
Temporal deixa um morto, derruba torres e provoca apagão em Ribeirão Preto e região
Frente fria encontrou atmosfera muito quente e favoreceu a formação de nuvens de grande desenvolvimento; ventos passaram de 120 km/h em cidades da região, causando desabamentos, queda de árvores, destelhamentos e interrupção de serviços essenciais
Um temporal de forte intensidade atingiu Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (24) e deixou um rastro de destruição em diferentes pontos da cidade e da região.

A tempestade provocou a morte de um homem, derrubou árvores, destelhou imóveis, danificou estruturas e deixou centenas de milhares de consumidores sem energia elétrica. Também houve impactos no abastecimento de serviços de comunicação, telefonia e internet.
Diante da dimensão dos estragos, o prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva (PSD), decretou estado de emergência pelo período de 180 dias.
Idoso morre após estrutura desabar sobre residência
A vítima fatal foi um homem de 75 anos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades locais. Ele estava dormindo em sua residência, no Jardim Salgado Filho, quando uma estrutura de um galpão localizado nas proximidades desabou e atingiu o imóvel.
O homem morreu em consequência do desabamento provocado pelo temporal.
Uma outra reportagem sobre o episódio informou que a vítima tinha 85 anos. As informações divulgadas pelas fontes apresentam divergência quanto à idade do homem, mas confirmam que ele estava dormindo quando a estrutura desabou sobre a residência.
A morte foi o episódio mais grave de uma madrugada marcada por ventos intensos, chuva forte e danos estruturais em Ribeirão Preto e municípios próximos.
Chuva intensa durou cerca de 30 minutos
Segundo a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, a tempestade atingiu Ribeirão Preto por volta das 5h40.
O temporal durou aproximadamente 30 minutos e foi acompanhado por fortes rajadas de vento.
A Prefeitura informou que, em apenas 20 minutos, foram registrados 24 milímetros de chuva — volume classificado como muito forte.
A intensidade do episódio chamou atenção porque, antes da tempestade, o acumulado de chuva registrado na cidade durante todo o mês era de apenas 1 milímetro.
Um alerta emitido pela Defesa Civil por volta das 5h30 já indicava a possibilidade de chuva forte, ventos intensos e ocorrência de raios.
Em alguns pontos de Ribeirão Preto, houve alagamentos e interdições de vias.
Frente fria e calor favoreceram a formação do temporal
A tempestade esteve associada à passagem de uma frente fria pela Região Sudeste.
Segundo a meteorologista Maria Clara Sassaki, especialista da Tempo OK, a atmosfera no interior de São Paulo estava muito quente antes da chegada do sistema de ar frio.
O encontro entre o ar quente e a frente fria favoreceu o desenvolvimento de nuvens de grande extensão vertical e elevada intensidade.
“O que aconteceu foi a passagem de uma frente fria pelo Sudeste, que favoreceu a formação de nuvens muito desenvolvidas no interior do estado. A atmosfera estava muito quente antes da chegada da frente fria e esse choque térmico favoreceu a formação das nuvens”, explicou a especialista.
De acordo com a meteorologista, essas nuvens podem ter provocado rajadas de vento associadas a uma microexplosão.
O que é uma microexplosão
A microexplosão ocorre quando uma massa de ar frio desce rapidamente do interior de uma nuvem em direção à superfície.
Ao atingir o solo, o ar se espalha em diferentes direções, provocando fortes rajadas de vento.
O fenômeno pode produzir ventos superiores a 100 km/h, com capacidade para derrubar árvores, arrancar telhados, danificar postes e provocar danos em estruturas.
As características do temporal observado na região de Ribeirão Preto são compatíveis, segundo a explicação meteorológica apresentada, com esse tipo de fenômeno.
Ainda assim, a identificação definitiva da causa e da intensidade de cada evento depende da análise dos dados meteorológicos e dos danos registrados.
Ventos ultrapassaram 120 km/h na região
A força do vento foi um dos principais fatores responsáveis pela destruição.
Em Ribeirão Preto, as rajadas foram estimadas em aproximadamente 70 km/h, de acordo com informações da Defesa Civil e da Prefeitura.
Em Pradópolis, município da região, os ventos chegaram a 121 km/h, segundo os dados divulgados.
Outra medição apontou rajadas de até 122 km/h em Pradópolis e de 100 km/h em Taquaritinga.
A força dos ventos derrubou árvores e palmeiras, arrancou toldos, destelhou imóveis e provocou danos em estruturas públicas e privadas.
Queda de torres deixa cidades inteiras sem energia
A tempestade também provocou um dos maiores impactos recentes no sistema de distribuição de energia elétrica da região.
Segundo Rafael Lazzaretti, presidente da CPFL, 34 torres de transmissão caíram durante a tempestade.
Além disso, pelo menos 200 postes de iluminação foram quebrados e precisarão ser reconstruídos.
“ Foram 34 dessas torres que caíram com a força dos ventos. A gente precisa restabelecer elas. A boa notícia é que todas as subestações já estão energizadas. Agora, é um trabalho mais de varejo, da parte de postes mesmo, que o impacto foi muito grande”, afirmou Lazzaretti.
