PF investiga desvio de recursos no Tocantins que financiou pousada de luxo do filho do governador

PF investiga desvio de recursos no Tocantins que financiou pousada de luxo do filho do governador

Entre os R$ 2,4 milhões desviados durante a pandemia, parte foi usada para erguer empreendimento na Serra de Taquaruçu; Wanderlei Barbosa é afastado por seis meses

A Polícia Federal identificou que recursos públicos desviados no Tocantins durante a pandemia de Covid-19 teriam sido usados para a construção de uma pousada de luxo em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). O empreendimento, chamado Pousada Pedra Canga, está localizado na Serra de Taquaruçu, distrito de Palmas, e recebeu aproximadamente R$ 2,4 milhões entre junho de 2022 e julho de 2024.

O governador Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo por seis meses por decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto a investigação sobre o esquema de desvios continua. A PF aponta que Barbosa é suspeito de chefiar a organização criminosa por trás do envio de recursos desviados para a pousada, além de outros empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais.

Entre as provas reunidas, há interceptações telefônicas que mostram conversas entre o filho do governador e o então chefe de gabinete do governador, Marcos Martins Camilo. Em uma delas, Rérison comenta que o pai não queria que os bens fossem colocados em seu nome, indicando uma tentativa de ocultar patrimônio. Para dar aparência de legalidade aos recursos investidos na pousada, os repasses foram registrados como “Investidor-Anjo”, termo usado no direito empresarial para aportes em novos negócios com participação futura.

A investigação também apura fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia, beneficiadas por emendas parlamentares, que totalizam quase R$ 5 milhões. A suspeita é que muitas cestas não foram entregues à população, e que os recursos foram desviados.

Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou que respeita a decisão do STJ, mas considera o afastamento “precipitado”, e ressaltou que durante a pandemia exercia apenas o cargo de vice-governador, não sendo responsável pelas ordens de pagamento. Ele afirmou ainda que determinou auditorias nos contratos e acionará meios jurídicos para reassumir o cargo e provar a legalidade de seus atos.

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