
A Visita que Chocou: Michelle leva a filha para ver Bolsonaro na cadeia
Ex-primeira-dama aparece com Bíblia, camiseta de Israel e leva a adolescente Laura para encontrar o ex-presidente condenado por tentar dar um golpe — uma cena que expõe a normalização do inaceitável.
A manhã desta quinta-feira (3) escancarou mais um capítulo sombrio da história recente do país. Michelle Bolsonaro apareceu na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar Jair Bolsonaro — preso desde 22 de novembro por comandar a tentativa de golpe de Estado. E, desta vez, levou consigo a filha Laura, de apenas 15 anos.
As imagens, que circularam rapidamente, mostram Michelle segurando uma Bíblia e usando uma camiseta estampada com referências à bandeira de Israel. Um figurino cuidadosamente escolhido, mas incapaz de disfarçar o absurdo da cena: uma mãe conduzindo uma adolescente para visitar um condenado por tentar atropelar a democracia.
Elas chegaram por volta das 9h30 e permaneceram no prédio por cerca de uma hora. Nenhuma das duas falou com a imprensa ao deixar o local — talvez porque não exista justificativa aceitável para transformar um momento de custódia judicial em ritual simbólico.
Enquanto isso, Carlos Bolsonaro, que também tinha autorização para visitar o pai, não apareceu. Tentou até mudar sua visita para o dia do próprio aniversário, mas Alexandre de Moraes negou. Nas redes, o vereador protestou como se a prisão do pai fosse um inconveniente pessoal, e não o resultado de uma condenação gravíssima.
As regras de visita são claras: atendimento individual, terças e quintas, entre 9h e 11h, por no máximo 30 minutos. Norma que Flávio Bolsonaro seguiu no dia anterior, quando esteve com o pai e relatou que a família discutiu até desavenças políticas internas — como se tudo não passasse de um grande mal-entendido doméstico, e não de um crime contra o Estado.
Enquanto isso, Bolsonaro segue detido em uma sala de 12 metros quadrados recém-reformada, com cama, TV aberta, ar-condicionado e banheiro privativo. A rotina tranquila contrasta com a gravidade da sentença: 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe contra o Brasil.
E é justamente por isso que a visita de hoje causa tão profundo repúdio. Porque simboliza a bizarrice de um país que ainda trata como figura pública respeitável alguém condenado por afrontar a Constituição. E, pior, expõe uma adolescente a um cenário que jamais deveria ser banalizado.
Uma coisa é visitar um parente. Outra, bem diferente, é transformar uma condenação histórica em ato político, religioso ou emocionalmente fabricado.
A democracia sangrou — e ainda assim, tentam posar para a foto.