
PT leva denúncia à PGR e aponta influência de Trump no PL
Partido pede investigação sobre Trump, Musk e Bolsonaro em suposta tentativa de controlar a sigla de Valdemar
O PT entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo que seja investigada uma possível interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Partido Liberal (PL), legenda de Jair Bolsonaro.
O documento foi protocolado em 25 de agosto por Leonardo Carvalho Bastos, conselheiro de ética do PT em Sapucaia do Sul (RS), e solicita apurações de natureza criminal, administrativa e também eleitoral.
Segundo a peça, Trump teria articulado para assumir influência direta no PL, com apoio da família Bolsonaro. A acusação se apoia em relatos de Maria Christina Mendes Caldeira, ex-esposa de Valdemar Costa Neto, presidente da legenda. Em encontro com dirigentes petistas em maio de 2024, Maria Christina afirmou que Trump chegou a oferecer ajuda financeira em um processo judicial nos EUA em troca de apoio para tirar Valdemar da presidência do partido. “Se Trump ganhar a eleição, no dia seguinte, Valdemar está fora do PL”, teria declarado.
A denúncia também cita Elon Musk, que, de acordo com o relato, teria enviado mensagens à testemunha com críticas à esquerda brasileira, reforçando a pressão. Além disso, um emissário ligado ao Partido Republicano de Nova York teria participado das articulações.
Diante disso, o PT pede a abertura de ação de impugnação de mandato contra Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro, o acoplamento das apurações ao inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado e até mesmo a cassação do registro do PL, o que resultaria na extinção do partido.
Na argumentação, os petistas afirmam que a tentativa de “dominar” um partido político brasileiro por meio de um governo estrangeiro viola a Constituição e a lei dos partidos, que proíbem expressamente a subordinação a interesses externos e o uso de recursos internacionais.