servidores.
Embora outras empresas tenham demonstrado interesse posteriormente, nenhuma ainda finalizou a habilitação.
🗣️ Defesa do governador
⚖️ “Não há nada de errado”, afirma Ibaneis
Ao ser questionado, Ibaneis Rocha negou qualquer irregularidade e destacou que não tem responsabilidade direta sobre o escritório.
Segundo ele, a banca presta serviços jurídicos ao grupo há anos, com centenas de processos em andamento, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
O governador também reforçou que o contrato com o PicPay foi resultado de um chamamento público — ou seja, aberto a diversas empresas — e que não houve favorecimento.
🏛️ Escritório reage e fala em criminalização da advocacia
📢 Nota destaca histórico e atuação técnica
O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria afirmou que atua há mais de 30 anos com reputação sólida e que já representou milhares de clientes.
Em tom firme, criticou o que chamou de tentativa de criminalizar a atividade jurídica, destacando que a advocacia é essencial para o funcionamento do Estado Democrático de Direito.
🏢 O que dizem J&F e Secretaria de Economia
🔍 Versões diferentes para o mesmo caso
A Secretaria de Economia reiterou seu compromisso com a transparência e afirmou que mantém pública a lista de empresas habilitadas.
Já a J&F adotou um tom mais duro: declarou que, se os relatórios mencionados forem reais, pode haver quebra ilegal de sigilo bancário — algo que deveria ser investigado pelas autoridades.
Além disso, a empresa reforçou que mantém relação profissional com o escritório há mais de uma década e negou qualquer ligação entre os pagamentos e decisões do governo.
⚠️ Entre coincidências e explicações
No fim das contas, o caso se apoia em um ponto sensível: a proximidade entre decisões públicas e movimentações financeiras privadas.
Para uns, trata-se apenas de coincidência dentro de relações comerciais antigas.
Para outros, o cenário levanta dúvidas que ainda precisam ser esclarecidas.
E como costuma acontecer em Brasília, quando dinheiro e poder aparecem na mesma história… dificilmente o assunto termina por aqui.