
Romário rompe com o PL, deixa partido após cinco anos e declara apoio a Eduardo Paes no Rio
Senador afirma que decisão encerra um ciclo político, diz que sai “sem briga, sem ressentimento” e escolhe apoiar Paes; movimento contraria a candidatura de Douglas Ruas, nome do PL apoiado por Flávio Bolsonaro
O senador Romário de Souza Faria decidiu deixar o Partido Liberal (PL) e declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio de Janeiro. A desfiliação foi formalizada em 14 de agosto de 2026, depois de cinco anos de permanência na legenda.
A saída representa uma mudança importante no tabuleiro político fluminense. Romário abandona justamente o partido que lançou Douglas Ruas como candidato ao governo estadual e que conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL.
O movimento chama atenção não apenas pelo rompimento partidário, mas pela escolha do destino político. Romário decidiu apoiar um dos principais adversários eleitorais da própria legenda que até então integrava.
Mesmo assim, fez questão de afirmar que não pretende transformar a saída em uma guerra política.
“Saio sem briga, sem ressentimento e com respeito por todos”, declarou o senador ao explicar sua decisão.
Romário diz que encerrou um ciclo
Segundo Romário, a decisão foi amadurecida ao longo dos últimos meses e representa o encerramento de um ciclo político.
O senador afirmou que deixa o PL preservando o respeito pelas pessoas com quem conviveu durante o período em que esteve na legenda.
A escolha, segundo ele, não teria sido motivada por uma desavença pessoal.
“Tenho respeito pelo PL e pelas pessoas com quem caminhei nos últimos anos”, afirmou.
A declaração procura evitar uma interpretação de ruptura traumática.
Mas, politicamente, a consequência é inequívoca: Romário deixou o partido e imediatamente passou a apoiar o candidato de uma legenda adversária na disputa pelo Palácio Guanabara.
Por que Romário escolheu Eduardo Paes
Ao explicar o apoio, Romário colocou o Rio de Janeiro acima da identidade partidária.
O senador afirmou que possui suas próprias posições políticas, enquanto Paes possui as dele, e que os dois não precisam concordar em tudo.
O argumento apresentado é pragmático.
Para Romário, Eduardo Paes reúne atualmente as melhores condições para governar o Estado, construir soluções e enfrentar problemas que, segundo o senador, permanecem sem solução há muitos anos.
“O que pesa para mim é o Rio”, afirmou.
A frase é politicamente importante porque tenta apresentar o apoio não como uma adesão ideológica ao PSD ou a Paes, mas como uma escolha baseada na avaliação que Romário faz do futuro do Estado.
O adversário do próprio partido
A consequência prática da decisão, entretanto, é clara.
O PL disputa o governo do Rio com Douglas Ruas, candidato apoiado pelo grupo de Flávio Bolsonaro.
Ao anunciar apoio a Paes, Romário passa a fazer campanha contra o candidato de sua antiga legenda.
É justamente esse aspecto que dá à decisão um peso maior.
Romário não deixou o PL para simplesmente ficar neutro.
Ele tomou partido.
E escolheu um candidato que está do outro lado da disputa estadual.
Quem é Eduardo Paes
Eduardo da Costa Paes é um dos políticos mais conhecidos do Rio de Janeiro.
Foi prefeito da capital por quatro mandatos e decidiu deixar o cargo para disputar o governo estadual em 2026.
Agora, tenta chegar ao Palácio Guanabara pela terceira vez.
Sua campanha procura explorar a experiência acumulada à frente da Prefeitura do Rio.
Paes também tenta manter uma imagem de político capaz de dialogar com diferentes setores, inclusive com eleitores que não se identificam diretamente com o campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar do apoio recebido do petista.
O peso eleitoral de Romário
Romário não é um parlamentar comum.
Antes da política, construiu uma das carreiras esportivas mais conhecidas do país.
Foi campeão mundial com a seleção brasileira em 1994 e, posteriormente, transformou sua popularidade esportiva em carreira política.
No Senado, tornou-se uma figura conhecida na política fluminense.
Seu apoio pode não determinar sozinho o resultado da eleição, mas possui valor simbólico e eleitoral, especialmente pelo reconhecimento que o ex-jogador conserva no Estado.
Para Paes, receber o apoio de Romário significa ampliar sua rede política e mostrar que sua candidatura consegue atrair nomes que anteriormente estavam ligados ao campo bolsonarista.
A saída após cinco anos
Romário permaneceu aproximadamente cinco anos no PL.
