
Renan Santos chama Lula e Flávio Bolsonaro de “covardes” por faltarem a debate e promete ofensiva contra o crime organizado
Candidato do Missão critica ausência dos dois principais adversários em debate da Band e defende estado de defesa, GLO, superpresídios e intervenção federal em estados que, segundo ele, não enfrentarem facções criminosas
O candidato à Presidência da República Renan Santos, do Missão, elevou o tom contra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (23), durante o debate entre presidenciáveis promovido pela Band. Os dois candidatos não compareceram ao encontro, assim como Romeu Zema, e deixaram vazios os púlpitos reservados aos três.
Renan Santos aproveitou a ausência dos adversários para fazer uma crítica contundente. O candidato classificou Lula e Flávio Bolsonaro como “criminosos” e “covardes”, acusando-os de desrespeitar os eleitores ao não participarem do debate.
Segundo Santos, a ausência seria especialmente grave diante da situação da segurança pública no país.
“Com o país completamente em crise, esses dois criminosos [Lula e Flávio Bolsonaro] não vieram ao debate. Desrespeitaram os brasileiros.”
Na avaliação do candidato do Missão, Lula e Flávio protagonizam uma disputa política intensa nas redes sociais, mas evitam um confronto direto diante dos eleitores.
Santos afirmou que os dois “vivem brigando na internet” e ironizou as disputas envolvendo apoiadores e familiares dos candidatos.
“Vivem brigando na internet, colocando seus cachorros para ficarem discutindo, mas eles próprios são covardes.”
O presidenciável ainda associou a ausência dos adversários ao problema da violência no país. Para ele, os candidatos deveriam apresentar diretamente ao eleitor suas propostas para enfrentar facções criminosas e reduzir os índices de criminalidade.
“Vocês [Lula e Flávio Bolsonaro] não ligam para as vidas brasileiras que morrem todo ano por conta da criminalidade e do crime organizado”, afirmou.
Segurança pública vira eixo central da campanha
A segurança pública foi um dos principais temas explorados por Renan Santos. O candidato apresentou uma estratégia que, segundo ele, pretende realizar uma ofensiva nacional contra organizações criminosas.
Entre as propostas mencionadas estão a decretação de estado de defesa em regiões dominadas por facções, o emprego das Forças Armadas por meio de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), a construção de superpresídios e uma integração mais ampla entre as forças de segurança dos estados.
Santos defendeu uma atuação federal mais agressiva nas áreas consideradas tomadas pelo crime organizado.
“Vamos declarar estado de defesa, colocar em GLO, regiões tomadas pelo crime organizado, o que vai permitir às forças de segurança atuar para destruir, para eliminar esses caras.”
Em seguida, utilizou uma linguagem ainda mais dura para descrever sua estratégia:
“Eu estou falando em passar a rapa nesses caras.”
A proposta coloca a segurança pública no centro do discurso eleitoral do candidato e estabelece uma diferença de tom em relação aos adversários. Santos tenta apresentar-se como um candidato disposto a adotar medidas excepcionais contra organizações criminosas, especialmente em áreas onde considera que o poder público perdeu capacidade de controle.
Críticas aos governos do Ceará e da Bahia
Renan Santos também direcionou críticas específicas aos governos estaduais do Ceará e da Bahia, ambos comandados por integrantes ou aliados do campo político associado ao PT.
O candidato afirmou que os governos desses estados não estariam enfrentando o crime organizado com a intensidade necessária.
“Eu vou dar um exemplo, Ceará e Bahia, governo do PTismo, esses cara têm vergonha de enfrentar o crime organizado.”
Santos também afirmou que os números de violência seriam, em sua avaliação, um indicativo de que a estratégia adotada pelos governos estaduais não estaria funcionando.
“Estão deixando a população morrer, as estatísticas estão contra eles”, declarou.
A partir dessa crítica, o presidenciável apresentou uma das propostas mais controversas de seu discurso: a possibilidade de intervenção federal caso governadores reeleitos, segundo ele, se recusem a enfrentar as organizações criminosas.
Candidato promete intervenção federal
Santos afirmou que, caso seja eleito presidente, poderá intervir nos estados que não adotarem uma política de combate ao crime compatível com seu programa de governo.
“Se eles forem reeleitos, eu vou fazer uma intervenção no caso deles não desejarem enfrentar o crime organizado”, declarou.
A fala acrescenta uma dimensão institucional ao discurso de endurecimento na segurança pública. A eventual intervenção federal, contudo, não é uma medida que o presidente possa simplesmente determinar por decisão política ordinária: a Constituição estabelece hipóteses e procedimentos específicos para a intervenção nos estados.
O discurso de Santos, portanto, combina a promessa de uma atuação federal mais dura com uma defesa de medidas excepcionais de segurança, como estado de defesa e GLO.
O candidato encerrou sua declaração reafirmando que pretende transformar o combate às organizações criminosas em uma das principais marcas de eventual governo.
“Nós vamos enfrentar o crime organizado como nunca antes nesse país.”
Debate ocorre sem Lula, Flávio e Zema
O confronto eleitoral da Band/Estadão ocorreu com a participação de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos. Os púlpitos destinados a Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema permaneceram vazios.
A ausência dos candidatos que ocupam posições de destaque na disputa presidencial acabou se transformando, ela própria, em um dos assuntos políticos da noite.
Para Renan Santos, a decisão de não participar representou uma oportunidade perdida de apresentar propostas e responder diretamente aos demais candidatos.
O episódio também evidencia uma característica da campanha de 2026: a disputa entre candidatos que ocupam posições diferentes no espectro político ocorre simultaneamente nas redes sociais, nos programas eleitorais, nas pesquisas e nos debates públicos.
No caso de Renan Santos, o ataque direto a Lula e Flávio Bolsonaro procura estabelecer uma terceira via de confronto, mirando simultaneamente o campo governista e o bolsonarismo.
Disputa pela segurança ganha espaço na eleição
A segurança pública aparece como um dos temas capazes de mobilizar o eleitorado e produzir discursos de forte impacto durante a campanha. Ao apostar em expressões como “destruir”, “eliminar” e “passar a rapa”, Renan Santos procura construir uma imagem de candidato de linha dura contra as facções criminosas.
Ao mesmo tempo, suas propostas levantam questões sobre os limites constitucionais da atuação federal, o papel das Forças Armadas na segurança interna e as condições jurídicas para eventual intervenção nos estados.
A estratégia eleitoral é clara: transformar a crise de segurança em uma crítica direta aos governos estaduais e ao governo federal e apresentar-se como alternativa para uma política considerada mais rígida.
No debate deste domingo, porém, o primeiro embate de Santos não ocorreu diretamente com Lula ou Flávio Bolsonaro. O confronto foi feito à distância, diante de púlpitos vazios que acabaram se tornando parte do cenário político da noite.
Contexto: as declarações de Renan Santos foram publicadas pelo Correio Braziliense em 23 de agosto de 2026, em reportagem assinada por Caetano Yamamoto, sob supervisão de Ana Raquel Lelles. As acusações e qualificações dirigidas a Lula e Flávio Bolsonaro são declarações do candidato, e não fatos comprovados pela reportagem.