Trump mira Brasil com tarifa de até 500% por comércio com a Rússia

Trump mira Brasil com tarifa de até 500% por comércio com a Rússia

Senadores dos EUA querem dar ao presidente poder para punir países que mantêm negócios com Moscou; proposta pode atingir Brasil, Índia e China

A tensão entre os Estados Unidos e a Rússia voltou a subir de tom, e o Brasil pode acabar no meio do fogo cruzado. Um novo projeto de lei em discussão no Congresso americano pretende autorizar o presidente dos EUA, Donald Trump, a impor tarifas de até 500% a países que continuarem comprando ou vendendo produtos que estão sob sanção internacional à Rússia — como petróleo, gás e insumos estratégicos.

A proposta é encabeçada pelo senador republicano Lindsey Graham, aliado de Trump, que não poupou palavras ao explicar o objetivo da medida:
— A ideia é atingir a economia de Putin e também os países que estão ajudando a financiar sua máquina de guerra. Brasil, China e Índia estão nesse radar.

O projeto chega em meio à crescente frustração de Trump com a permanência da guerra na Ucrânia e com a falta de resultado das sanções anteriores. Desde que voltou à Casa Branca, ele evitou impor novas punições à Rússia, o que, segundo críticos, teria enfraquecido a pressão sobre Moscou. Mas agora, promete um “grande anúncio” sobre o conflito.

A proposta legislativa prevê uma abordagem dupla: além das tarifas pesadas para quem negociar com os russos, também está sendo articulado o envio de armamentos em quantidade recorde para a Ucrânia. A intenção, segundo os defensores da medida, é forçar Moscou a recuar e levar a guerra para uma resolução diplomática.

— Esse é exatamente o tipo de apoio que pode acelerar a paz — comentou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ao apoiar publicamente a proposta americana.

Apesar do apoio expressivo no Senado — ao menos 85 parlamentares já teriam sinalizado voto favorável —, há setores do governo que veem a medida com ceticismo. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que novas ameaças podem fazer a Rússia abandonar qualquer possibilidade de negociação.

A votação do projeto está prevista para ainda este mês. Se for aprovado, Trump terá nas mãos um instrumento poderoso, mas também arriscado: poderá atingir parceiros comerciais históricos dos EUA, como o Brasil, em nome de uma pressão global contra o Kremlin.

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