
Renato Gaúcho defende auxiliar, critica cobertura da imprensa e declara “sou Bolsonaro”; técnico afirma que Alexandre Mendes é inocente e questiona julgamento antes do fim do processo
Após o empate por 1 a 1 no Gre-Nal, treinador do Grêmio saiu em defesa do auxiliar Alexandre Mendes, detido por suspeita de descumprir medida protetiva solicitada pela ex-companheira. Renato afirmou ser favorável à prisão de quem agride mulheres, mas disse que não manteria o profissional na comissão técnica caso uma agressão fosse comprovada. Ao criticar a cobertura jornalística do caso, declarou: “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”.
O técnico Renato Gaúcho se manifestou publicamente sobre a situação de seu auxiliar, Alexandre Mendes, e declarou apoio político à família Bolsonaro durante entrevista coletiva realizada no domingo, 11 de outubro de 2026, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. A entrevista ocorreu depois do empate por 1 a 1 entre Grêmio e Internacional, em partida válida pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O treinador criticou a maneira como a imprensa noticiou a detenção de Mendes, afirmou acreditar na inocência do profissional e questionou, em sua avaliação, a diferença entre a repercussão da prisão e a divulgação dos desdobramentos posteriores. Ao encerrar a resposta, associou sua insatisfação com a cobertura jornalística à sua posição política e declarou: “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”. A fala foi interpretada como uma manifestação de apoio à família Bolsonaro no segundo turno presidencial, disputado por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No trecho divulgado, Renato não mencionou expressamente o primeiro nome de Flávio.
O episódio ganhou repercussão por reunir três temas distintos: a situação judicial de Alexandre Mendes, a responsabilidade da imprensa ao noticiar uma detenção e o posicionamento político de uma figura conhecida do futebol brasileiro.
“Sou a favor da prisão do cara que bate na mulher”, afirma Renato
Durante a coletiva, Renato procurou deixar clara sua posição declarada contra a violência contra mulheres. O treinador afirmou ser favorável à prisão de quem agride uma mulher e disse que não manteria Alexandre Mendes trabalhando com ele caso uma agressão fosse comprovada.
“Sou a favor da prisão do cara que bate na mulher. O dia que ele fizer isso ele não vai mais trabalhar comigo”, afirmou o técnico, conforme a transcrição divulgada pelo Poder360.
A declaração é relevante porque Renato não defendeu, em suas palavras, a prática de violência contra mulheres. Sua argumentação foi direcionada à presunção de inocência do auxiliar e ao que considera uma cobertura jornalística injusta antes de uma conclusão definitiva sobre as acusações.
O treinador também disse que o caso já havia sido alvo de acusações anteriores e criticou o que considerou uma exposição excessiva do profissional. Em sua avaliação, parte da imprensa teria dado grande destaque à detenção, mas não teria concedido a mesma atenção aos acontecimentos posteriores.
A fala provocou debate porque, em casos envolvendo violência doméstica, é necessário conciliar dois princípios fundamentais: o direito de qualquer pessoa à presunção de inocência e a importância de levar a sério denúncias de violência e medidas protetivas destinadas à segurança de mulheres.
Defender que alguém não seja tratado como culpado antes de uma decisão judicial não significa desconsiderar a palavra da pessoa que denunciou, assim como a existência de uma acusação não permite declarar alguém culpado antecipadamente.
Quem é Alexandre Mendes e por que foi detido?
Alexandre Mendes integra a comissão técnica de Renato Gaúcho no Grêmio. Ele foi detido na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, sob suspeita de descumprir uma medida protetiva solicitada pela ex-companheira. Segundo as informações divulgadas pelo SBT News, a medida estava em vigor desde março daquele ano.
O caso tem antecedentes judiciais. Conforme a reportagem, em agosto de 2024 foi registrado um boletim de ocorrência que mencionava suspeitas de agressões físicas. Em julho de 2025, Mendes tornou-se réu após denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul relacionada à suposta prática de violência psicológica contra a ex-companheira.
A detenção mais recente ocorreu após ele comparecer a um evento agropecuário em Esteio, no Rio Grande do Sul, onde também estava a mulher que havia solicitado a medida protetiva. Ele foi liberado no dia seguinte, após a revogação da prisão preventiva, e retomou suas atividades profissionais no sábado, véspera do clássico entre Grêmio e Internacional.
É fundamental esclarecer um ponto: a liberação da prisão preventiva não equivale a uma absolvição definitiva. A reportagem do SBT News informa que o processo ainda estava em fase de instrução criminal e não tinha sentença. Portanto, embora Renato tenha afirmado que o Ministério Público teria inocentado seu auxiliar, essa declaração deve ser entendida como a versão apresentada pelo treinador, e não como confirmação de que Alexandre Mendes tenha sido judicialmente absolvido.
A revogação da prisão significa que a medida de prisão preventiva foi desfeita. A responsabilidade criminal pelos fatos investigados depende do andamento do processo e da decisão judicial competente.
Renato acusa a imprensa de dar destaque excessivo à prisão
Um dos principais pontos da manifestação de Renato foi a crítica aos jornalistas que cobriram a detenção do auxiliar. O treinador afirmou que, em sua avaliação, houve precipitação ao expor o caso e questionou por que a prisão recebeu destaque enquanto os desdobramentos posteriores não teriam obtido a mesma repercussão.
“É a sétima ou oitava vez que acusam o cara e o cara é inocente”, afirmou Renato, segundo a transcrição publicada pelo SBT News. Ele também pediu que os jornalistas deixassem de conceder, em sua avaliação, espaço excessivo a pessoas envolvidas em acusações ainda não definitivamente julgadas.
