Tanzânia e Etiópia dominam a São Silvestre; brasileiros garantem o bronze

Tanzânia e Etiópia dominam a São Silvestre; brasileiros garantem o bronze

Africana dispara na prova feminina e etíope decide a masculina nos metros finais da corrida histórica

A edição comemorativa de 100 anos da Corrida Internacional de São Silvestre teve domínio africano no topo do pódio. A tanzaniana Sisilia Ginoka Panga venceu a prova feminina com autoridade, enquanto o jovem etíope Muse Gizachew, de apenas 19 anos, protagonizou uma virada emocionante na disputa masculina. O Brasil também comemorou: Núbia de Oliveira Silva e Fábio Jesus Correia ficaram com as medalhas de bronze.

Na corrida entre as mulheres, Sisilia Panga travou um duelo intenso nos quilômetros iniciais com a queniana Cynthia Chemweno, mas mudou o ritmo a partir da metade do percurso. Com passadas firmes, abriu vantagem e cruzou a linha de chegada em 51min08s, sem ser mais ameaçada. Chemweno ficou com a prata, repetindo posições de destaque do ano anterior, enquanto Núbia garantiu o terceiro lugar para o Brasil.

Já na prova masculina, a definição veio no apagar das luzes. O queniano Jonathan Kipkoech liderou grande parte da corrida, mas viu Muse Gizachew acelerar forte nos últimos metros. O etíope assumiu a ponta a cerca de 50 metros da chegada e venceu com o tempo de 44min28s. Fábio Jesus Correia completou o pódio em terceiro, registrando 45min06s, seu melhor desempenho na competição.

Após a prova, Núbia celebrou a evolução pessoal, mas deixou claro que seu objetivo vai além do bronze. A atleta destacou as dificuldades do início da corrida e a força das adversárias africanas, mas saiu satisfeita com a forma como administrou o percurso.

— Estou feliz com o resultado, mas meu sonho é vencer essa prova. Tenho 23 anos e acredito que ainda vou voltar aqui para buscar o topo do pódio — afirmou.

Fábio Jesus também valorizou a medalha, mas aproveitou para fazer um desabafo sobre a falta de incentivo ao atletismo no Brasil. Segundo ele, competir de igual para igual com atletas africanos exige esforço extremo, muitas vezes sem a estrutura adequada.

— A gente treina na raça, muitas vezes sem pista e sem apoio. Mesmo assim, seguimos lutando. Dedico essa medalha à Bahia, ao Nordeste e a todo o povo brasileiro que torce pelo atletismo — disse.

A vitória de Sisilia Panga quebrou uma sequência de oito anos de títulos quenianos na prova feminina. Entre as brasileiras, a última campeã havia sido Lucélia Peres, em 2006. Como premiação, os campeões receberam R$ 62,6 mil, os segundos colocados R$ 31,3 mil, e os brasileiros medalhistas de bronze ficaram com R$ 18,8 mil cada.

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