Sua permanência coincidiu com um período de forte crescimento da influência do bolsonarismo no Rio de Janeiro.
O senador foi eleito pelo Estado e manteve vínculos políticos com diferentes grupos da direita.
Agora, ao deixar a legenda, encerra oficialmente essa etapa.
Segundo sua própria nota, não houve rompimento pessoal com os antigos colegas.
A ruptura é essencialmente política.
Romário ficará sem partido
Após deixar o PL, Romário informou que permanecerá sem partido neste primeiro momento.
Ele também declarou que, por enquanto, não existem conversas em andamento para uma nova filiação.
Essa situação pode mudar posteriormente.
Mas, neste momento, o senador prefere manter-se independente de uma legenda.
É uma posição particularmente interessante porque ele continua exercendo seu mandato no Senado e precisa administrar sua relação com diferentes forças políticas.
O olhar para 2030
Embora Romário diga que não esteja negociando uma nova filiação, aliados avaliam que a mudança pode ter relação com seus planos eleitorais de longo prazo.
Uma pessoa ligada ao senador afirmou ao UOL que o movimento também poderia fortalecer sua posição pensando na eleição de 2030, quando Romário deverá buscar novamente uma vaga no Senado.
O PSD, partido de Eduardo Paes, é apontado como um possível destino futuro, embora não haja confirmação de que uma negociação de filiação esteja em andamento.
Essa possibilidade transforma a saída do PL em algo potencialmente maior do que uma decisão circunstancial.
Pode representar o começo de uma nova reorganização política.
O efeito sobre Flávio Bolsonaro
A decisão também produz um impacto sobre Flávio Bolsonaro.
O senador é candidato à Presidência e participa diretamente da montagem da chapa do PL no Rio.
Douglas Ruas é o nome apoiado por seu grupo para disputar o governo.
Quando Romário abandona o partido e declara apoio a Paes, Flávio perde um aliado que poderia contribuir para ampliar a votação do campo bolsonarista.
Não significa que o candidato do PL tenha perdido automaticamente espaço eleitoral.
Mas representa uma demonstração de que o apoio ao bolsonarismo não é uniforme no Estado.
O cenário do governo do Rio
A eleição para o governo fluminense está entre as disputas estaduais mais importantes de 2026.
Eduardo Paes aparece na liderança das pesquisas recentes.
Em levantamento do Datafolha divulgado em 21 de agosto, Paes tinha 41% das intenções de voto, seguido por Douglas Ruas, com 19%, e Anthony Garotinho, com 9%.
Outra pesquisa, do Paraná Pesquisas, divulgada em 25 de agosto, apontou Paes com 44,5%, enquanto Douglas Ruas registrava 15,5% e Garotinho, 11,6%.
Os números ajudam a explicar por que cada apoio político adquiriu maior importância.
Paes tenta ampliar seu campo
A aliança com Romário contribui para a tentativa de Paes de construir uma candidatura que ultrapasse sua base tradicional.
O ex-prefeito precisa conversar com eleitores de diferentes setores.
Tem apoio do presidente Lula, mas tenta não ficar excessivamente identificado com o petismo.
Ao mesmo tempo, busca conquistar parte de um eleitorado que tradicionalmente vota em candidatos de direita.
O apoio de Romário, que até pouco tempo estava no PL, ajuda nessa estratégia.
Uma escolha pragmática
A frase de Romário — “não precisamos concordar em tudo” — é talvez a síntese mais interessante do movimento.
Ele não afirma que passou a compartilhar todas as posições de Paes.
Não diz que se tornou social-democrata.
Não anuncia adesão ao projeto nacional de Lula.
Diz simplesmente que, para o Rio, considera Paes a melhor opção.
É uma lógica eleitoral bastante pragmática.
Primeiro o Estado.
Depois o partido.
O PL perde um nome conhecido
Para o Partido Liberal, entretanto, a perda possui significado.
Romário é um nome conhecido, com trajetória eleitoral consolidada e forte reconhecimento popular.
Sua saída não desestrutura o partido.
Mas simboliza uma dificuldade maior: manter a unidade de diferentes grupos políticos em torno da candidatura de Douglas Ruas.
O PL terá de compensar essa perda com sua própria estrutura partidária e com a força de lideranças como Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro.
A disputa entre Paes e Douglas Ruas
O confronto eleitoral ganhou contornos cada vez mais definidos.
