
Pesquisa BTG/Nexus mostra equilíbrio na avaliação do governo Lula e disputa apertada para 2026
Levantamento aponta aprovação de 47% e desaprovação de 48% da gestão petista; presidente lidera corrida presidencial no primeiro turno, mas cenário revela forte polarização com Flávio Bolsonaro
A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece marcada pelo equilíbrio entre aprovação e rejeição, segundo a 8ª rodada da pesquisa BTG Nexus, realizada pelo instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados a pedido do Banco BTG Pactual. O levantamento divulgado nesta segunda-feira (3) mostra que 47% dos brasileiros aprovam a administração federal, enquanto 48% desaprovam o trabalho realizado pelo governo.
Outros 5% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder. Os números indicam estabilidade em relação ao levantamento anterior, divulgado no fim de julho, quando Lula tinha 47% de aprovação e 49% de desaprovação.
A pesquisa revela um cenário de disputa política altamente dividido às vésperas da eleição presidencial de 2026, com o governo mantendo uma base de apoio consolidada, mas também enfrentando resistência significativa em setores importantes do eleitorado.
Avaliação detalhada: governo divide opiniões entre “bom” e “ruim”
Quando os entrevistados foram questionados sobre a avaliação geral da administração Lula, 37% classificaram o governo como positivo, somando as respostas “ótimo” e “bom”. Desse grupo, 16% consideram a gestão ótima e 21% avaliam como boa.
Por outro lado, 43% classificaram o governo como ruim ou péssimo. A avaliação negativa é puxada principalmente pela categoria “péssimo”, escolhida por 35% dos entrevistados, enquanto 8% consideram o governo ruim.
Outros 18% definiram a administração como regular e 2% não responderam.
Os números mostram que, apesar de Lula manter apoio expressivo, existe uma parcela significativa da população que continua insatisfeita com a condução do país, principalmente em áreas relacionadas à economia, serviços públicos e segurança.
Mulheres e população de baixa renda são principais bases de apoio
O levantamento apresenta diferenças importantes de acordo com o perfil dos eleitores.
Entre as mulheres, Lula apresenta seu melhor desempenho: 54% aprovam o governo, enquanto 39% desaprovam. Entre os homens, o cenário se inverte: 58% rejeitam a gestão petista e 39% aprovam.
Na divisão por idade, o presidente tem maior apoio entre jovens de 16 a 24 anos, com 50% de aprovação, e entre pessoas com 60 anos ou mais, faixa em que chega a 53%.
Já entre eleitores de 25 a 40 anos, a desaprovação alcança 55%, contra 41% de aprovação. No grupo entre 41 e 59 anos, 50% desaprovam e 46% aprovam.
O fator renda também mostra uma diferença significativa. Entre famílias que recebem até um salário mínimo, a aprovação chega a 63%, enquanto a rejeição fica em 31%.
Conforme aumenta a renda, a resistência ao governo cresce. Entre quem recebe acima de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 54%, contra 43% de aprovação.
Diferença regional e religiosa marca cenário político
O Nordeste continua sendo a principal região de apoio ao presidente Lula. O levantamento aponta 52% de aprovação contra 42% de desaprovação.
No Sudeste, onde está concentrado o maior eleitorado do país, há equilíbrio: 48% aprovam e 47% desaprovam.
A maior rejeição aparece no Sul, onde 63% avaliam negativamente o governo e apenas 32% aprovam.
Na divisão por religião, Lula mantém melhor desempenho entre católicos, com 51% de aprovação e 45% de desaprovação.
Entre evangélicos, grupo considerado estratégico nas eleições, a rejeição é maior: 59% desaprovam o governo e 35% aprovam.
Entre pessoas sem religião, a aprovação chega a 59%.
Saúde e segurança aparecem como principais desafios do governo
Ao avaliar as áreas de atuação da administração federal, os entrevistados apontaram educação pública como o principal destaque positivo do governo, citada por 32% dos participantes.
A saúde pública aparece em segundo lugar, com 19%, seguida pelas relações diplomáticas e comerciais (11%), programas sociais (10%), redução da desigualdade social (6%), crescimento econômico (6%) e geração de empregos (4%).
No entanto, quando questionados sobre os principais problemas do governo, a saúde pública também aparece como maior crítica, mencionada por 22%.
A segurança pública ocupa o segundo lugar entre as preocupações, com 12% das citações, seguida pela educação (9%), baixo crescimento econômico (8%), aumento de impostos (5%) e combate à corrupção (5%).
O resultado mostra que serviços básicos continuam sendo pontos sensíveis para a avaliação popular da gestão federal.
Lula lidera primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro cresce como principal adversário
No cenário estimulado para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, Lula aparece na liderança com 41% das intenções de voto.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece logo atrás, com 37%, configurando uma disputa concentrada entre os dois principais nomes.
Na sequência aparecem:
- Ronaldo Caiado: 5%;
- Renan Santos: 4%;
- Romeu Zema: 3%.
Outros nomes testados somam 3%, enquanto votos brancos, nulos ou nenhum candidato representam 4%. Outros 3% não souberam responder.
Na pesquisa espontânea, quando os eleitores respondem sem receber uma lista de nomes, Lula aparece com 36%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 28%.
O levantamento mostra que a eleição tende a ser marcada pela polarização entre o atual presidente e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Aprovação do governo influencia diretamente intenção de voto
A pesquisa também cruzou a avaliação do governo com a preferência eleitoral.
Entre os eleitores que aprovam a gestão Lula, 83% afirmam que votariam no presidente no primeiro turno.
Já entre aqueles que desaprovam o governo, 88% dizem preferir Flávio Bolsonaro.
O dado indica que a avaliação da administração federal deve ser um dos principais fatores da disputa eleitoral.
Economia continua sendo ponto de preocupação para os brasileiros
A percepção sobre a economia permanece dividida.
Segundo a pesquisa, apenas 21% consideram a situação econômica atual do país ótima ou boa.
Outros 31% avaliam como regular, enquanto 47% classificam como ruim ou péssima.
Na comparação com o governo anterior, 39% afirmam que a economia melhorou, 13% dizem que permanece igual e 45% avaliam que piorou.
Quando a pergunta é sobre a própria situação financeira, o resultado é mais positivo: 47% afirmam estar melhor do que há quatro anos, enquanto 31% dizem estar pior.
Para os próximos seis meses, o otimismo aparece em relação à vida pessoal: 49% acreditam que sua situação financeira irá melhorar.
Sobre a economia brasileira, 40% esperam melhora, 25% acreditam em estabilidade e 29% projetam piora.
Eleição de 2026 entra em fase decisiva com cenário de empate político
A pesquisa BTG Nexus revela uma eleição marcada por equilíbrio entre forças políticas. Lula mantém liderança e uma base sólida em segmentos específicos, especialmente mulheres, eleitores de baixa renda e moradores do Nordeste.
Ao mesmo tempo, a rejeição ao governo permanece elevada, impulsionada principalmente por críticas à economia, segurança pública e serviços essenciais.
Com Flávio Bolsonaro consolidado como principal adversário, o cenário aponta para uma disputa nacional polarizada, na qual a avaliação do governo Lula e a percepção sobre o futuro econômico do país devem desempenhar papel central na decisão dos eleitores.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre 31 de julho e 2 de agosto de 2026, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI). A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02874/2026.