
Partido Novo oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e amplia frente contra Lula
Presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, anuncia adesão ao candidato do PL; Romeu Zema já havia declarado apoio e parlamentares eleitos do partido participaram da articulação em Brasília
O Partido Novo oficializou nesta quarta-feira (7) seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, durante pronunciamento em Brasília, ao lado do candidato do PL.
A decisão coloca oficialmente o Novo na campanha de Flávio Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda havia disputado o primeiro turno com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que terminou a primeira etapa da eleição fora do segundo turno e, na segunda-feira (5), já havia declarado publicamente seu apoio a Flávio.
Zema afirmou que não ficaria em cima do muro e declarou voto no candidato do PL. A posição do ex-governador antecipou a decisão que seria formalizada posteriormente pela direção nacional do partido.
Eduardo Ribeiro anuncia oficialmente a decisão
A formalização ocorreu em uma reunião entre Flávio Bolsonaro e integrantes do Novo no comitê de campanha do candidato, em Brasília.
Além de Eduardo Ribeiro, participaram da articulação integrantes da nova bancada eleita da legenda, entre eles os senadores eleitos Marcel van Hattem, Deltan Dallagnol e Lahesio Bonfim, além do líder do Novo na Câmara, Gilson Marques.
O encontro serviu simultaneamente para apresentar a nova bancada do partido e oficializar o apoio à candidatura de Flávio.
A decisão representa uma mudança importante no cenário construído durante o primeiro turno, quando Zema apresentou sua própria candidatura e fez críticas ao bolsonarismo.
Agora, diante da disputa entre Lula e Flávio, o Novo decidiu concentrar sua posição no candidato do PL.
Zema muda o foco da disputa
Durante o primeiro turno, Romeu Zema buscou apresentar-se como alternativa própria na corrida presidencial.
Depois do resultado das urnas, porém, o ex-governador passou a defender a união do campo político de direita em torno de Flávio Bolsonaro.
A declaração de Zema ocorreu antes mesmo da formalização partidária desta quarta-feira.
O ex-governador afirmou que não poderia permanecer neutro e declarou apoio a Flávio, associando sua decisão também à necessidade de enfrentar o PT no segundo turno.
A mudança mostra como o segundo turno reorganizou rapidamente as alianças políticas.
Candidatos que disputaram entre si durante o primeiro turno agora passam a atuar em torno de uma candidatura única.
Novo se junta a uma frente maior
O apoio do Novo ocorre um dia depois de a federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) também anunciar apoio a Flávio Bolsonaro.
O candidato do PL recebeu ainda o apoio individual do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), derrotado no primeiro turno, enquanto outras legendas de centro e centro-direita discutem sua posição para a segunda etapa da eleição.
A sequência de anúncios aumenta a quantidade de partidos e lideranças que passam a atuar em torno da candidatura do PL.
A articulação também conta com a participação do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem participando das conversas para ampliar a frente de apoio a Flávio.
A bancada eleita do Novo
A reunião desta quarta-feira também teve outro significado: apresentar os parlamentares que representarão o Novo no próximo Congresso Nacional.
Entre os nomes que estiveram ao lado de Eduardo Ribeiro estão Marcel van Hattem, Deltan Dallagnol, Lahesio Bonfim e Gilson Marques.
A nova composição do Congresso será uma das peças importantes da próxima legislatura, especialmente diante das propostas de reformas defendidas pelos candidatos.
Flávio Bolsonaro, inclusive, vem falando sobre a necessidade de mudanças constitucionais e de reformas no Judiciário e em outras áreas, o que dependeria de articulação com o Congresso.
Da disputa entre Zema e Flávio à aliança no segundo turno
A aproximação tem uma ironia política própria.
Durante a campanha do primeiro turno, Zema e Flávio Bolsonaro não estavam no mesmo palanque. O Novo tinha candidatura própria e buscava ocupar espaço dentro do eleitorado de direita.
Com o resultado das urnas, entretanto, a disputa mudou.
Agora, Zema declara apoio a Flávio, e o próprio partido formaliza a adesão.
A eleição obrigou adversários da primeira etapa a decidir entre apoiar um dos dois candidatos restantes ou permanecer neutros.
O Novo escolheu Flávio.
Eduardo Ribeiro e Flávio Bolsonaro
Ao anunciar o apoio, Eduardo Ribeiro passou a representar oficialmente a posição nacional do Partido Novo na disputa presidencial.
Flávio, por sua vez, recebeu a decisão como mais um passo na construção de sua aliança para o segundo turno.
O candidato do PL já havia agradecido publicamente a Zema pelo apoio e vinha buscando ampliar o diálogo com partidos de centro e centro-direita.
A presença conjunta de Ribeiro e Flávio nesta quarta-feira simboliza a transformação do apoio individual de Zema em uma posição formal da legenda.
Uma eleição que mudou de configuração
O segundo turno está produzindo uma reorganização acelerada do mapa político brasileiro.
O Partido Novo, que entrou na eleição com candidatura própria, agora passa a integrar oficialmente a campanha de Flávio Bolsonaro.
Romeu Zema, Eduardo Ribeiro, Marcel van Hattem, Deltan Dallagnol, Lahesio Bonfim e Gilson Marques estão entre os nomes do Novo que aparecem nesse processo de aproximação.
Do outro lado da disputa está Lula, candidato do PT à reeleição.
A partir de agora, a campanha entra em uma fase na qual alianças, propostas e capacidade de mobilização serão colocadas à prova diante do eleitor.
O que antes era uma disputa entre vários candidatos transformou-se em uma eleição presidencial entre dois nomes.
E o Novo já deixou clara sua escolha para essa segunda etapa:
o partido que apresentou Romeu Zema no primeiro turno agora oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.