
Senado ignora críticas e aprova recondução de Paulo Gonet à PGR
Mesmo sob questionamentos sobre parcialidade e alinhamento ao governo, senadores dão aval para que Gonet siga no comando da Procuradoria-Geral da República. Decisão gera repúdio entre opositores e reforça a percepção de submissão institucional.
Em mais um capítulo que reforça a blindagem política no coração de Brasília, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, nesta quarta-feira (12), por 17 votos a 10, a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República. A decisão agora segue para o plenário, onde deve ser confirmada sem grandes surpresas — afinal, o governo e seus aliados já haviam pavimentado o caminho.
Durante a sabatina, Gonet tentou mostrar neutralidade, afirmando que o Ministério Público atua sem “cores partidárias”. Mas as palavras não convenceram parte da oposição, que o acusa de ser complacente com o governo e de conduzir investigações de forma seletiva — especialmente quando envolvem figuras próximas ao Planalto.
O procurador ainda mencionou casos como o escândalo do INSS, o desastre de Mariana (MG) e o combate ao crime organizado, tentando reforçar sua imagem técnica. No entanto, críticos lembram que, enquanto o país mergulha em denúncias de corrupção e aparelhamento, o Ministério Público parece cada vez mais mudo diante do poder político.
A aprovação foi recebida com repúdio por setores que enxergam na recondução de Gonet um sintoma da erosão da independência institucional. Para muitos, o Senado deu um “sinal verde” ao conformismo — e um sinal vermelho à esperança de justiça imparcial.