A crítica de Renato levanta uma discussão legítima sobre a responsabilidade da imprensa: notícias sobre detenções e investigações precisam distinguir suspeitas, acusações formais, decisões cautelares e condenações. Uma prisão não autoriza o jornalista a apresentar a pessoa como culpada, e uma eventual revogação da prisão também precisa ser noticiada de forma clara.
Ao mesmo tempo, o dever de informar não desaparece porque um investigado foi liberado. A existência de uma medida protetiva, de um processo criminal ou de uma nova ocorrência pode ser de interesse público, desde que os fatos sejam apresentados com precisão, sem antecipar julgamentos e respeitando a privacidade das pessoas envolvidas.
Assim, a discussão não deve se limitar a escolher entre a versão do treinador e a cobertura jornalística. O caminho adequado é verificar os documentos judiciais, identificar o estágio do processo e separar aquilo que está comprovado das alegações que ainda precisam ser examinadas.
“É por isso que sou Bolsonaro”: declaração política repercute no segundo turno
A declaração política ocorreu ao final da resposta de Renato sobre a imprensa e o caso de Alexandre Mendes. Depois de criticar a cobertura da detenção, o técnico afirmou: “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”.
A frase foi interpretada como demonstração de apoio à família Bolsonaro durante o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro, do PL, disputa a Presidência com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em votação marcada para 25 de outubro.
Renato não mencionou expressamente o primeiro nome de Flávio no trecho divulgado. Ainda assim, o contexto eleitoral levou veículos de comunicação a relacionar a declaração à disputa presidencial e ao posicionamento político do treinador.
A manifestação também reforçou o debate sobre a participação de personalidades esportivas em discussões políticas. Como figura pública, Renato tem o direito de expressar suas convicções e criticar a cobertura da imprensa. Da mesma forma, suas declarações podem ser examinadas publicamente, sobretudo quando relacionam um caso judicial em andamento a uma posição eleitoral.
É importante, contudo, não transformar a fala em uma afirmação de que Bolsonaro ou qualquer candidato tenha interferido no processo de Alexandre Mendes. As reportagens consultadas não apresentam evidências de tal interferência. O que está documentado é a associação feita pelo próprio Renato entre sua insatisfação com a cobertura jornalística e sua declaração política.
O contexto esportivo: empate no Gre-Nal e pressão sobre o Grêmio
A entrevista aconteceu depois do clássico entre Grêmio e Internacional, que terminou empatado em 1 a 1 na Arena do Grêmio. O Internacional abriu o placar com Vitinho, e o Grêmio chegou ao empate na etapa final, com gol do zagueiro Wallace.
Com o resultado, segundo o Poder360, o Grêmio chegou a 31 pontos e permaneceu na 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento. O próximo compromisso citado na reportagem seria contra o Cruzeiro, no domingo, 18 de outubro, às 16h, na Arena do Grêmio.
O cenário esportivo aumentou a repercussão da coletiva, que deixou de tratar exclusivamente do resultado do Gre-Nal e passou a envolver a situação judicial do auxiliar, as críticas à imprensa e o posicionamento político de Renato.
Presunção de inocência exige rigor, não conclusões antecipadas
A fala de Renato Gaúcho colocou em evidência uma questão que exige cuidado: ninguém deve ser considerado culpado antes da conclusão do processo, mas a existência de uma acusação também não deve ser usada para desqualificar automaticamente quem denuncia.
A presunção de inocência protege o investigado contra condenações antecipadas. Ela não representa, porém, uma declaração de que a acusação é falsa, nem substitui a análise das provas. Da mesma maneira, uma medida protetiva não é uma condenação criminal, mas é uma providência judicial que deve ser respeitada enquanto estiver em vigor.
No caso de Alexandre Mendes, as informações disponíveis indicam que ele foi detido por suspeita de descumprimento de medida protetiva, teve a prisão preventiva revogada e voltou ao trabalho. A reportagem também informa que o processo relacionado à acusação de violência psicológica ainda não tinha sentença.
Portanto, a formulação mais precisa não é afirmar categoricamente que ele foi inocentado, mas registrar que foi liberado após a revogação da prisão preventiva e que, segundo as informações publicadas, o processo ainda estava em andamento. Caso exista uma decisão posterior de arquivamento, absolvição ou outra medida definitiva, ela precisará ser confirmada em documentação judicial atualizada.
O que fica da declaração de Renato Gaúcho
Renato defendeu publicamente seu auxiliar, criticou a cobertura jornalística e afirmou que não toleraria a permanência de um profissional acusado de agressão caso a prática fosse comprovada. Ao mesmo tempo, declarou apoio à família Bolsonaro, vinculando sua posição política à insatisfação com o tratamento dado ao caso pela imprensa.
O episódio permite discutir a responsabilidade dos veículos de comunicação, o direito à presunção de inocência e a importância de proteger mulheres que denunciam violência. Esses princípios não precisam ser tratados como incompatíveis: é possível cobrar rigor jornalístico e respeito ao devido processo legal sem minimizar denúncias ou antecipar o resultado de uma investigação.
A declaração “sou Bolsonaro” tornou pública a posição política do treinador, mas não altera a situação judicial de Alexandre Mendes. O que determinará o desfecho do caso serão os elementos apresentados no processo e as decisões das autoridades competentes, e não o apoio ou a crítica de uma personalidade esportiva.