
Perfil do filho de Alexandre de Moraes é hackeado e invasores publicam suposta reserva de R$ 77 mil no Uruguai
Conta de Alexandre Barci de Moraes foi invadida e recebeu publicações ofensivas; entre os conteúdos divulgados apareceu uma suposta reserva de hospedagem no Uruguai, cuja autenticidade não foi comprovada
O perfil no Instagram de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de uma invasão e passou a exibir publicações feitas pelos responsáveis pelo ataque.
Entre os conteúdos publicados pelos invasores estava a imagem de uma suposta reserva de hospedagem no Uruguai, com valor informado de aproximadamente R$ 77 mil. Até o momento, entretanto, não há comprovação independente de que a reserva tenha sido realmente realizada, tampouco de que a viagem tenha ocorrido.
O episódio ganhou repercussão em um momento particularmente delicado para a família de Alexandre de Moraes, justamente quando o ministro está no centro de uma crise institucional no STF relacionada às investigações do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e à divulgação de mensagens e documentos envolvendo autoridades.
Invasores assumiram o controle da conta
Segundo as informações divulgadas, os invasores conseguiram acesso ao perfil de Alexandre Barci de Moraes e utilizaram a conta para publicar conteúdos que não haviam sido produzidos pelo titular.
Além da suposta reserva de hospedagem no Uruguai, foram publicados comentários e mensagens de caráter ofensivo.
A invasão, portanto, é o fato confirmado. Já o conteúdo divulgado pelos hackers precisa ser tratado com cautela, especialmente porque uma imagem publicada em uma conta invadida não constitui, por si só, prova de que o documento apresentado seja verdadeiro.
Essa distinção é fundamental para evitar que uma invasão virtual seja utilizada para atribuir automaticamente ao titular da conta a autoria ou a veracidade das informações publicadas pelos invasores.
A suposta hospedagem de R$ 77 mil
O conteúdo que mais chamou atenção foi uma imagem apresentada como uma reserva de hospedagem no Uruguai.
O valor informado seria de aproximadamente R$ 77 mil.
A publicação provocou repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre quem teria realizado a reserva, para quem seria a hospedagem, qual seria o período da estadia e qual teria sido a origem dos recursos.
Mas, até o momento, essas perguntas não possuem respostas comprovadas.
Não há confirmação independente de que Alexandre Barci de Moraes tenha realizado a reserva, de que tenha efetivamente viajado ao Uruguai ou de que o valor tenha sido pago.
Por isso, a informação deve ser apresentada como “suposta reserva”, exatamente porque sua autenticidade não foi comprovada.
O episódio ocorre em meio à crise do Banco Master
A invasão ganhou uma dimensão política maior por ocorrer justamente durante uma das maiores crises internas enfrentadas pelo STF em 2026.
O nome da família Moraes passou a aparecer nos documentos relacionados ao Banco Master depois que foram divulgadas informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o escritório de advocacia da família.
Documentos publicados pelo STF mostram que o escritório de Viviane manteve contrato com o Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro, com previsão de aproximadamente R$ 131 milhões ao longo de três anos. O contrato incluía serviços jurídicos e consultoria estratégica perante órgãos como Polícia Federal, Polícia Civil, Banco Central, Receita Federal e Cade, além de atuação judicial e atividades de compliance.
O escritório afirma que os serviços foram efetivamente prestados e nega irregularidades.
A existência do contrato, por si só, não prova crime ou favorecimento ilícito.
Filho de Moraes também aparece em documentos relacionados ao caso
A repercussão do ataque digital aumentou porque Alexandre Barci de Moraes também foi citado em relatório da Polícia Federal relacionado às investigações sobre Daniel Vorcaro.
Segundo a imprensa, o relatório menciona que Vorcaro teria conseguido ingressos VIP para os filhos de Alexandre de Moraes, embora o documento divulgado não esclareça qual evento estaria relacionado aos ingressos.
Essa informação passou a ser analisada no contexto mais amplo das relações entre Vorcaro e integrantes do círculo de autoridades mencionadas na investigação.
É importante, porém, separar os fatos: a citação em um relatório ou a existência de ingressos não constitui automaticamente prova de crime.
A família Moraes no centro da repercussão
A situação envolvendo Alexandre Barci ocorre paralelamente à divulgação de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e à discussão sobre a atuação do ministro no caso Master.
O ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, tornou públicos documentos que passaram a alimentar o debate sobre as relações entre Vorcaro e diferentes autoridades.
Alexandre de Moraes reagiu acusando Mendonça de atuação seletiva na divulgação de informações, enquanto a Presidência do STF, comandada por Edson Fachin, determinou medidas para ampliar o acesso aos documentos do caso.
