Um STF dividido: apenas metade dos ministros apoiou Moraes após sanções dos EUA

Um STF dividido: apenas metade dos ministros apoiou Moraes após sanções dos EUA

A decisão de barrar a assinatura de uma carta em defesa de Alexandre de Moraes revela um clima de racha na Suprema Corte; a maioria preferiu silêncio público

Depois de Alexandre de Moraes ser alvo de sanções dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky — que bloqueia bens e impede transações financeiras com americanos — apenas 6 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal demonstraram apoio explícito ao colega, como em discurso institucional ou nota pública. Os demais permaneceram em silêncio ou ausentes em evento presidencial comuvante.⁤

A tensão ficou visível após o ministro solicitar que todos os colegas assinassem uma carta de repúdio às sanções, ação respaldada por seis ministros. Mas a maior parte da Corte considerou impróprio responder coletivamente às medidas aplicadas por outro país. Moraes esperava unidade total, mas ficou diante de uma divisão clara.⁤

Entre os que manifestaram apoio publicamente, destacaram-se nomes como Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cármen Lúcia (este último fez elogios à atuação de Moraes nas eleições de 2022). Já os ministros André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli, Nunes Marques e Cristiano Zanin optaram por não se pronunciar. Edson Fachin eventualmentepois criticou a interferência estrangeira na independência judicial.⁤

Procurando criar um símbolo de coesão institucional, o presidente Lula promoveu um jantar no Palácio da Alvorada com os ministros. Porém, cinco magistrados não compareceram — ilustrando o efeito contrário ao pretendido: o fortalecimento das divisões internas.⁤

Roberto Barroso, presidente do STF, defendeu a Corte como pilar da democracia e reafirmou a legitimidade de Moraes. Gilmar Mendes, por sua vez, elogiou sua atuação como essencial à preservação das instituições e garantiu que o tribunal não se deixará intimidar por pressões externas. Edson Fachin classificou a aplicação das sanções como um exemplo de interferência inaceitável.⁤

Apesar das sanções e críticas externas, Moraes manteve firmeza. Em discurso no plenário, afirmou que “ignorará” as restrições impostas e continuará seu trabalho judicial. A despeito da disputa, o ministro segue à frente de casos de grande repercussão, como os processos que envolvem Jair Bolsonaro e a tentativa de golpe de 2022.⁤

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