
Últimas imagens de advogado morto em São Paulo mostram encontro com homem ainda não identificado
Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, foi filmado em uma adega na Vila Madalena acompanhado de um desconhecido pouco antes de ser encontrado morto em uma calçada; polícia investiga compras feitas com o cartão da vítima, movimentações do celular e os últimos deslocamentos naquela madrugada
As últimas horas de vida do advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, estão no centro de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. Imagens de câmeras de segurança registraram o advogado em uma adega e tabacaria na região da Vila Madalena, na Zona Oeste da capital paulista, acompanhado de um homem que ainda não foi identificado. Pouco tempo depois, Pedro foi encontrado morto em uma calçada da Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros.
A causa da morte ainda não foi esclarecida. O corpo não apresentava sinais aparentes de violência, e os investigadores aguardam os resultados dos exames necroscópico e toxicológico para determinar se Pedro sofreu um mal súbito ou se ingeriu álcool, medicamentos ou alguma outra substância antes de morrer.
O caso ganhou novos elementos após a divulgação das imagens de segurança. Em uma das gravações, Pedro aparece entrando no estabelecimento localizado na Rua Aspicuelta por volta das 2h50 da madrugada de sexta-feira, 10 de julho. Ele estava acompanhado de um homem que usava boné branco.
Segundo as informações reunidas pela polícia, o advogado realizou uma compra no local utilizando seu cartão bancário. As imagens mostram o acompanhante próximo à vítima durante a operação. Em determinado momento, ele parece observar a digitação da senha. Na sequência, o funcionário troca a máquina de cartão, enquanto Pedro e o homem permanecem conversando.
Outra gravação mostra os dois do lado de fora do estabelecimento, conversando e rindo. Em determinado momento, Pedro aparenta dar um tapa no rosto do acompanhante. A polícia ainda não esclareceu o contexto da cena, nem informou se o gesto foi uma brincadeira, uma discussão ou se teve alguma relação com os acontecimentos posteriores.
Até o momento, o homem que aparece nas imagens não foi identificado oficialmente. Também não há informação de que ele seja formalmente tratado como suspeito. A Polícia Civil tenta esclarecer quem era o acompanhante, como ele conheceu Pedro e qual foi sua participação nos últimos momentos em que o advogado foi visto com vida.
O estabelecimento fica a poucos metros do local onde Pedro teria solicitado um carro por aplicativo. A movimentação registrada pelas câmeras tornou-se uma das principais peças para reconstruir a cronologia da madrugada.
A noite antes da morte
Pedro estava hospedado no Hotel Mercure JK, na Vila Olímpia, e havia saído com um amigo para acompanhar partidas da Copa do Mundo em bares da Vila Madalena.
Por volta de 0h30, os dois deixaram a região da Rua Aspicuelta em um veículo da categoria Uber Black. O destino inicial era a Rua Canário, em Moema. O amigo desembarcou no local, e a corrida foi encerrada às 0h48.
A expectativa era de que Pedro continuasse o trajeto até o hotel em outro carro por aplicativo. O amigo, no entanto, não soube informar à polícia se o advogado chegou a desembarcar para solicitar uma nova corrida ou se permaneceu no veículo.
A família pediu que os registros da plataforma de transporte fossem obtidos para ajudar a reconstituir o deslocamento do advogado.
O que chamou a atenção dos investigadores é que Pedro voltou a aparecer na região da Vila Madalena. Cerca de duas horas depois do encerramento da corrida para Moema, ele foi registrado pelas câmeras entrando na adega acompanhado do homem de boné branco.
Advogado foi encontrado morto na calçada
Por volta das 4h, Pedro foi encontrado caído na Rua Fradique Coutinho, na altura do número 1.108, em Pinheiros, a poucas quadras da adega onde havia sido filmado.
Testemunhas relataram que o advogado aparentava estar passando mal. Segundo os relatos, ele teria caminhado com dificuldades, vomitado, se ajoelhado e, posteriormente, deitado na calçada.
A Polícia Militar foi acionada para prestar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu. Quando a equipe chegou, Pedro já estava morto.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, ele apresentava pupilas dilatadas, mas não tinha lesões externas aparentes. Como não carregava documentos de identificação, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal Central de São Paulo sem identificação.
A identidade só foi confirmada quatro dias depois, na terça-feira, 14 de julho, por meio de exame papiloscópico realizado pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.
A família havia registrado o desaparecimento depois que Pedro deixou de responder às mensagens e não retornou ao hotel onde estava hospedado.
Compras com cartão e atividade no celular são analisadas
Outro ponto central da investigação são as compras realizadas com o cartão bancário de Pedro na adega.
A polícia tenta determinar os horários exatos das transações, os valores gastos e se todas as operações foram autorizadas pelo próprio advogado. A identificação do homem que aparece ao lado da vítima poderá ser importante para esclarecer quem estava com Pedro no momento das compras.
O celular também apresenta uma informação que chamou a atenção dos investigadores. O boletim de ocorrência registra que houve uma visualização no WhatsApp por volta das 5h da manhã, horário posterior ao momento em que Pedro já havia sido encontrado morto.
A Polícia Civil deverá analisar os dados do aparelho, os acessos a aplicativos e eventuais movimentações realizadas depois da morte. A informação, por si só, não permite concluir quem utilizou o telefone ou se houve algum acesso automático, razão pela qual os investigadores dependem de exames técnicos para esclarecer o episódio.
Exames devem apontar a causa da morte
A ausência de sinais aparentes de violência fez com que a investigação aguardasse os laudos periciais antes de estabelecer uma linha definitiva para o caso.
Os exames necroscópico e toxicológico deverão indicar a causa da morte e verificar a eventual presença de álcool, medicamentos ou outras substâncias no organismo da vítima. A previsão é que os resultados possam levar algumas semanas.
Testemunhas que relataram ter visto Pedro passando mal também devem ser ouvidas. Os depoimentos serão confrontados com as imagens das câmeras de segurança, os registros de transações bancárias, os dados do celular e as informações sobre os deslocamentos realizados por aplicativos de transporte.
O Hotel Mercure JK informou que está colaborando com as autoridades.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que policiais militares foram acionados e constataram que a vítima havia passado mal e caído em via pública. O Samu compareceu ao local e confirmou o óbito.
Investigação ainda não tem conclusão
Apesar da existência de imagens que mostram os últimos momentos conhecidos de Pedro, a polícia ainda não estabeleceu oficialmente a causa da morte nem confirmou que tenha ocorrido um crime.
O homem de boné branco, as compras realizadas com o cartão, o trajeto feito pelo advogado após deixar o amigo, a atividade registrada no celular depois do horário em que ele foi encontrado e os relatos de testemunhas são pontos que deverão ser cruzados pelos investigadores.
A família, por enquanto, aguarda os resultados dos exames para entender o que aconteceu.
“Não sabemos ainda o que aconteceu, se teve mal súbito, o que houve. Vamos ter que esperar”, afirmou o irmão de Pedro ao g1.
A investigação segue aberta. Até que os laudos periciais e os demais elementos sejam analisados, permanecem em aberto diferentes possibilidades, incluindo uma emergência médica ou intoxicação, sem que exista, até o momento, uma conclusão oficial sobre a causa da morte.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo.