Tarcísio vai à Papudinha e visita Bolsonaro após recuo e ruído político

Tarcísio vai à Papudinha e visita Bolsonaro após recuo e ruído político

Encontro autorizado por Moraes acontece depois de mal-estar causado por fala de Flávio sobre os planos eleitorais do governador

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou pouco antes das 11h desta quinta-feira (29) ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e acontece em meio a um clima de tensão e rearranjo político dentro do campo conservador, principalmente depois de um desconforto envolvendo o entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Antes de seguir para o DF, Tarcísio ainda cumpriu agenda em Brasília: às 9h, ele se reuniu com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para discutir projetos de interesse de São Paulo. O governador deve retornar ao estado ainda nesta quinta-feira.

A visita que virou novela

O encontro desta semana acontece depois de um episódio que virou ruído político nos bastidores: na semana passada, Tarcísio chegou a cancelar uma primeira tentativa de visita.

O motivo do desgaste foi uma declaração de Flávio Bolsonaro, que antecipou publicamente o teor do que Bolsonaro diria ao governador: segundo o senador, o ex-presidente recomendaria que Tarcísio focasse na reeleição em São Paulo, deixando de lado qualquer conversa sobre uma candidatura presidencial — que estaria “descartada”.

A fala caiu mal entre aliados do governador, que viram a situação como uma espécie de “enquadramento público”, transformando uma conversa que parecia pessoal em uma mensagem política com custo alto.

Pouco depois, Tarcísio desmarcou a visita, alegando compromissos no estado. Mas, nos bastidores, a leitura foi clara: o incômodo não foi com a agenda, e sim com a repercussão.

Mudança de tom e tentativa de esfriar o assunto

Depois do barulho, Flávio tratou de reduzir o peso político do encontro, dizendo que seria apenas uma conversa informal.

“Meu pai vai gostar muito de receber Tarcísio lá. Acho que vai ser bom eles baterem papo. Vai ser mais um papo entre amigos. Se depender de mim, a direita vai estar unida”, declarou o senador.

A mudança de discurso foi vista como tentativa de baixar a temperatura e evitar que a visita virasse um símbolo automático de alinhamento eleitoral.

Gesto de paz, mas 2026 segue em disputa

Nos bastidores, a avaliação é que a ida de Tarcísio à Papudinha agora funciona como um gesto de distensão, uma forma de “consertar” o ruído da semana passada. Mas isso não encerra o debate sobre o papel do governador na direita para 2026.

Publicamente, Tarcísio segue sustentando que pretende disputar a reeleição em São Paulo, evitando se comprometer com planos nacionais neste momento.

Enquanto isso, mesmo preso, Bolsonaro continua sendo tratado como ponto central de articulação do campo conservador, com aliados buscando aproximação e sinalizações políticas.

Bolsonaro ainda é o “filtro” da direita

Dentro do PL, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem defendido que as decisões eleitorais devem passar pelo aval de Bolsonaro.

E a movimentação não para: o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio, já está autorizado a visitar o ex-presidente no próximo dia 4.

A mensagem é clara: a direita segue se reorganizando — e ninguém quer ficar fora da foto.

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