A empresa estimou inicialmente que pelo menos 200 postes precisariam ser reconstruídos.
Ribeirão Preto recupera parte da energia, mas cidades seguem quase totalmente no escuro
Cerca de 12 horas após o temporal, aproximadamente 60% do fornecimento de energia elétrica havia sido restabelecido em Ribeirão Preto.
A informação foi confirmada por Rafael Lazzaretti durante uma coletiva de imprensa realizada na Prefeitura.
Segundo ele, hospitais receberam prioridade no processo de religação. Entre as unidades beneficiadas estavam o Hospital das Clínicas e a Santa Casa.
Mais de 210 mil clientes já haviam tido o fornecimento restabelecido, enquanto outros 152 mil permaneciam em processo de recuperação.
O presidente da CPFL explicou que o restabelecimento é realizado conforme a prioridade e a gravidade dos casos.
Além de Ribeirão Preto, outros municípios da região também foram duramente afetados.
Segundo os dados divulgados pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, a parcela de imóveis sem energia chegou a:
- Dumont: 99,94%;
- Pradópolis: 99,90%;
- Barrinha: 99,89%;
- Guariba: 99,85%;
- Taquaritinga: 68,94%;
- Ribeirão Preto: 55,68%;
- Sertãozinho: 39,75%;
- Santa Ernestina: 37,08%;
- Santa Rosa de Viterbo: 8,41%.
A CPFL informou que Sertãozinho, Santa Ernestina e Barrinha tiveram o fornecimento praticamente restabelecido, restando apenas casos pontuais.
Em Dumont, Pradópolis e Guariba, parte dos consumidores já havia sido atendida. Em Taquaritinga, aproximadamente 17 mil clientes estavam com energia restabelecida e outros 9 mil permaneciam em processo de recomposição.
Serviços de telefonia e internet também foram afetados
Além da rede elétrica, o temporal provocou problemas em outros serviços essenciais.
Houve registros de instabilidade em redes de telefonia e internet. O sinal de algumas estações de rádio também foi afetado.
Os danos à infraestrutura dificultaram a comunicação em diferentes pontos da região, enquanto equipes trabalhavam para remover árvores, reconstruir postes e restabelecer o fornecimento de energia.
A CPFL alertou a população para não tocar em fios partidos nem em galhos de árvores que estejam sobre a rede elétrica, mesmo quando os cabos aparentarem estar desenergizados.
A orientação é acionar a concessionária e o Corpo de Bombeiros e aguardar a chegada das equipes especializadas.
Prefeitura decreta estado de emergência
O prefeito Ricardo Silva (PSD) decretou estado de emergência em Ribeirão Preto por 180 dias.
Após o temporal, o prefeito visitou áreas atingidas e esteve em imóveis de famílias afetadas pela tempestade.
A Prefeitura passou a mobilizar equipes para avaliar os danos e atender as regiões mais atingidas.
O município também trabalha na recuperação da infraestrutura danificada e na assistência às famílias que tiveram suas casas atingidas por quedas de árvores, destelhamentos e desabamentos.
O prefeito manifestou solidariedade às vítimas e às famílias atingidas.
Tragedia provocou mobilização de equipes
A dimensão dos estragos exigiu a mobilização de equipes da Defesa Civil, dos serviços municipais, da concessionária de energia e de outros órgãos de emergência.
A prioridade foi garantir o atendimento a hospitais e serviços essenciais, liberar vias bloqueadas, retirar árvores e estruturas perigosas e restabelecer a energia elétrica.
O trabalho também envolve a reconstrução das torres de transmissão e dos postes destruídos pelo vento.
A CPFL reforçou que a segurança da população e dos trabalhadores em campo é a prioridade durante a recuperação do sistema.
Um dos temporais mais destrutivos recentes na região
O temporal deixou uma combinação de perdas humanas, destruição material e interrupção de serviços básicos.
Em aproximadamente meia hora, a tempestade provocou a morte de um idoso, derrubou árvores e estruturas, danificou imóveis e comprometeu o fornecimento de energia para centenas de milhares de consumidores.
A queda de 34 torres de transmissão e de pelo menos 200 postes mostra a dimensão do impacto sobre a infraestrutura regional.
A combinação entre a passagem de uma frente fria e a atmosfera muito quente contribuiu para a formação de nuvens de grande desenvolvimento e ventos extremamente fortes.
Enquanto as autoridades continuam contabilizando os prejuízos, as equipes trabalham para reconstruir a infraestrutura e normalizar os serviços.
A investigação meteorológica sobre o fenômeno também deverá ajudar a esclarecer com precisão se os ventos mais intensos foram provocados por uma microexplosão ou por outro tipo de evento severo associado à passagem da frente fria.
A tragédia deixou Ribeirão Preto e municípios da região em estado de alerta e expôs novamente a vulnerabilidade das cidades diante de eventos climáticos extremos, especialmente quando fortes chuvas e ventos intensos atingem áreas urbanas em um curto intervalo de tempo.