REPÚDIO À INTOLERÂNCIA: Igreja evangélica é vandalizada em Brasília com frases ofensivas à fé cristã; liberdade religiosa não pode ser alvo de ataques políticos

REPÚDIO À INTOLERÂNCIA: Igreja evangélica é vandalizada em Brasília com frases ofensivas à fé cristã; liberdade religiosa não pode ser alvo de ataques políticos

Pichações com as expressões “fascistas” e “Deus é gay” atingiram o muro da igreja Núcleo da Fé, no Distrito Federal, após o segundo turno das eleições. O episódio merece repúdio, investigação e responsabilização dos envolvidos. Nenhuma divergência política ou ideológica justifica desrespeitar um espaço de culto religioso.

Um episódio lamentável de vandalismo e desrespeito à liberdade religiosa foi registrado em Brasília, no Distrito Federal. A igreja evangélica Núcleo da Fé, localizada no bairro Noroeste, teve seu muro pichado com as frases “fascistas” e “Deus é gay”. As inscrições teriam sido feitas entre os dias 25 e 26 de outubro, logo após o segundo turno das eleições de 2026.

O caso ultrapassa a discussão sobre uma simples intervenção em uma parede. Trata-se de um ataque contra um espaço dedicado à manifestação da fé, frequentado por pessoas que têm o direito constitucional de professar suas crenças, reunir-se para orar e exercer livremente sua religião.

É preciso deixar claro: ninguém é obrigado a concordar com a orientação política de um pastor, com a posição de uma igreja ou com os valores defendidos por determinada comunidade religiosa. Entretanto, discordar não significa ter autorização para vandalizar, provocar ou desrespeitar a fé alheia.

A democracia não pode funcionar apenas quando as opiniões são convenientes a determinados grupos. A liberdade de expressão não transforma o patrimônio dos outros em espaço para manifestações de hostilidade.

ORAÇÃO, REPÚDIO E REAÇÃO DA COMUNIDADE RELIGIOSA

Após o episódio, fiéis da Núcleo da Fé se reuniram diante do muro pichado para realizar uma oração no domingo, 1º de novembro. Em manifestação nas redes sociais, a instituição afirmou que permanecerá firme em sua missão religiosa, sem permitir que o ocorrido interrompa suas atividades.

A igreja declarou: “Permanecemos firmes na fé, com a certeza de que Deus continua agindo neste lugar”.

A comunidade também informou que continuaria anunciando Jesus, servindo aos moradores da região e orando inclusive pelas pessoas responsáveis pelas pichações.

Em nota oficial, a instituição manifestou repúdio ao vandalismo e classificou o episódio como desrespeito à liberdade religiosa e à fé cristã. Ressaltou ainda que intolerância, desrespeito e violência não podem encontrar espaço em uma sociedade democrática, independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos.

A postura merece reconhecimento. A resposta a um ato de vandalismo não deve ser outro ato de violência, mas a busca por justiça, identificação dos responsáveis e respeito às instituições.

DEPUTADO ACIONA O MINISTÉRIO PÚBLICO

O episódio também provocou reação política e institucional. O deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP) protocolou, na terça-feira, 3 de novembro, uma notícia de fato no Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), solicitando a apuração do caso.

O parlamentar argumentou que as inscrições atingem a comunidade religiosa, ridicularizam a divindade cultuada pelos fiéis e associam os frequentadores do templo a uma classificação política.

Entre as possíveis infrações que deverão ser analisadas estão discriminação ou preconceito religioso, ultraje a culto, pichação de edificação urbana e dano. A definição de eventual responsabilidade criminal dependerá da investigação e da análise das autoridades competentes.

O líder da igreja, pastor Ibi Batista, foi candidato a suplente de senador na chapa de Sebastião Coelho, pelo Novo. A candidatura não conquistou a vaga. Essa circunstância, porém, não autoriza ninguém a transformar uma igreja em alvo de hostilidade por causa de suas ligações ou posicionamentos políticos.

A POLÍTICA NÃO PODE JUSTIFICAR A INTOLERÂNCIA

O que chama a atenção é o contexto em que o episódio aconteceu: logo depois de uma eleição marcada por disputas, divergências e forte polarização política.

Independentemente de quem venceu ou perdeu nas urnas, o resultado eleitoral não concede a ninguém o direito de perseguir adversários, atacar instituições religiosas ou intimidar pessoas por suas convicções.

É justamente nos momentos de maior tensão que os princípios democráticos precisam ser defendidos com mais firmeza.

Se uma igreja evangélica fosse vandalizada por pessoas contrárias à sua fé, a indignação deveria ser a mesma. Se uma instituição católica, espírita, judaica, islâmica ou de qualquer outra tradição religiosa fosse atacada, o repúdio também deveria ser imediato.

A liberdade religiosa não pode ser seletiva. Não pode depender da preferência ideológica de quem observa o episódio, nem da posição política de quem frequenta determinado templo.

Também é necessário fazer uma distinção: a frase “Deus é gay”, isoladamente, pode ser interpretada como uma manifestação de opinião ou provocação. O problema concreto está no contexto em que foi utilizada, acompanhada de outra inscrição e aplicada sem autorização no muro de uma instituição religiosa. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias e a motivação dos responsáveis.

REPÚDIO TOTAL AO VANDALISMO E À INTOLERÂNCIA

É inadmissível que, em pleno século XXI, espaços religiosos precisem conviver com ataques dessa natureza. Uma sociedade verdadeiramente democrática deve proteger o direito de acreditar, de não acreditar, de discordar e de manifestar opiniões, sem transformar divergências em perseguição.

A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença, protege o livre exercício dos cultos religiosos e garante a proteção aos locais de culto e suas liturgias.

Por isso, o episódio ocorrido em Brasília merece repúdio. Não importa se os responsáveis possuem posicionamento de esquerda, direita ou qualquer outra orientação política. A autoria precisa ser identificada, os fatos esclarecidos e, caso sejam constatadas infrações, os responsáveis devem responder na forma da lei.

Não se constrói uma democracia destruindo o patrimônio alheio, ridicularizando a fé dos outros ou tentando intimidar comunidades religiosas.

A liberdade que alguém exige para expressar suas próprias convicções precisa ser respeitada também quando o outro pensa diferente.

A fé não deve ser instrumento de perseguição, e a política não pode servir de desculpa para o vandalismo. Respeitar a liberdade religiosa não é uma concessão ideológica: é um princípio democrático e constitucional.

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