A crise deixou de ser apenas uma discussão sobre o Banco Master e passou a envolver questões sobre sigilo, competência, imparcialidade e limites da atuação dos próprios ministros do Supremo.
O escritório de Viviane Barci de Moraes
Outro elemento que colocou a família Moraes no centro das discussões foi o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.
O documento previa remuneração de cerca de R$ 3 milhões líquidos mensais durante 36 meses, chegando a aproximadamente R$ 108 milhões líquidos e cerca de R$ 131 milhões em valor bruto, considerando os tributos previstos.
O escritório informou que prestou serviços de consultoria jurídica e estratégica e que a relação profissional terminou após a liquidação do Banco Master.
Uma segunda proposta, envolvendo a Viking Participações, ligada a Vorcaro, previa R$ 50 milhões, mas não chegou a ser assinada.
OAB-DF também abriu procedimento contra o escritório
A repercussão do caso chegou à Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal.
A OAB-DF abriu procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci, que pertence à família de Viviane Barci de Moraes.
Segundo a entidade, o procedimento está relacionado aos elementos que vieram à tona nas investigações. O escritório, por sua vez, criticou a iniciativa e afirmou que a medida teria motivação política, defendendo que o caso respeite o contraditório e a ampla defesa.
Novamente, trata-se de um procedimento de apuração, e não de uma condenação.
Hackeamento aumenta a disputa nas redes sociais
A invasão do perfil também mostra como a crise institucional passou a ultrapassar os limites dos processos judiciais e alcançar diretamente pessoas ligadas aos protagonistas da disputa.
A utilização de uma conta pessoal para publicar documentos, acusações e mensagens ofensivas transforma uma invasão cibernética em instrumento de disputa política e de exposição pública.
Nesse cenário, qualquer documento divulgado pelos invasores precisa ser submetido a uma verificação independente antes de ser tratado como verdadeiro.
Isso vale especialmente para comprovantes de reservas, recibos, documentos financeiros ou imagens que possam ser facilmente manipulados ou retirados de contexto.
O que está comprovado e o que permanece sem comprovação
Há uma diferença importante entre os fatos.
Confirmado: o Instagram de Alexandre Barci de Moraes foi invadido e conteúdos não autorizados foram publicados na conta.
Divulgado pelos invasores: uma imagem apresentada como suposta reserva de hospedagem no Uruguai, no valor aproximado de R$ 77 mil.
Ainda sem comprovação independente: que a reserva tenha sido realmente feita por Alexandre Barci de Moraes, que ele tenha realizado a viagem, que o valor tenha sido efetivamente pago ou que eventual pagamento tenha origem irregular.
Essa diferença precisa ser preservada em qualquer reportagem responsável.
Um episódio que exige investigação, não conclusões precipitadas
A invasão do perfil é, por si só, um fato grave e deve ser investigada pelas autoridades competentes.
Também é necessário identificar os responsáveis pelo ataque, determinar como conseguiram acesso à conta e verificar se houve obtenção ou divulgação de dados privados.
Ao mesmo tempo, a divulgação de uma suposta reserva não deve ser transformada automaticamente em prova contra o titular do perfil.
No contexto da crise envolvendo o Banco Master e o STF, entretanto, o episódio inevitavelmente terá repercussão política.
A família do ministro Alexandre de Moraes já aparece em documentos e discussões relacionadas ao caso Master, enquanto o Supremo enfrenta uma disputa interna sobre a divulgação de informações e a condução das investigações.
Por isso, a transparência e a verificação independente dos documentos serão fundamentais para impedir que uma invasão criminosa seja utilizada tanto para fabricar acusações quanto para esconder fatos eventualmente verdadeiros.
PARTES ENVOLVIDAS
- Alexandre Barci de Moraes — advogado e filho do ministro Alexandre de Moraes; teve o perfil do Instagram invadido.
- Alexandre de Moraes — ministro do STF e pai de Alexandre Barci.
- Viviane Barci de Moraes — advogada e esposa do ministro; seu escritório manteve contrato com o Banco Master.
- Daniel Vorcaro — fundador do Banco Master e personagem central das investigações da Operação Compliance Zero.
- Banco Master — instituição financeira envolvida nas investigações.
- André Mendonça — ministro do STF e relator de procedimentos relacionados ao caso Master.
- Edson Fachin — presidente do STF, que determinou medidas relacionadas à ampliação do acesso aos documentos.
- OAB-DF — entidade que abriu procedimento ético-disciplinar contra sócios do escritório Barci & Barci.
- Polícia Federal — responsável por investigações que envolvem Daniel