Sócio de Vorcaro relata uso de avião e helicóptero por Moraes e Viviane

Sócio de Vorcaro relata uso de avião e helicóptero por Moraes e Viviane

Mensagens obtidas pela PF indicam que aeronaves ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro foram utilizadas pela esposa do ministro; documentos também apontam participação de Alexandre de Moraes em pelo menos um voo

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe novos detalhes sobre o uso de aeronaves ligadas ao grupo empresarial do banqueiro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e por sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Segundo mensagens recuperadas pela PF, Carlos, ligado à estrutura empresarial responsável pelas aeronaves, relatou a Vorcaro que Viviane já utilizava aviões e helicópteros disponibilizados pelo grupo. As conversas passaram a integrar o conjunto de elementos examinados pelos investigadores no caso.

Avião e helicóptero no centro da investigação

Um dos principais bens citados é um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, aeronave de alto padrão que aparece também em documentos relacionados à negociação de um contrato de até R$ 50 milhões entre a Viking Participações, ligada a Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes, administrado por Viviane.

A proposta previa que parte da remuneração jurídica pudesse ser paga por meio de participações relacionadas ao avião e a um helicóptero Airbus EC 155 B1. O negócio, porém, é contestado pelo escritório, que afirma que esse segundo contrato não chegou a ser efetivamente firmado.

O aspecto mais sensível é que as mensagens analisadas pela PF indicam que o uso das aeronaves teria começado antes da formalização dessa negociação.

As mensagens sobre Viviane

Em uma conversa de julho de 2025, Daniel Vorcaro questionou um executivo da Prime You, empresa relacionada ao compartilhamento das aeronaves, se as pessoas ligadas ao escritório estavam utilizando os bens.

O funcionário respondeu que a utilização havia sido liberada e afirmou que já haviam sido usados aviões e helicópteros.

Na sequência, Vorcaro perguntou se havia ocorrido algum problema em um voo de helicóptero. O executivo enviou então uma mensagem trocada com Viviane Barci de Moraes.

Ela teria confirmado que estava utilizando as cotas das aeronaves e elogiado o atendimento recebido da equipe responsável pelos voos.

Outro diálogo, de agosto de 2025, mostra uma funcionária informando a Vorcaro que havia um voo programado envolvendo “Barci”. A resposta atribuída ao banqueiro foi uma orientação para que o atendimento à advogada não fosse interrompido.

Para os investigadores, essas mensagens são relevantes porque ajudam a reconstruir quem utilizava as aeronaves, quando começaram os voos e qual era a relação entre os usuários e as empresas ligadas a Vorcaro.

Alexandre de Moraes também aparece

A investigação vai além da utilização das aeronaves por Viviane.

Documentos e registros analisados pela PF indicam que Alexandre de Moraes utilizou uma das aeronaves que aparecem na negociação, incluindo o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, em julho de 2025. A relação entre os voos e as empresas de Vorcaro passou a ser examinada juntamente com os demais contratos e mensagens encontrados no celular do empresário.

O ponto de atenção está justamente na coincidência entre os dois fatos: o mesmo universo empresarial ligado às aeronaves aparece nas conversas sobre a utilização por Viviane e também na negociação de um contrato milionário com seu escritório.

Isso, entretanto, não significa automaticamente que a utilização das aeronaves tenha sido ilegal ou que constitua pagamento irregular. A investigação precisa estabelecer a natureza dos voos, os responsáveis pelos custos e a relação contratual existente em cada período.

O segundo contrato de R$ 50 milhões

A PF encontrou duas minutas relacionadas a um segundo contrato entre a Viking Participações e o escritório de Viviane.

O acordo previa remuneração de R$ 50 milhões por três anos. Desse total, R$ 40 milhões poderiam ser pagos por meio de ativos relacionados às aeronaves, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas com voos.

O escritório de Viviane nega que esse segundo contrato tenha sido assinado. A banca afirma que o contrato efetivamente celebrado foi outro, relacionado ao Banco Master.

O que a investigação precisa esclarecer

A questão central agora é separar três elementos: o contrato, o uso das aeronaves e a eventual transferência patrimonial.

A existência de mensagens mostrando que Viviane utilizava aviões e helicópteros não prova, isoladamente, que ela tenha recebido as aeronaves como pagamento. Da mesma forma, o registro de um voo de Alexandre de Moraes em uma aeronave ligada ao grupo de Vorcaro não demonstra, por si só, favorecimento ou crime.

O que a PF busca estabelecer é quem autorizava os voos, quem pagava pelas viagens, quais aeronaves foram efetivamente utilizadas, quais eram os vínculos societários e se houve transferência de cotas ou outros benefícios patrimoniais.

As versões dos envolvidos

O escritório Barci de Moraes sustenta que utilizava serviços de empresas de táxi aéreo e contesta a interpretação de que o segundo contrato envolvendo aeronaves tenha sido concretizado.

Alexandre de Moraes também já negou ter viajado em aeronaves pertencentes diretamente a Daniel Vorcaro. A investigação, por sua vez, trabalha com registros, mensagens e informações extraídas dos aparelhos do empresário para reconstruir a relação entre as partes.

O caso permanece em apuração. As mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro mostram suas iniciativas, orientações e negociações, mas não comprovam, sozinhas, que todos os destinatários tenham concordado com seus pedidos ou praticado qualquer irregularidade.

O que torna o episódio especialmente sensível é a sobreposição entre negócios jurídicos milionários, aeronaves de luxo, voos de autoridades e a relação empresarial de Daniel Vorcaro. É justamente essa combinação que deverá ser esclarecida pelas próximas etapas da investigação.

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