
Tarcísio garante empregos de ferroviários, defende concessão da CPTM e espera fim da greve em São Paulo
Governador afirma que nenhum trabalhador será demitido com a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, anuncia projeto de lei para assegurar a absorção dos funcionários e promete R$ 14 bilhões em investimentos para modernização do sistema ferroviário.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo estadual encaminhará à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei para garantir a manutenção dos empregos dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A iniciativa foi apresentada durante as negociações para encerrar a greve dos trabalhadores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Segundo o governador, o objetivo da proposta é assegurar que nenhum funcionário seja demitido em decorrência da concessão das três linhas à concessionária Trivia Trens, que assumiu a operação em 21 de julho. Tarcísio afirmou que o Estado já havia assumido o compromisso de absorver todos os empregados, seja em outras áreas da administração pública estadual, no Metrô, na Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ou em outras linhas ferroviárias.
“O compromisso sempre foi preservar os empregos. Ninguém foi mandado embora e ninguém será demitido por causa da concessão”, declarou o governador.
Além da realocação de funcionários, Tarcísio explicou que foi criado um Programa de Demissão Voluntária (PDV), destinado exclusivamente aos empregados que desejarem deixar seus cargos por iniciativa própria. Segundo ele, caso a concessionária Trivia Trens manifeste interesse em manter parte dos profissionais, esses trabalhadores também poderão permanecer na operação das linhas.
Greve contra a concessão
A paralisação foi iniciada na madrugada de terça-feira (4), após decisão aprovada em assembleia pelo Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB). A greve afetou diretamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, responsáveis pelo transporte diário de centenas de milhares de passageiros na capital paulista e na Região Metropolitana.
Os ferroviários protestam contra a concessão das linhas à iniciativa privada e defendem a reestatização da operação. A categoria também reivindica garantias formais de estabilidade para os empregados da CPTM e a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, que prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após futuras concessões.
Na semana anterior, representantes do sindicato e do governo estadual participaram de uma reunião na Secretaria da Casa Civil. No entanto, o encontro terminou sem acordo, levando à deflagração da greve.
Durante a paralisação, a Linha 13-Jade teve a circulação totalmente interrompida, enquanto as linhas 11-Coral e 12-Safira operaram parcialmente, provocando grandes transtornos para os passageiros.
Congestionamentos e impacto para passageiros
Os reflexos da greve foram sentidos principalmente na zona leste da capital paulista. Estações do Metrô, como Itaquera, Penha e Paraíso, registraram plataformas lotadas, filas nas catracas e aumento significativo no tempo de deslocamento dos usuários.
Segundo o governo estadual, aproximadamente um milhão de passageiros foram afetados no primeiro dia da paralisação. O trânsito também apresentou forte impacto, com São Paulo registrando 728 quilômetros de congestionamentos durante o segundo dia de greve.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram estações completamente lotadas e passageiros enfrentando longas filas para embarcar nos trens e no metrô.
Tarcísio diz não entender a paralisação
Ao comentar a mobilização dos ferroviários, Tarcísio afirmou que não compreendeu os motivos da greve, alegando que a principal reivindicação da categoria — a preservação dos empregos — já havia sido atendida pelo governo.
“A gente até não entendeu o porquê dessa greve, porque houve o nosso compromisso de não haver perda de emprego. Essa pauta já estava absolutamente conquistada”, afirmou.
O governador acrescentou que espera a normalização da circulação dos trens até o horário de pico e informou que participaria de uma nova reunião de conciliação com representantes dos trabalhadores.
Segundo ele, caso a paralisação prosseguisse sem acordo, o governo recorreria à Justiça para buscar o reconhecimento da ilegalidade da greve, alegando que não pretende ceder ao que classificou como “pedidos irrazoáveis”.
Concessão prevê R$ 14 bilhões em investimentos
Após o encerramento da greve, Tarcísio reafirmou que a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade prevê investimentos de aproximadamente R$ 14 bilhões para modernizar o sistema ferroviário paulista.
De acordo com o governador, os recursos serão destinados à recuperação da infraestrutura ferroviária, incluindo substituição de trilhos e dormentes, modernização das subestações elétricas, reforma e ampliação das estações, implantação de sistemas mais modernos de sinalização, melhorias de acessibilidade e aquisição de novos trens.
O plano também contempla a expansão da Linha 11-Coral até César de Souza, em Mogi das Cruzes, e da Linha 13-Jade até Bom Sucesso, em Guarulhos.
“O interesse da concessão não é prejudicar o emprego. Pelo contrário, é trazer investimento. A gente precisa melhorar a via permanente, as subestações, as estações, a acessibilidade e o sistema de sinalização. São R$ 14 bilhões que vão transformar o serviço prestado aos passageiros”, afirmou.
Governo destaca resultados da educação
Durante agenda oficial em São Sebastião, no litoral norte paulista, o governador também comentou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025.
Segundo Tarcísio, a melhora nos indicadores da rede estadual é resultado dos investimentos em alfabetização na idade certa, formação continuada dos professores e programas de recuperação da aprendizagem.
O governador anunciou que pretende ampliar para toda a rede estadual o programa de tutoria e reforço escolar, atualmente desenvolvido em cerca de 400 escolas, além de criar um “Pacto pela Matemática”, inspirado nas políticas voltadas para alfabetização.
“Não basta saber ler e escrever. É preciso garantir que nossos estudantes também aprendam matemática com qualidade. Esse será o próximo grande desafio da educação paulista”, concluiu.