De um lado, Paes tenta apresentar experiência administrativa e histórico de gestão da capital.
Do outro, Douglas Ruas procura construir uma imagem de renovação e se apresentar como alternativa ao que chama de “velha política”.
A entrada de Romário na campanha de Paes acrescenta mais um elemento à disputa.
O eleitor verá agora um antigo integrante do PL pedindo votos para o adversário do partido.
O Rio como justificativa
Romário colocou o Estado no centro de sua decisão.
É uma escolha retórica, mas também política.
Ao afirmar que “o que pesa é o Rio”, o senador tenta justificar uma mudança que poderia ser interpretada como incoerente por parte de antigos aliados.
A mensagem é:
não saio porque briguei com o PL; saio porque considero Paes a melhor alternativa para o Estado.
Essa justificativa permite que Romário preserve relações pessoais enquanto muda de lado na eleição.
A política sem certezas
O episódio também demonstra como a política brasileira pode mudar rapidamente.
Há pouco tempo, Romário estava dentro do PL.
Hoje, está fora.
Até então, integrava uma legenda que apoia Douglas Ruas.
Agora, trabalha publicamente para eleger Eduardo Paes.
E, ao mesmo tempo, afirma não estar negociando ingresso em outro partido.
É uma movimentação que deixa todas as possibilidades abertas para o futuro.
Observação em destaque
OBSERVAÇÃO: Romário deixou formalmente o PL após cinco anos e declarou apoio a Eduardo Paes, mas afirmou que sua decisão não foi motivada por uma briga pessoal com a legenda. O senador disse que sai “sem briga, sem ressentimento e com respeito por todos” e permanecerá sem partido neste primeiro momento. O apoio a Paes é uma decisão política que coloca Romário em oposição ao candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, apoiado por Flávio Bolsonaro.
Uma ruptura sem guerra
Talvez o aspecto mais curioso seja justamente a ausência de uma guerra aberta.
Romário poderia ter deixado o partido atacando seus antigos aliados.
Não fez isso.
Preferiu agradecer.
Reconhecer o período vivido dentro da legenda.
Dizer que não guarda ressentimentos.
E seguir por outro caminho.
Mas, na política, uma saída tranquila não significa uma saída sem consequências.
A partir de agora, Romário estará do outro lado da eleição no Rio.
O recado para 2026
A decisão também envia um recado para os demais políticos.
Partidos são instrumentos.
Alianças mudam.
Interesses eleitorais se reorganizam.
E figuras que ontem estavam lado a lado podem, poucas semanas depois, estar apoiando candidaturas diferentes.
No Rio de Janeiro, isso acontece justamente quando a disputa pelo governo estadual começa a ganhar intensidade.
O futuro de Romário
Por enquanto, o senador garante que permanecerá sem partido.
Seu mandato no Senado segue normalmente, e não existe anúncio formal de uma nova legenda.
Mas a movimentação já levantou especulações sobre o futuro.
Uma eventual aproximação com o PSD, partido de Eduardo Paes e comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, poderia abrir uma nova etapa na carreira do ex-jogador.
Nada disso está definido.
O único fato concreto, neste momento, é a saída do PL e o apoio a Paes.
O que realmente mudou
Romário não mudou apenas de partido.
Mudou o lado que apoia na eleição para o governo do Rio.
Essa é a verdadeira dimensão do movimento.
Ao escolher Eduardo Paes, ele abandona a candidatura de Douglas Ruas e se distancia do grupo político de Flávio Bolsonaro na principal disputa estadual do Rio.
A decisão pode parecer individual.
Mas, em uma eleição, cada apoio possui significado coletivo.
Uma nova fotografia da política fluminense
A fotografia política do Rio começa a mudar.
Eduardo Paes lidera as pesquisas.
Douglas Ruas tenta diminuir a distância.
Anthony Garotinho busca recuperar espaço.
Flávio Bolsonaro trabalha para consolidar o campo bolsonarista.
E Romário, que durante cinco anos esteve dentro do PL, decidiu sair e escolher outro caminho.
Não houve gritos.
Não houve rompimento pessoal declarado.
Houve uma mudança de lado.
E, na política, às vezes uma frase tranquila produz consequências maiores do que um discurso inflamado.
Romário diz que sua escolha é pelo Rio.
Paes ganhou um aliado.
O PL perdeu um nome conhecido.
Douglas Ruas ganhou um novo adversário.
E a eleição fluminense ganhou mais uma peça em um tabuleiro que ainda está longe de ser definido.