Pastora e pré-candidata do PL é filmada em confronto físico com entregador em Contagem

Pastora e pré-candidata do PL é filmada em confronto físico com entregador em Contagem

Renata Vieira afirma ter sido agredida e diz que discussão começou após supostas ofensas políticas; imagens mostram a pré-candidata dando tapas, arremessando uma pedra e agarrando o trabalhador, enquanto a versão atribuída ao entregador aponta uma discussão sobre a entrega de um móvel

A pastora Renata Vieira, pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Liberal (PL) em Minas Gerais, foi filmada em um confronto físico com um entregador de móveis em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O episódio ocorreu na manhã de 16 de julho, no bairro Cabral, e ganhou repercussão nas redes sociais após imagens da discussão serem divulgadas.

O caso apresenta versões diferentes sobre o que teria provocado o conflito.

Renata Vieira afirma que o entregador teria iniciado a discussão depois de reconhecê-la como uma figura ligada ao bolsonarismo. Segundo a pré-candidata, o trabalhador teria feito ofensas e insinuações de caráter político e, posteriormente, partido para a agressão física.

“Fui vítima de agressão por parte de um entregador de móveis que veio até a minha casa. Ele percebeu quem eu era e começou a me ofender com ataques de cunho político, em razão do meu gênero, por eu ser mulher”, declarou Renata.

Segundo a versão apresentada por ela, a situação teria escalado rapidamente.

“Ele partiu para agressão física, jogou o carro em cima de mim, me deu chutes, socos, me machucou muito”, afirmou a pastora.

Os advogados da pré-candidata também sustentam que ela teria sido agredida quando tentou impedir que o móvel fosse levado de volta ao veículo de entrega.

Imagens mostram confronto físico

As imagens divulgadas sobre o episódio, entretanto, mostram Renata Vieira desferindo dois tapas no rosto do entregador, arremessando uma pedra em direção a ele e, em seguida, agarrando a gola da camisa do trabalhador, aparentemente tentando derrubá-lo.

Outro trecho registrado por testemunhas mostra os dois conversando na calçada antes do confronto. Em determinado momento, a pré-candidata parece atingir o homem no rosto.

O áudio das imagens não permite confirmar a existência de uma discussão de natureza política no momento registrado. A identidade do entregador não foi divulgada nas informações apresentadas sobre o caso.

Em outro trecho, Renata aparece criticando o comportamento do trabalhador e questionando sua postura durante a discussão.

“Sabe o que eu precisava? De pessoas educadas (…) que não chegam na casa dos outros de manhã achando que é gente”, afirmou.

Na sequência, ela também diz:

“Sabe por que você continuou? Porque você não tem nada a perder. Você queria que eu fizesse o que eu fiz, que era sair de mim e dar um tapa em você.”

Em outro momento, a pastora sugere que o trabalhador estaria “descontando nos outros” problemas relacionados ao próprio trabalho.

Versão atribuída ao entregador é diferente

Uma fonte ouvida pela imprensa, que pediu anonimato, apresentou uma versão diferente para o início da confusão.

Segundo esse relato, o entregador estaria sozinho e não teria condições de carregar e realizar a instalação de um sofá de cinco lugares. Por isso, ele teria informado que precisaria retornar à loja para buscar outro funcionário que pudesse ajudá-lo.

A pastora, de acordo com essa versão, não teria aceitado que o móvel fosse levado de volta para que a entrega fosse concluída posteriormente com o auxílio de outro trabalhador.

A partir daí, teria começado o desentendimento que terminou no confronto físico registrado pelas câmeras e testemunhas.

Até o momento, as informações divulgadas apresentam versões conflitantes sobre a sequência exata dos acontecimentos. Renata afirma que foi vítima de agressão e que o conflito teve motivação política. A versão atribuída ao entregador aponta que a discussão teria começado por causa das condições para a realização da entrega.

Pré-candidata tem apoio de nomes do PL

Renata Vieira é pastora e pré-candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo PL. Ela tem mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e mantém presença frequente em eventos e atividades ligadas ao partido.

A pré-candidata já publicou fotos ao lado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e do deputado federal Nikolas Ferreira.

Também há registros de apoio público do deputado federal Marco Feliciano à sua pré-candidatura.

Em uma publicação nas redes sociais, Renata aparece discursando ao lado de Flávio Bolsonaro. O senador compartilhou o conteúdo e escreveu uma mensagem de apoio:

“Suas palavras me dão ainda mais força pra continuar lutando pelo nosso Brasil! Conte comigo, Deus no comando!”

A proximidade com figuras importantes do PL e sua forte presença nas redes sociais fizeram com que o episódio tivesse ampla repercussão no ambiente político e digital.

Pastora diz que foi agredida

Após o episódio, Renata Vieira divulgou uma nota por meio de sua assessoria e reafirmou que teria sido vítima de agressões. Ela também gravou um vídeo em um hospital, no qual voltou a sustentar sua versão sobre o ocorrido.

A defesa da pré-candidata afirma que ela sofreu agressões durante a discussão e que a reação ocorreu em meio a uma situação que teria escalado rapidamente.

As imagens, por outro lado, mostram a participação ativa de Renata no confronto físico, incluindo tapas, o arremesso de uma pedra e a tentativa de agarrar o entregador.

O material divulgado não permite, por si só, esclarecer todos os momentos anteriores ao início da gravação nem determinar definitivamente quem iniciou a agressão física.

O caso deverá ser analisado pelas autoridades a partir das imagens, dos depoimentos das pessoas que presenciaram a discussão e das versões apresentadas pelos envolvidos.

Enquanto Renata Vieira sustenta que foi alvo de uma agressão motivada por ataques políticos e de gênero, a versão atribuída ao entregador indica que o conflito teria começado por causa de uma divergência sobre a entrega de um móvel.

A investigação e a eventual apuração formal do episódio deverão esclarecer a sequência dos fatos e as responsabilidades de cada envolvido.

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