STF bancou diárias de seguranças em viagens a região de resort ligado à família de Toffoli

STF bancou diárias de seguranças em viagens a região de resort ligado à família de Toffoli

Corte pagou R$ 460 mil em deslocamentos para área onde fica hotel que teve irmãos do ministro e fundo investigado no Caso Master como sócios

O Supremo Tribunal Federal (STF) arcou com o pagamento de 128 diárias de segurança para viagens realizadas entre 2022 e 2025 a uma região do interior do Paraná onde está localizado o resort Tayayá — empreendimento que, até recentemente, teve como sócios irmãos do ministro Dias Toffoli e um fundo de investimentos ligado à Reag, empresa investigada no escândalo do Banco Master.

As informações vieram à tona no mesmo dia em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar uma representação que pedia o afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master. O pedido havia sido apresentado por parlamentares do Novo e do PL, que apontavam possíveis conflitos de interesse na condução da investigação.

Segundo a apuração, as diárias custaram cerca de R$ 460 mil aos cofres públicos e foram pagas para cobrir viagens de seguranças que acompanharam ministros do STF durante feriados, fins de semana prolongados e até no recesso do Judiciário. O destino recorrente dessas viagens foi justamente a região onde funciona o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

O hotel chegou a ter como sócios dois irmãos de Dias Toffoli, por meio da empresa Maridt Participações, além do fundo Arleen, controlado pela Reag — gestora que, de acordo com o Banco Central, manteve operações financeiras combinadas com o Banco Master para circulação de recursos entre fundos estruturados.

A Reag foi alvo, em agosto de 2025, de uma grande operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro ligada ao PCC, batizada de Carbono Oculto. Mesmo assim, o inquérito envolvendo o Banco Master foi levado ao STF por decisão do próprio Toffoli, após pedido dos advogados de Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado pelo Banco Central.

Desde que assumiu o caso, o ministro impôs sigilo total às investigações, determinou uma acareação precoce entre o banqueiro e um diretor do Banco Central, criticou a atuação da Polícia Federal e restringiu o acesso às provas apreendidas, escolhendo inclusive quais peritos poderiam analisá-las — decisões que geraram forte desconforto institucional.

Venda das cotas e versões contraditórias

Em 2021, os irmãos de Toffoli venderam parte de suas cotas no resort por mais de R$ 3 milhões ao fundo Arleen. A sociedade entre a família Toffoli e o fundo ligado à Reag permaneceu até 2025. Em fevereiro daquele ano, os irmãos se desfizeram do restante da participação, e o fundo deixou oficialmente o negócio meses depois.

Reportagem do Estadão revelou ainda que a sede da empresa Maridt, registrada na Junta Comercial, funciona em uma casa onde mora José Eugênio Toffoli, irmão do ministro. Ao jornal, a esposa dele afirmou desconhecer qualquer vínculo da residência com a empresa ou com o resort, dizendo nunca ter sido informada de que o imóvel constava como sede empresarial.

Em nota, José Eugênio declarou que a Maridt não integra mais o grupo Tayayá, que todas as participações foram encerradas formalmente e que todas as informações financeiras estão devidamente declaradas à Receita Federal.

A Procuradoria-Geral da República afirmou que não viu motivo para afastar Toffoli do caso Master, alegando que a investigação já tramita no STF. Um segundo pedido de afastamento, apresentado pelo senador Eduardo Girão, ainda está sob análise.

Enquanto isso, os gastos do Supremo com viagens, a proximidade geográfica com interesses familiares e a condução centralizada da investigação seguem ampliando o desgaste público do tribunal e alimentando críticas sobre transparência, conflito de interesses e uso de recursos públicos.

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