
Shopping reconstruído após terremoto de 2016 desaba novamente em novo tremor no Japão; mortos, feridos e desaparecidos mobilizam operação de resgate
Complexo comercial Aeon Mall, símbolo da reconstrução da província de Kumamoto, sofreu graves danos após terremoto de magnitude 7,1. Autoridades confirmam mortes, mais de 100 feridos, dezenas de desaparecidos e mantêm equipes de busca em meio ao risco de novas réplicas.
O sul do Japão voltou a viver um dos momentos mais dramáticos de sua história recente após um forte terremoto de magnitude 7,1 atingir a ilha de Kyushu na tarde de terça-feira (28), no horário local. O tremor provocou o desabamento parcial do shopping Aeon Mall, localizado na província de Kumamoto, deixando ao menos três mortos, mais de 100 pessoas feridas e dezenas de desaparecidos sob os escombros.
O centro comercial era considerado um dos maiores símbolos da recuperação da região após os devastadores terremotos de 2016. Depois de anos de obras, reforços estruturais e investimentos em segurança sísmica, o empreendimento havia sido oficialmente reinaugurado em junho deste ano. Pouco mais de um mês depois da reabertura, o prédio voltou a ser atingido por um desastre natural de grandes proporções.
Tremor foi um dos mais intensos registrados na região
Segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o terremoto ocorreu às 16h27 (horário local), com epicentro na ilha de Kyushu, atingindo intensidade máxima 7 na escala japonesa Shindo, utilizada para medir a força dos abalos na superfície.
Minutos após o primeiro tremor, uma réplica de magnitude 6,1 voltou a sacudir a região, aumentando o temor entre moradores e dificultando o trabalho das equipes de resgate.
Inicialmente, também foi emitido um alerta de tsunami para áreas costeiras próximas, posteriormente cancelado após avaliações técnicas.
Shopping recém-reconstruído sofre explosão e desabamento
O Aeon Mall havia passado por uma ampla reconstrução desde o terremoto de 2016, quando parte de sua estrutura também sofreu danos.
O projeto de recuperação envolveu:
- reforço das fundações;
- modernização da estrutura metálica;
- sistemas mais avançados de segurança;
- adaptação para suportar novos eventos sísmicos.
Apesar dessas melhorias, o novo terremoto provocou graves danos estruturais.
Logo após o tremor, testemunhas relataram forte cheiro de gás. Pouco depois ocorreu uma explosão no interior do complexo, seguida pelo colapso parcial da estrutura.
Imagens divulgadas pela imprensa japonesa mostram:
- grandes blocos de concreto destruídos;
- vigas metálicas completamente expostas;
- fachadas destruídas;
- lojas soterradas;
- equipes de emergência trabalhando entre os escombros.
Mortes, desaparecidos e operação de resgate
As equipes de emergência localizaram corpos entre os destroços do shopping, elevando o número oficial de vítimas fatais para três pessoas.
Segundo a emissora pública NHK:
- mais de 100 pessoas ficaram feridas;
- entre 20 e 30 funcionários permaneciam desaparecidos nas primeiras horas após o desastre;
- cerca de 200 pessoas conseguiram ser retiradas do edifício.
Autoridades também informaram que outras vítimas foram encontradas em estado crítico.
Os bombeiros utilizam equipamentos de escavação, cães farejadores e sensores térmicos para localizar sobreviventes.
O trabalho ocorre lentamente devido ao risco constante de novos desabamentos provocados pelas sucessivas réplicas.
Danos atingem diversas cidades
Além do shopping, o terremoto provocou destruição em vários municípios da província de Kumamoto.
Foram registrados:
- desabamento de residências;
- queda de pontes;
- rachaduras em rodovias;
- vagões de trem de carga tombados;
- incêndios;
- interrupção do fornecimento de energia elétrica;
- rompimento de redes de abastecimento de água.
Na cidade de Yatsushiro, uma chaminé industrial desabou, deixando novas vítimas.
Hospitais operam em situação de emergência
Hospitais da região passaram a receber dezenas de vítimas logo após o terremoto.
Segundo profissionais de saúde ouvidos pela imprensa japonesa, pacientes chegaram apresentando:
- fraturas;
- queimaduras;
- traumatismos;
- ferimentos causados pelo desabamento de edifícios.
Em algumas unidades, ambulâncias chegavam continuamente transportando novos feridos.
Governo mobiliza grande operação nacional
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que todas as forças de emergência foram mobilizadas para atender a população.
Segundo o governo:
- operações de resgate seguirão durante toda a noite;
- salvar vítimas soterradas é prioridade absoluta;
- equipes militares, bombeiros e policiais foram enviados para Kumamoto;
- a população deve permanecer em alerta diante da possibilidade de novos tremores.
A operadora Kyushu Electric Power informou que aproximadamente 45 mil imóveis ficaram sem energia elétrica.
Apesar do terremoto, os três reatores nucleares existentes na região continuaram funcionando normalmente, sem registro de anormalidades.
Região ainda carregava marcas da tragédia de 2016
Kumamoto já havia enfrentado uma das maiores tragédias naturais da história recente do Japão.
Em abril de 2016, dois grandes terremotos, de magnitudes 6,5 e 7,3, deixaram:
- cerca de 273 mortos;
- mais de 2.800 feridos;
- milhares de imóveis destruídos;
- enormes prejuízos econômicos.
O Aeon Mall tornou-se um dos principais símbolos da reconstrução da província, servindo inclusive como centro de apoio humanitário para moradores afetados naquele período.
Sua reinauguração, em junho de 2026, havia sido celebrada como marco da recuperação econômica da região.
País permanece em alerta
Especialistas alertam que a sequência de réplicas poderá continuar durante os próximos dias.
O Japão está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, área onde ocorre o encontro de quatro grandes placas tectônicas. Essa condição geológica faz do país uma das regiões com maior atividade sísmica do planeta.
Anualmente, centenas de terremotos são registrados no arquipélago, responsável por aproximadamente 18% dos tremores de maior intensidade observados em todo o mundo.
As autoridades japonesas seguem monitorando a atividade sísmica, enquanto equipes de resgate permanecem na busca por desaparecidos entre os escombros do shopping e de outras estruturas atingidas pelo terremoto.