
Joesley Batista e bilionários deixam Brasília em jatinhos após jantar com Lula
Empresários e banqueiros participaram de encontro de cerca de três horas no Palácio da Alvorada; saída pelo terminal executivo ocorreu por volta das 23h
O empresário Joesley Batista, um dos principais nomes do grupo J&F, deixou Brasília na noite de segunda-feira (31) acompanhado de outros empresários e banqueiros que participaram de um jantar oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada.
A saída dos convidados ocorreu pelo Terminal Executivo do Aeroporto Internacional de Brasília, por volta das 23h, após aproximadamente três horas de reunião com o presidente. O movimento de jatinhos chamou atenção pela concentração de empresários de grande patrimônio que haviam sido recebidos horas antes no palácio presidencial.
Joesley Batista entre os convidados
Joesley Batista esteve entre os 16 empresários convidados para o encontro. O empresário representa a J&F, grupo que reúne empresas de diferentes setores da economia.
Além de Joesley, participaram nomes de grande peso no sistema financeiro e empresarial brasileiro, como André Esteves, do BTG Pactual; Roberto Setubal, do Itaú Unibanco; Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco; Rubens Menin, da MRV; Josué Gomes, da Coteminas; e outros representantes de grandes companhias.
Também estiveram presentes integrantes do governo, entre eles o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
O encontro de Lula com a elite empresarial
O jantar ocorreu em um momento estratégico para o governo e para a campanha de Lula à reeleição. A pouco mais de um mês do primeiro turno, o presidente buscou reforçar o diálogo com empresários e banqueiros e demonstrar disposição para ouvir as preocupações do setor privado.
A reunião ocorreu depois de uma série de encontros de empresários com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial. A movimentação do setor empresarial entre os dois campos transformou o diálogo com o PIB em uma frente importante da campanha eleitoral.
O jantar, portanto, teve também um componente político evidente: Lula procurou se aproximar de grupos econômicos que, em diferentes momentos, manifestaram preocupação com juros, dívida pública, gastos do governo e ambiente de negócios.
Juros, gastos e responsabilidade fiscal
Durante a conversa, empresários e banqueiros apresentaram reclamações sobre a taxa de juros, a inadimplência, a burocracia e a atuação política em agências reguladoras.
Os participantes também defenderam maior estabilidade econômica e institucional para estimular investimentos em áreas como petróleo, terras raras, energia e transição energética.
Lula, segundo relatos sobre o encontro, reafirmou o compromisso com o equilíbrio fiscal e afirmou que pretende reduzir despesas para cumprir a meta de resultado primário prevista para 2027, de R$ 18,6 bilhões. O presidente também defendeu a atuação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, diante das críticas relacionadas ao nível dos juros.
A imagem dos jatinhos
Depois do jantar, o contraste visual chamou atenção: enquanto o encontro acontecia no Palácio da Alvorada, uma sucessão de aeronaves executivas aguardava os convidados para deixar a capital.
Por volta das 23h, registros feitos no terminal executivo mostraram a saída de empresários, entre eles Joesley Batista. Outros convidados também deixaram Brasília em aeronaves particulares.
A cena dos jatinhos tornou-se uma espécie de retrato da composição do encontro: de um lado, o presidente da República tentando estreitar relações com o setor produtivo; de outro, uma parcela da elite econômica brasileira chegando e deixando a capital em aviões executivos.
A aproximação com o empresariado
A reunião foi organizada como uma tentativa de reconstruir pontes entre Lula e setores empresariais que, apesar de manterem relações institucionais com o governo, cobram medidas mais duras para controlar despesas e conter o crescimento da dívida.
O movimento ganhou importância adicional porque o setor financeiro também vinha mantendo conversas com Flávio Bolsonaro.
Empresários não necessariamente adotam posição política uniforme. A presença de representantes de grandes bancos e grupos empresariais nos encontros com diferentes candidatos demonstra, em boa medida, uma postura pragmática diante da eleição: o setor procura ouvir propostas e avaliar cenários econômicos antes de definir posições.
O peso político da fotografia
O jantar também produz uma imagem politicamente simbólica. Lula, frequentemente crítico da chamada Faria Lima e de setores do mercado financeiro, recebeu justamente alguns dos principais representantes desse universo para uma conversa reservada no Alvorada.
Ao mesmo tempo, a presença de Joesley Batista acrescenta outro elemento de repercussão ao encontro, por se tratar de um empresário que esteve no centro de uma das maiores crises políticas e empresariais do país durante as investigações da Lava Jato e seus desdobramentos.
A presença de Joesley no jantar, contudo, não significa que ele tenha recebido tratamento especial ou que tenha sido o principal interlocutor do presidente. Ele estava entre os 16 empresários convidados para uma reunião coletiva.
Um encontro com múltiplas mensagens
O jantar terminou com os convidados deixando Brasília em jatinhos particulares, mas seus efeitos políticos permanecem.
Para Lula, o encontro serviu para demonstrar proximidade com o setor produtivo e reforçar a mensagem de responsabilidade fiscal. Para os empresários, foi uma oportunidade de apresentar diretamente ao presidente suas preocupações sobre juros, investimentos, regulação e estabilidade.
E, em meio à disputa eleitoral, a reunião também mostrou que o empresariado brasileiro não está concentrado em um único campo político.
A presença de Joesley Batista, André Esteves, Roberto Setubal, Luiz Carlos Trabuco Cappi e outros representantes da elite econômica ao lado de Lula reforça a tentativa do presidente de recuperar espaço junto ao setor privado — justamente quando seus adversários também intensificam a busca por apoio entre banqueiros e grandes empresários.