
PGR é favorável à visita de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, antes do fim da restrição
Paulo Gonet não se opõe ao pedido apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro; manifestação ocorre dois dias após Flávio avançar ao segundo turno na liderança da disputa presidencial
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente ao pedido para que Flávio Bolsonaro (PL) possa visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes do término da restrição atualmente em vigor.
O parecer foi apresentado nesta terça-feira (6) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou a manifestação da PGR sobre o pedido apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro.
A decisão ocorre em um momento politicamente significativo: o pedido foi protocolado na segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno das eleições presidenciais, no qual Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,16%.
PGR não vê impedimento para o encontro
Em sua manifestação, Gonet afirmou que não havia elementos novos que justificassem a manutenção da restrição.
A posição da PGR foi expressa nos seguintes termos:
“Considerando a ausência de fatos supervenientes indicativos de descumprimento das condições fixadas ou da necessidade de prorrogação da medida restritiva anteriormente determinada, a PGR não opõe óbice ao deferimento do pleito formulado.”
Na prática, o parecer abre caminho para que Flávio possa voltar a encontrar o pai antes de 11 de outubro, data prevista para o encerramento da suspensão específica das visitas.
Mas é importante destacar: a manifestação da PGR não autoriza automaticamente a visita. A decisão final cabe a Alexandre de Moraes.
Como surgiu a restrição
A proibição de Flávio visitar Jair Bolsonaro foi determinada por Moraes em julho e estabelecida pelo período de 90 dias.
A medida ocorreu depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai, na qual Jair Bolsonaro fazia manifestações de natureza política. Segundo a decisão de Moraes, a divulgação teria representado uma forma de utilização indireta das redes sociais, apesar das restrições impostas ao ex-presidente.
Desde então, Flávio ficou impedido de visitar o pai durante o período estabelecido.
Agora, a defesa sustenta que o prazo está próximo do fim e que não houve novos episódios que justificassem a continuidade de um regime excepcionalmente restritivo.
O pedido feito pela defesa
Os advogados de Jair Bolsonaro fizeram dois pedidos.
O principal é para que o regime ordinário de visitas seja restabelecido, permitindo novamente o acesso dos familiares de primeiro grau dentro das regras de fiscalização e segurança determinadas pelas autoridades.
De forma alternativa, caso o pedido mais amplo não fosse aceito, a defesa solicitou uma única visita de Flávio ao pai antes do término da restrição, com caráter exclusivamente familiar.
A defesa também afirmou que eventual encontro obedeceria integralmente às condições de segurança e fiscalização estabelecidas.
A coincidência com o resultado eleitoral
O momento do pedido inevitavelmente chama atenção.
A solicitação foi apresentada na segunda-feira, 5 de outubro, um dia após o primeiro turno. No domingo, Flávio Bolsonaro havia terminado a apuração na liderança da corrida presidencial.
O senador recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com aproximadamente 53,8 milhões, ou 45,16%.
É justamente nesse contexto que Jair Bolsonaro pede para voltar a receber o filho.
A defesa, porém, fundamentou o pedido no caráter familiar da visita e na proximidade do encerramento da medida, e não em qualquer direito eleitoral de Flávio.
Pai e filho separados durante a disputa eleitoral
O episódio também tem uma dimensão familiar.
Jair Bolsonaro está atualmente em prisão domiciliar e submetido a diversas restrições determinadas judicialmente. Flávio, por sua vez, tornou-se candidato à Presidência e avançou para o segundo turno.
A separação entre os dois ocorreu justamente durante uma das campanhas eleitorais mais importantes da trajetória política da família Bolsonaro.
Agora, depois do resultado do primeiro turno, a possibilidade de um reencontro ganha uma dimensão simbólica adicional.
Flávio passou para a segunda etapa da eleição e, ao mesmo tempo, busca autorização para visitar o pai antes que termine oficialmente a restrição determinada em julho.
PGR muda o cenário do pedido
A manifestação de Paulo Gonet representa uma mudança importante na situação processual do pedido.
Até então, a autorização dependia de uma manifestação da PGR solicitada por Moraes. Agora, o procurador-geral afirmou expressamente que não vê obstáculo ao deferimento.
Portanto, o cenário passa a ser:
Defesa de Jair Bolsonaro: pediu a retomada das visitas ou, alternativamente, uma visita específica de Flávio.
Alexandre de Moraes: encaminhou o pedido à PGR e aguarda a manifestação antes de decidir.
PGR: não apresentou oposição ao pedido.
Decisão final: continua nas mãos de Alexandre de Moraes.
A restrição termina em 11 de outubro
Outro ponto importante é que a medida já possui prazo definido.
A suspensão específica da visita de Flávio foi determinada em 13 de julho de 2026, por 90 dias, com término previsto para 11 de outubro.
Ou seja, a discussão acontece poucos dias antes do fim da própria restrição.
É exatamente por isso que a defesa argumenta que não haveria razão para prolongar uma medida excepcional caso não tenham ocorrido novos episódios de descumprimento.
Agora, a palavra está com Moraes
Com a manifestação favorável da PGR, o pedido entra em uma nova etapa.
Paulo Gonet não encontrou, segundo seu parecer, fatos supervenientes que justificassem a manutenção da restrição e afirmou não se opor à solicitação.
Mas a palavra final ainda é de Alexandre de Moraes.
A eventual autorização poderá permitir que Flávio encontre Jair Bolsonaro antes de 11 de outubro, desde que sejam observadas as condições de segurança e fiscalização determinadas pelas autoridades.
O episódio ocorre em meio ao segundo turno presidencial, no qual Flávio Bolsonaro enfrenta Lula após terminar o primeiro turno na liderança.
Assim, a PGR deu um passo favorável ao reencontro entre pai e filho; agora, cabe a Moraes decidir se Flávio poderá visitar Jair Bolsonaro antes do fim da restrição.